sexta-feira, 21 de julho de 2017

161 - Terras de Capelins

Gastronomia das Terras de Capelins

Sopa de tomate com ovos e bacalhau

Ingredientes:


- 2 postas de bacalhau

- 3 dentes de alho
- 1 ramo de salsa
- 1 folha de louro
- 150 ml de azeite
- 1 cebola
- 4 batatas
- 2 tomates
- 2 ovos
- Pão
- Sal

Preparação:
Passo 1: Tire a pele e as sementes aos tomates, pique os alhos, (a salsa). Corte às rodelas as cebolas e parta em pedaços a folha de louro. Faça um refogado com o azeite, o bacalhau demolhado e os ingredientes anteriormente preparados, (pouco sal) e (em opção 1/2 caldo galinha).
Passo 2: Deixe apurar e acrescente a água necessária para a sopa. Quando ferver acrescente as batatas descascadas cortadas às rodelas, deixe cozer +- 15 minutos, baixe a fervura e escalfe os ovos.
Antes de servir retire o bacalhau e os ovos. 
Servir vertendo a sopa sobre camadas de pão alentejano fatiado e duro.




160 - Terras de Capelins - Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos

Gastronomia das Terras de Capelins

Sopas de grão de azeite (dos que tinham poucos rendimentos)

Ingredientes
- grão de bico
- batatas
- azeite
- sal
- pão

Era necessária pouca sabedoria de cozinha, apenas saber os tempos de cozedura ao lume de lenha, que neste caso, era das oito da manhã ao meio dia, porque o grão levava pelo menos três horas a cozer em panela de barro.
Para fazer umas sopas de grão a tarefa começava na noite anterior, antes de deitar, pelas 21:00/22:00 horas, dependia, se era Inverno ou Verão, tinham de pôr os grãos de molho em água com uma mão cheia de sal, a medida dos grãos a pôr de molho era também uma mão cheia (punhado) por cada comensal e no fim, ainda se colocava mais uma mão cheia para o gato. O grão ficava a noite toda de molho na água com sal e logo de manhã pelas 8 horas ou antes tinham que fazer lume de lenha, com frio ou com calor, para se pôr as sopas ao lume. O grão cozia numa panela de barro, cerca de 3 horas, entretanto, o/a cozinheiro/a de serviço acompanhava a cozedura e acrescentava os ingredientes que tinha, no tempo certo. Quando os grãos estavam quase cozidos acrescentava umas batatinhas cortadas aos cubos e se tivesse a sorte de ter umas cenouras e hortaliça, (isso era muito raro). Depois destes ingredientes estarem quase cozidos colocava-se na panela uma colher de azeite por cada pessoa e a do gato. As sopas tinham que estar prontas a comer pelo meio dia.
Cortava-se pão duro em fatias numa tigela (terrina), ou num recepiente feito de cortiça e deitavam-se as sopas de grão por cima do pão e eram uma delícia, natureza pura.
A seguir escrevemos sobre as sopas de grão, com carne.




quinta-feira, 20 de julho de 2017

159 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 

Doçaria

Bolo Podre 

Ingredientes

2,5 dl de mel
2,5 dl de azeite
7 ovos
125 g de açúcar
250 g de farinha de trigo
1 colher de chá de canela em pó
1 colher de chá cheia de fermento em pó
2 colheres de sopa de aguardente velha
Preparação
Tempo de Preparação: 20 min | Tempo de Cozimento: 50 min

Misturar o azeite, mel, as gemas de ovos e o açúcar, batendo muito bem cerca de 10 minutos.
Adicione a aguardente e bata mais um pouco.
Bata as claras em castelo firme.
Envolva as claras ao preparado anterior, alternando, com a farinha misturada com a canela e o fermento.
Deite a massa numa forma grande com chaminé, bem untada com azeite.
Leve a cozer em forno médio cerca de 50 minutos (convém verificar se está cozido).
Depois de cozido desenforme o bolo e deixe arrefecer.
Bom apetite!
Bolo Podre Alentejano



quarta-feira, 19 de julho de 2017

158 - Terras de Capelins

Gastronomia das Terras de Capelins


Açorda de Espinafres com ovos


Ingredientes (prato para 2 pessoas)

10 Dentes de alho partidos ao meio (ou uma folha de alho)
2 Molhos de espinafres (varia consoante o nº de pessoas)
2 Ovos
1 dl de azeite
Sal q.b.
Colorau q.b.

Modo de Fazer: 
“Faça o refogado com o azeite e os alhos. Depois meta os espinafres e deite um bocadinho de colorau. Deite a água e quando ferver junte os ovos (mas só quando estiver a ferver que é para os ovos não se desmancharem). Deixe cozer. Prove de sal e arrede.”

Modo de Servir:
Migam-se as sopas na tigela e deita-se o caldo por cima. Num prato à parte põem-se os condutos que se comem com as sopas.

(Pode ser com bacalhau ou com queijo curado). 


157 - Terras de Capelins 
Concelho de Terena 1262 - 1836

Guerra da Restauração no Concelho de Terena e Terras de Capelins

A Guerra da Restauração (1640-1668), destacou-se no Concelho de Terena.


Em 1652 as tropas espanholas do Duque de S.Germán saquearam os campos, do Concelho de Terena, recolhendo depois a Barcarrota, fugiram, apesar de perseguidas por tropas de Terena e de Olivença. Tendo deixado, todavia, parte do saque na circunvalação externa daquela Praça espanhola, os portugueses recuperaram essa parte e levaram-na para Olivença, onde os lavradores do Concelho de Terena foram recuperar alguns dos seus bens.
Em 1656, Terena foi cenário de violentos combates, e num espaço de poucos dias foi ocupada por espanhóis e recuperada custosamente pelo exército português.
As correrias das tropas espanholas, para se afastarem de Olivença, uma Praça portuguesa muito forte, nessa época, eram feitas por Terras de Capelins, (Vila de Ferreira), ou Defesa D’ El-Rei, passando, facilmente, o rio Guadiana, a partir de Abril/Maio, no Porto D’El-Rei (Cinza), por isso, em 1652, levaram tudo o que rapinaram aos lavradores desta região, para Barcarrota.
Passava-se a mesma situação com os portugueses, atravessavam o rio Guadiana no mesmo Porto da atual Cinza e roubavam os gados e tudo o que podiam, trazendo o saque para Portugal, eram escaramuças fronteiriças, que atingiam em maior escala os grandes lavradores da raia. Os trabalhadores, ou jornaleiros, não tinham nada.

O Declínio do Concelho e Terena e seu Fim:

Ainda no Século XVIII assistiu-se a algum declínio. A sua economia foi enfraquecendo. Como se não bastasse, Terena foi uma das povoações alentejanas que mais danos sofreu com o terramoto de 1755.
A época Pombalina não parece ter sido importante na região. Continuando a sua decadência e, já no século XIX, a sua economia foi ainda mais abalada com o corte de ligações para além Guadiana depois de 1801, (devido à guerra das laranjas), não tanto por ter ligações diretas com Olivença, ainda que algumas existissem, mas acabou por afetar toda esta região.

Na primeira metade do século XIX, ou seja, em Novembro de 1836, vários Concelhos com expressão reduzida acabaram por se unir em torno do que foi o único sobrevivente, o do Alandroal. Foram eles Juromenha, Ferreira (um estranho Concelho de reduzida população, hoje Freguesia de Santo António de Capelins, era apenas um Concelho do Estado do Infantado, onde imperavam as regras daquele Estado)  e, obviamente, o próprio Alandroal. Tal junção de esforços não trouxe exatamente progresso ou benefícios de relevo, como bem o sabem os seus atuais habitantes, ainda que houvesse períodos de alguma prosperidade.
(Base: Trabalho do Professor Carlos Luna)


Castelo de Terena vigiava o Vale da Lucefécit até às Terras de Capelins 




156 - Terras de Capelins 

História, lendas, contos e mitos das terras de Capelins 

Nossa Senhora das Neves em Capelins 


No calendário litúrgico, o dia dedicado a Nossa Senhora das Neves é o 05 de Agosto, porque foi na noite de 04 para 05 de Agosto que o Monte Esquilino em Roma se cobriu de Neve, (quando é normal aí existirem 40º graus C), conforme milagre de Nossa Senhora, sendo aí construída a sua Basílica. 

Quanto a Nossa Senhora das Neves de Capelins, esta Ermida existe desde os finais dos anos 1600, devido à ruína da anterior Igreja de Santa Maria, de 1314, quase decerto, levada a esse fim, por motivo da guerra da restauração, por onde os exércitos passavam, nada era respeitado, era tudo pilhado e destruído. O último documento que conhecemos, onde a Igreja de Santa Maria é referida, na Defesa de Ferreira ou Defesa del-rei é de 1667, (é um testamento que se encontra no Arquivo Distrital de Portalegre), coincide, de facto, com a referida guerra. Ao lado da Igreja de Santa Maria foi construída a presente Ermida, dedicada a Nossa Senhora das Neves, que parece ser a mesma, Santa Maria. Assim, neste dia 05 de Agosto, começavam a chegar um, ou dois dias antes, aqui acorriam devotos de toda a região, inclusivé, de Terras de Espanha, com grande devoção por Nossa Senhora das Neves.

Hoje, encontra-se ao abandono, esperando a ruína total!

Se puderem, passem lá dia 05 de Agosto!



Nossa Senhora das Neves 


155 - Terras de Capelins 

História, lendas, contos e mitos das terras de Capelins 
O baile na herdade do Terraço
Aqui, ao lado deste cruzeiro, situado no Terraço, realizou-se um baile internacional + - no ano de 1940.
Quando escrevo um baile internacional foi porque as protagonistas do inesperado baile foram portuguesas e espanholas com espetadores (homens) portugueses, que só tiveram direito a assistir e admirar tão deslumbrante espetáculo no meio do nada.
Decorria o ano de 1940 e o rescaldo da guerra civil de Espanha, de 1936-1939, sentindo-se, e de que maneira, a devastação, em todos os sentidos daquela fatídica guerra. Em Ferreira de Capelins, estava tudo aparentemente calmo, embora, ainda por aqui se sentisse o sofrimento dos nosso vizinhos, principalmente os da vizinha Vila de Cheles. 


Num lindo dia de sol, daqueles que apetece andar pelo campo, veio a vizinha Domingas Carraço, filha da Ti Catarina Veleza, convidar a minha mãe e a minha tia Jacinta para irem ao feixe, (ir ao feixe, era ir às Areias, ou outro lugar de azinhal, fazer um feixe de lenha de azinho e trazê-la à cabeça para casa), a minha tia Jacinta não gostou muito da ideia, até porque o meu avô Xico Alvanéo, não autorizava a ida ao feixe, mas a minha mãe insistiu e lá foram as três a caminho das Areias apanhar o feixe de lenha. Quando vinham de volta para Ferreira de Capelins, no local onde está este cruzeiro, ao lado do pocinho do Terraço, (era um pocinho pequeno, que nem estava empedrado e foi entupido), apareceram três espanholas que vinham dos lados de Santiago Maior ou Cabeça de Carneiro e se dirigiam para Cheles, já um ano depois do fim da guerra, mas algumas pessoas continuavam a vir a Portugal a pedir e a comprar coisas que não existiam em Espanha. Então as espanholas meteram-se com elas, perguntaram como se chamavam, o que andavam a fazer, apresentaram-se, sendo a mãe e duas filhas moças, não pediram nada, nem elas tinham nada para lhe dar. Pousaram os feixes de lenha e continuaram a conversa sobre as suas tristes vidas, porque todas as pessoas perderam familiares naquela guerra. A minha mãe, a minha tia Jacinta e a Ti Domingas Carraço, não tinham nada para lhe dar, mas foram elas que lhe deram e tanto que, ainda hoje dura nas suas memórias. Sabem o que foi? Não foi tristeza, foi alegria! Dividiram-se em 3 pares e armaram um baile acompanhado pelo cante das espanholas que durou algumas horas, ao ponto dos trabalhadores que ali andavam a lavrar, o ti José António Grilo e outros, pararam a lavoura para assistir à festa tão bela naquele lugar. A seguir, sabem o que a espanholas fizeram? Pegaram nos feixes de lenha à cabeça e levaram-nos até à Portela, perto do Monte Novo de Capelins, mas não era esse o seu caminho. Ali, pousaram os feixes de lenha, deram-lhe uns beijinhos e voltaram na direção de Montejuntos - Cheles, tudo isto, em troca de coisa nenhuma. 

Nunca mais as viram, foram anos mais tarde arranjar o cabelo (fazer permanente), a Cheles, mas não as encontraram.


Cruzeiro do Terraço


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