quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

248 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins -

Montejuntos 

História, lendas e tradições das terras de Capelins

A lenda do taberneiro de Capelins

As tabernas nas terras de Capelins já existiam desde tempos remotos e vendiam pouco mais do que vinho e aguardente mas, embora nesses tempos alguns, não ganhassem para comer, eram bem afreguesadas! No início de 1900, havia uma taberna em Capelins de Cima, cujo taberneiro era o ti Chico Calhau, com origens da região de Borba! O ti Calhau gostava muito de troçar de toda a gente e, estava sempre a oferecer lambadas aos fregueses, por coisas sem importância, depois dava zaragata, existindo vários registos de queixas nos ordenanças (guarda do reino), em Terena!
O ti Miguel Borralho, de Lisboa era guarda campestre na Defesa de Ferreira, no Monte Grande e, adorava beber uns copos de vinho, não bebia mais, porque o dinheiro era escasso, mas assim que tinha uns réis no bolso ia a correr à taberna do ti Calhau! Um dia, estava com muita vontade de um copinho de vinho, deu volta à carteira e conseguiu encontrar mesmo a conta do dinheiro para um copo, nem pensou duas vezes e foi à taberna:
Ti Miguel: Enche lá aí um copo de vinho!
O ti Calhau, como habitualmente, estava mal disposto, tinha de embirrar com alguém e respondeu!
Ti Calhau: Encho se eu quiser! Ou pensas que mandas aqui alguma coisa!
Ti Miguel: Eu quero lá mandar aqui! Quero é o copo de vinho e mais nada!
Ti Calhau: Vou pensar! É melhor vires cá logo!
Ti Miguel: Deixa-te de brincadeira e enche lá o copo de vinho, que eu não me posso demorar!
O vinho estava num pipo (barrica) de madeira atrás do balcão e, era diretamente dele que o ti Calhau enchia os copos de vinho! Tinha uma tijela por baixo para aparar alguma pinga que caísse fora dos copos!
O ti Calhau, para chatear o ti Miguel, andava de um lado para o outro a fingir que andava fazendo outras coisas, até que pegou no copo de lata e encheu-o, depois bateu com ele em cima do balcão, fazendo entornar quase metade do vinho! O ti Miguel ficou a olhar, na esperança do ti Calhau recolher o copo para o acabar de encher, mas não! Para não haver chatices não disse nada, porque já sabia que o taberneiro estava com os azeites e se abrisse a boca dava mau resultado! Quando ia pegar no copo, o ti Calhau disse-lhe: “Estás com sorte, toda a vida ouvi dizer que, quando se entorna vinho fica-se rico”! Já sabes, ainda vais ser rico! O ti Miguel bebeu o meio copo de vinho e não respondeu, mas logo a seguir, lembrou-se de se vingar do ti Calhau, nesse momento, o taberneiro foi à casa de trás e, o ti Miguel correu ao pipo do vinho e abriu a torneira, deixando-o a escorrer para o chão, quando o ti Calhau voltou, ficou muito furioso e exclamou alto:
Ti Calhau: Como é que eu fiz uma coisa destas? Ai a minha vida! Que grande prejuízo!
Ti Miguel: Não foste tu! Fui eu! Mas isso foi para te fazer bem, porque se eu fico rico por me entornares meio copo de vinho, pensei que ficavas riquíssimo se eu te entornasse o pipo!
Ti Calhau: Seu malandro! Tu nem sabes o prejuízo que me deste! Não te vais ficar a rir, vais pagar bem pago!
Ti Miguel: Olha lá! Então se vais ficar riquíssimo, ainda é preciso eu pagar-te?  Não vou pagar-te nada!
Ti Calhau: Ainda estás a mangar comigo? Eu já te digo!
O ti Calhau deitou as mãos ao pescoço do ti Miguel e envolveram-se em zaragata,  agarrados foram cair à porta da taberna, estavam ali alguns homens que os separaram! O ti Calhau continuou a gritar que tinha de lhe pagar vinte copos de vinho! E o ti Miguel afastou-se dizendo que não lhe pagava nada!
Pouco depois, passavam por ali os ordenanças de Terena e, o ti Calhau apresentou queixa do ti Miguel, contando a sua versão do que se tinha passado! Os ordenanças, foram chamar o ti Miguel e confrontaram-no com a acusação, ele pediu licença e contou a versão dele! Não negou nada e disse que fez aquilo para bem do ti Calhau, para ele ficar muito rico!
Os ordenanças não percebiam o que tinha a riqueza a ver com aquilo, então, o ti Miguel contou-lhe o que o ti Calhau lhe tinha feito e, a parte de que ficava rico, por isso, ele também queria que o ti Calhau ficasse rico, muito rico, o que só era possível se entornasse o pipo! Os ordenanças conferenciaram e perceberam a maldade do ti Calhau, mandaram o ti Miguel embora e disseram-lhe que o assunto estava resolvido e não pagava nada! Depois, entraram na taberna e disseram o mesmo ao taberneiro, que ainda tentou dividir o prejuízo ao meio, que era mais justo, mas os ordenanças disseram-lhe que acabava ali a conversa e não queriam ouvir falar mais no assunto!
O acontecimento, depressa se espalhou pelas terras de Capelins e, o ti Calhau foi alvo de chacota durante muito tempo e até lhe fizeram versos!

O ti Miguel, nunca mais se aproximou da taberna do ti Calhau. 



terça-feira, 16 de janeiro de 2018

247 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 

História, lendas e tradições das terras de Capelins 
A rapariga de Capelins, que queria ser feiticeira 
O rancho das azeitoneiras da Defesa da Bobadela de Cima, como estava na véspera da acabada e, como faziam todos os anos, nessa noite, reuniram-se no serão para fazer a despedida! Nesse serão, contavam histórias, lendas, contos e mitos que passavam de geração em geração e eram quase sempre contadas pelas pessoas mais velhas! A mais convincente era a ti Laura, a mulher do pastor da herdade e residente no Monte, ninguém se distraía quando era a vez dela a contar as lendas, quase todas, sobre feiticeiras das terras de Capelins! 
Do rancho das azeitoneiras, fazia parte uma rapariga que morava em Capelins de Baixo, com cerca de dezoito anos, que estava ao cuidado de uma tia, já viúva e, assim faziam companhia uma à outra! A rapariga, era muito ambiciosa, já nesse tempo sonhava alto e nunca estava satisfeita com o que tinha! 
No serão da despedida das azeitoneiras, quando a ti Laura, estava contado as lenda sobre feiticeiras, ficavam todos calados, com muita atenção e verificava-se um silêncio profundo na casa onde estavam! A ti Laura contava como eram os bailes das feiticeiras às quintas-feiras, dizia que elas chegavam, tiravam a roupa, cumprimentavam o mafarrico se lá estivesse, porque nem sempre podia estar, eram muitos bailes, mas havia outros diabinhos por ele enviados e, logo a seguir começavam a dançar, dançavam como loucas e davam gritos estridentes e assustadores! Por vezes apanhavam homens que se descuidavam e vinham do trabalho para casa, já pela noite dentro, ou vinham das tabernas já com o grão na asa, metiam-nos no baile e dançavam tanto, que eles ficavam desancados e ninguém os livrava de pelo menos três dias de cama! 
Cada vez que a ti Laura fazia uma pausa, a rapariga desabafava: Ai quem me dera ser feiticeira! A tia já estava envergonhada e dava-lhe um safanão no braço! A ti Laura continuava: Uma vez a minha avó e o meu avô andavam a com as ovelhas na herdade do Roncão e numa noite de quinta-feira ouviram grande alarido, foram ver o que era e deram com um baile de feiticeiras, logo abaixo do Moinho do Bufo mesmo à roda da Ribeira do Lucefécit que levava grande cheia, ninguém a conseguia passar para o lado de Santa Luzia, mas as feiticeiras deram por eles e passaram a Ribeira para o outro lado! E sabem como? Algumas responderam: A voar! A nadar! A ti Laura disse-lhe: Não foi nada disso, porque as feiticeiras só voam montadas em vassouras, mas lá no baile não tinham vassouras e, a cheia era muito grande para poderem nadar! Passaram dentro de uns alguidares e uma delas até passou numa bacia e foram fazer o baile lá para Santa Luzia! E a rapariga repetia: Ai quem me dera ser feiticeira! Este desabafo durou a noite toda, as pessoas já estavam agastadas de a ouvir! 
Quando acabou o serão, que demorou bem mais tempo do que o esperado, foram para onde tinham as enxergas para dormir, que era na malhada, um pouco afastada do Monte, logo que saíram, na escuridão, uma mulher encostou-se à rapariga e disse-lhe baixinho:
Mulher: Olha lá rapariga, é mesmo verdade que queres ser feiticeira? 
Rapariga: É, sim! Mas não sei como se faz, senão já tinha tratado disso! 
Mulher: Mas tu tens mesmo a certeza? Olha que isso não é nenhuma brincadeira! É uma coisa muito séria! Tens de cumprir tudo o que o mestre te disser!
Rapariga: Isso, já está mais que pensado! Eu sei que só dessa maneira posso mudar a minha vida! Quem é o mestre?
Mulher: Acredita que, a tua vida vai mudar e muito! Mas também vais sofrer e até podes perder a vida! O mestre é o mafarrico! Tens que obedecer a tudo o que ele quiser de ti! 
Rapariga: Eu obedeço e faço tudo o que for preciso! Como é que sabe isso tudo? Não me diga que é feiticeira? 
Mulher: Isso agora não te interessa! Se queres mesmo ser feiticeira tem de ser hoje! Agora aí à frente onde está o mato, baixas-te para não nos verem, depois dizes à tua tia que te perdeste! 
A vontade da rapariga em ser feiticeira era tanta, que nem pensou duas vezes, escondeu-se no mato com a mulher até passarem as outras! Quando chegaram à malhada a tia achou a falta da rapariga, mas pensou que tinha ido à retrete no mato e as outras mulheres acalmaram-na, disseram-lhe para se deitar que ela decerto estava a chegar! A tia deitou-se e, como estava muito cansada, depressa adormeceu! 
A rapariga e a mulher seguiram na direção do Ribeiro da Amadoreira e quando chegaram à parte mais funda perto do rio Guadiana era aí o baile, as feiticeiras estavam a chegar e nessa noite estava lá um bode que era o Lucifer, elas tiravam a roupa, dirigiam-se a ele beijavam-lhe o rabo e começavam a dançar! Quando chegou a vez da rapariga e da mulher, ela disse-lhe para tirar a roupa e fazer tudo o que as outras faziam! A rapariga assim fez, ficou nua e sem hesitar dirigiu-se ao bode, mas quando o foi beijar no rabo exclamou: Ai, meu Deus, o que vou eu fazer? A mulher explicou-lhe quase tudo, sobre o que tinha de fazer, mas esqueceu-se de lhe dizer que nunca podia dizer uma palavra sagrada! Estragou tudo, deu-se um estrondo muito violento, acabou imediatamente o baile, a rapariga foi atirada para o meio de um silvado e o mafarrico e as feiticeiras desapareceram! 
A tia assim que acordou, ainda de madrugada, viu que a sobrinha ainda não estava ali, começou a gritar, as outras mulheres vieram acudir e quando se informaram o que era, pediram aos homens que fossem procurar a rapariga, uns pelo rio Guadiana abaixo, outros pelo rio Guadiana acima e, lá foram chamando por ela! Quando dois desses homens chegaram ao Ribeiro da Amadoreira ouviram um gemido, foram a correr para o lado de onde ele vinha e depararam-se com a rapariga nua, no meio das silvas, toda arranhada e cheia de sangue, estava com a vida por um fio, também devido ao frio da noite! Com muita dificuldade tiraram-na do silvado, abafaram-na o melhor que puderam com os pelicos e levaram-na para o Monte, onde as mulheres se dedicaram a tratá-la com muito cuidado, aplicando-lhe muitas mesinhas e, foi assim que a devolveram à vida! 
A rapariga levou muito tempo a recuperar, já em casa em Capelins de Baixo, teve de contar à família o que se tinha passado naquela noite e, nunca mais quis ser feiticeira! 
É caso para dizer: Perdeu-se uma feiticeira, nas terras de Capelins. 


Foi por aqui, o baile das feiticeiras 





domingo, 14 de janeiro de 2018

246 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos
História, lendas e tradições das terras de Capelins
A lenda da Feiticeira mais poderosa de Capelins, em 1850
Antigamente, as terras de Capelins, estavam povoadas de feiticeiras, assim se pensava e, eram as culpadas por todos os males que aqui aconteciam! De entre elas, havia sempre uma mais poderosa, a que tinha herdado mais novelos, da avó, mãe, tia, de quantas mais pessoas herdasse os novelos, mais poderes tinha, os novelos eram o poder de uma feiticeira, a qual não morria enquanto alguém não se prontificasse a recebê-los, podia estar a sofrer vários dias e a gritar “quem quer os novelos”, enquanto alguém não dissesse quero-os eu, a feiticeira não morria! Acontecia que, uma familiar, filha, ou neta, ou mesmo outra pessoa ao vê-la muitos dias em sofrimento, aceitava os novelos e a feiticeira morria em paz, quem os aceitasse ficava sendo feiticeira!
Na década de 1850 a feiticeira apontada como sendo a mais poderosa de Capelins era a ti Maria Inverna, nunca se soube de onde herdou este apelido, mas já devia vir de família! A ti Maria morava numa pequena casa a Oeste de Capelins de Cima, mas passou quase toda a sua vida ao serviço de um padre na Paróquia de Santo António, era a sua criada, lavava a roupa, passava a ferro, fazia a comida e asseava a casa, ou seja, era mulher para todo o serviço do senhor padre, mas quando ele faleceu foi enxotada lá da Igreja e alguém lhe arranjou esta pequena casa! A ti Maria inverna foi sempre acusada de feiticeira, mas era intocável, porque tinha a proteção do padre que tinha fama de lobisomem! Não tinha ninguém de família e, poucas pessoas lhe dirigiam a palavra, porque tinham medo dela, diziam que a ouviam berrar como as cabras e algumas noites que viam grandes lumes em frente à sua porta e ela a dançar com um grande bode preto com um chapéu mesmo igual ao que conheciam do padre!
Uma tarde iam passando à sua porta dois rapazes filhos de lavradores de Capelins, o Manoel Soares e o João Silvério e o Manoel interrogou o João:
Manoel: Olha lá, não é aqui que mora a tal feiticeira que toda a gente tem medo?
João: É aqui mesmo, nessa casa aí á frente! Não a conheces?
Manoel: Eu não! Acho que nunca a vi, tenho ouvido falar muito nela, dizem que é muito poderosa, mas como sabes, eu não acredito em feiticeiras!
João: Nem a propósito, aí te a apresento!
A ti Maria Inverna estava curvada, em frente à sua casa, a fazer um feixe de lenha para levar para dentro!
O Manoel que era muito velhaco, estava sempre a dizer que não acreditava em feiticeiras e que não tinha medo delas nem de ninguém, chegou junto da ti Maria e gritou:
Manoel: Então ti Velha, é verdade que é feiticeira?
A ti Maria estava juntando a lenha e não disse uma palavra!
Manoel: Não ouve? É ou não é feiticeira?
A ti Maria não respondeu, pegou no feixe de lenha, muito trôpega e curvada seguiu o caminho de casa e o Manoel continuou aos berros: “Vá diga lá, é ou não é feiticeira”? A ti Maria parou, olhou para trás dirigiu-lhe os olhos baços, sem brilho, arregaçou os lábios mostrando o único dente que tinha, já todo negro, uma figura aterradora que os fez estremecer, emitiu um gemido e seguiu! O Manoel ficou com medo, mas ao mesmo tempo quis mostrar a sua valentia como sempre fazia, ou seja, não quis dar parte de fraco e avançou na direção da casa da ti Maria, dizendo:
Manoel: Agora, vou entrar aí na sua casa e já vejo se é ou não feiticeira, pensa que tenho medo? Já vai ver!
O João, ainda tentou agarrá-lo, mas já era tarde, a ti Maria atirou com a lenha, ergueu o seu corpo que ficou firme e hirto, abriu os braços na sua frente, mas o Manoel passou por ela sem dificuldade! Entrou na casa de fora, olhou, olhou, mas não achou nada de anormal, procurou outros compartimentos e reparou numa porta disfarçada com um cortinado feito de sacos de serapilheira, nesse momento, já a ti Maria estava junto dele e, ao vê-lo a dirigir-se para aquela porta meteu-se novamente na sua frente, com muito mais energia a tentar impedi-lo de entrar no quarto, mas o Manoel já estava de cabeça perdida e deu-lhe um safanão tão forte que a ti Maria voou, mesmo sem vassoura, e foi cair à porta da rua batendo com a cabeça na ombreira, mas voltou de gatas arrancando terra e pedras com as unhas e dando urros que parecia um animal, entretanto já o Manoel estava dentro do quarto onde estava um altar iluminado com velas e em cima alguns ossos que pareciam humanos! O Manoel deduziu logo que eram do padre, estava pasmado a olhar aquele cenário, mas apercebeu-se que a ti Maria estava a chegar junto dele, virou-se e ficou aterrado, ela continuava a emitir urros, mostrava grandes unhas e, dos seus olhos saiam raios de luz na sua direção! O Manuel que dizia não acreditar em feiticeiras, gritou: “Jesus Maria” e foi a sua sorte, a ti Maria dobrou as pernas e caiu! O Manoel saiu a correr e não quis saber do João, que não sabia o que se tinha passado lá dentro da casa da ti Maria, corria atrás dele a chamá-lo, mas ele não abrandava, só o apanhou em Capelins de Baixo, porque já cansado! O Manoel contou-lhe o que se tinha passado e, o João apenas lhe disse que nunca devia ter entrado na casa da ti Maria!
Uma semana mais tarde, repentinamente os dois rapazes adoeceram, não comiam nada e começaram a definhar de dia para dia, depois de saberem o que se tinha passado com a ti Maria, os seus pais foram a uma bruxa na então Vila de Montoito, que lhe disse, não poder fazer nada por eles, porque já era tarde, se tivessem ido oito dias antes, estavam salvos! Ainda foram a outras bruxas, mas disseram-lhe todas o mesmo, que era um feitiço muito forte, de uma feiticeira muito poderosa e que já era tarde! Tudo apontava a ti Maria Inverna! Ao fim de três meses, faleceram os dois, no mesmo dia! No dia seguinte ao seu falecimento, foi o funeral! Nesse dia, a ti Maria Inverna, estava a lavar roupa junto a um poço e apareceu sem vida, parece que, foi assassinada pelo método do saquinho de areia, bater, bater até à morte!
Talvez a ti Maria Inverna, tivesse sido injustamente assassinada!
Talvez nem fosse feiticeira!
Talvez as ossadas que tinha no quarto fossem as do padre, amor da sua vida, mas cedidas pelo coveiro, que era seu amigo!
Talvez os raios de luz nos seus olhos, fossem reflexos da luz das velas!
Talvez o Manoel e o João tenham falecido com tuberculose, ou outra peste muito comum naquela época e, por coincidência no mesmo dia!
Descrevemos este acontecimento, como sendo uma lenda, mas de verdade uma parte foi realidade!
Que a verdadeira ti Maria, descanse em paz!




terça-feira, 9 de janeiro de 2018

245 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 
História, lendas e tradições das terras de Capelins 
Peripécias das terras de Capelins 
O jantar de grilos fritos
O Manoel Maria morava em Capelins de Cima e, era filho do ti Miguel da Rosa, um seareiro que tinha algumas courelas de sua propriedade, mas também semeava outras ao quarto, ou seja, depois da ceifa do trigo, aveia ou cevada, o dono das courelas dirigia-se às mesmas e, em cada quatro molhos de cereal recolhia um para ele! Uma dessas courelas era na herdade do Terraço, da casa Camões, que tinha essa herdade dividida em três folhas, estando uma de alqueve, em descanso, outra semeada de trigo e outra de aveia. Cada uma dessas folhas era composta por 10/12 courelas que, eram dispensadas a seareiros das terras de Capelins.
Na segunda-feira dia 23 de Março de 1964, iniciaram-se as férias escolares da Páscoa, há tanto tempo esperadas e, o Manoel, pelas 8 horas da manhã foi com o pai, na carroça, a caminho da courela do Terraço que, nesse ano era junto à herdade do Seixo! Assim que chegou, por ali andou a averiguar o que havia para ver e avistou não muito longe um seareiro a lavrar com a sua mula, foi-se aproximando e logo o reconheceu, era o seu vizinho o ti Elias!
Manoel: Olá ti Elias! Então o que anda a fazer?
Ti Elias: Olá Manoel! Ando a lavrar, não vês?
Manoel: Que anda a lavrar sei eu!
Ti Elias: Então, se sabes, para que estás a perguntar?
Manoel: Para saber, não?
Ti Elias: Para saberes, o que já sabias, isso já é saber a mais! Então, hoje vieste com o teu pai?
Manoel: Pois! Se estou aqui é porque vim, não?
Ti Elias: Então, já conhecias aqui o Terraço?
Manoel: Ainda não! Mas já estou a ver que há aqui pouco para conhecer!
Ti Elias: Podes ir conhecer além o Monte do Seixo, está a cair, mas foi um grande Monte, ainda podes ver como era!
Manoel: Eu tenho medo de ir para além, sei lá quem é que lá morou, no fim ainda lá me aparece alguém que já morreu, não, não, além é que eu não vou!
Ti Elias: Olha, vai ali àquele altinho, já perto das Areias, que ainda podes ver uns restos de paredes de uma casa dos romanos!
Manoel: Ainda bem que me disse, já lá não arrumo!
Ti Elias: Mas porquê? Não encontras lá ninguém, moraram aí, há mais de 1000 anos!
Manoel: Não, não, e se ainda lá anda algum bicho desses?
Ti Elias: Não eram bichos que lá moravam, eram pessoas como nós!
Manoel: Ah eram? E para onde abalaram?
Ti Elias: Para a terra deles! Outros morreram em guerras! Desapareceram daqui!
Manoel: Sei lá se desapareceram! Eu é que não vou para esse lado! Vou mas é ver do meu pai que já devem ser horas de jantar (almoçar)!
Ti Elias: Horas de jantar? Só se for da bucha, são agora umas dez horas, até ao meio dia ainda tens muito que esperar e eu ainda tenho de lavrar até àquele chaparro!
Manoel: Eh ti Elias! Só janta quando chegar àquele chaparro? Eu morria de fome! Então o que trouxe para o jantar?
Ti Elias: Olha! Hoje são grilos fritos!
Manoel: Eh lá, ti Elias! Então isso come-se?
Ti Elias: Claro que come! Não me digas que nunca comeste?
Manoel: Como é que havia de comer, se os grilos não se comem!
Ti Elias: Já te disse! São o meu jantar hoje, se não acreditas logo estás aqui que eu dou-te a provar!
Manoel: Eu provar não quero! Mas gostava de ver!
Ti Elias: Então, logo ao meio dia aparece aqui!
Manoel: Está bem! Vou ver do meu pai!
O Manoel foi ter com o pai, que já estranhava a sua ausência, explicou-lhe onde tinha andado e continuou a conversa:
Manoel: Oh pai! Ainda demoramos muito em jantar?
Pai: Então porquê? Já tens fome? Ainda nem são 11 horas! Jantamos ao meio dia!
Manoel: Já tenho fome, já! Mas não é só por isso!
Pai: Então, é o porquê?
Manoel: É que ao meio dia, já tenho de estar despachado do jantar, porque a essa hora tenho de estar à do ti Elias para ver uma coisa que ele hoje trouxe para o jantar!
Pai: O que é essa coisa que o ti Elias trouxe para jantar e que tu tens que ver?
Manoel: São grilos fritos!
Pai: Qual grilos fritos! Alguém come grilos fritos! Foi ele a brincar contigo!
Manoel: Não foi não! Ele falou muito a sério! Veja lá que até me quer dar a provar!
Pai: Já és muito grande para seres tão parvo! Ninguém come grilos fritos!
O Manoel por ali andou cheio de ansiedade para se despachar do jantar (almoço) e ir assistir ao pitéu dos grilos fritos do ti Elias, mas foi uma eternidade até o pai parar de lavrar e, por fim, lá foram jantar! Assim que acabaram de comer, o Manoel levantou-se de cima do saco de serapilheira onde estava sentado e foi a correr até onde andava o ti Elias!
Manoel: Então?
Ti Elias: Então o quê?
Manoel: Já jantou?
Ti Elias: Já! Havia de estar à espera de quê?
Manoel: Olha para isto! Não foi capaz de esperar!
Ti Elias: Mas de esperar o quê?
Manoel: Que eu viesse, não?
Ti Elias. Então, era para jantares comigo?
Manoel: Não era, não! Mas não tínhamos combinado de eu ver os grilos fritos?
Ti Elias: Mas foste tu que faltaste! Ainda esperei, mas não aparecias, não pude esperar mais!
Manoel: Então, e não sobrou nada?
Ti Elias: Sobraram umas rodelas de farinheira frita e um bocado de toucinho!
Manoel: Não é isso! Dos grilos fritos!
Ti Elias: Nem um sequer! E mais que fossem!
Manoel: Esta agora! E quando é que trás outra vez os grilos fritos?
Ti Elias: Ah, agora não sei! Nem tenho tempo para ir a eles! Vê lá tu, se me arranjas por aí alguns!
Manoel: Eu até arranjava, mas nunca consigo apanhar mais de quatro ou cinco, mas deixe estar que eu não me esqueço de si! Bem! Sendo assim, vou por aí a ver o que há de novo! Até logo!
Ti Elias: Até logo Manoel!
O Manoel desamparou o ti Elias e, por ali andou a passar o tempo, até chegar a hora de voltarem para casa!
A conversa dos grilos fritos do jantar do ti Elias perdurou muito tempo nas terras de Capelins e, principalmente na escola primária de Ferreira! Muita gente ficou na dúvida se era ou não verdade que o ti Elias comia os grilos fritos!

Bem haja ti Elias! 

Terraço


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

244 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins -

Montejuntos

História, lendas e tradições das terras de Capelins

Mistérios das terras de Capelins

O lobisomem de Capelins de Cima

Desde sempre, nas terras de Capelins, quando não existia explicação coerente para qualquer acontecimento menos agradável, o mesmo era atribuído à ação das feiticeiras ou de lobisomens! Se adoecia ou morria um porco no chiqueiro de alguém, era obra de feiticeiras, tinham que fazer as respetivas mesinhas! Se morriam as galinhas da ti Maria, toda a gente dizia que tinham sido as feiticeiras e faziam-se mais mesinhas! Se aparecia algum cão sem vida, logo diziam que tinha sido um lobisomem! Tudo isto, era o terror da rapaziada!
Numa noite do mês de Março de 1962, o ti Lourenço, seareiro, chegou a casa e, depois de meter a mula na cabana, deu-lhe a ração, alguma palha, entrou em casa e disse à ti Margarida: “Lava a cara aos gaiatos, que depois da ceia (jantar) vamos falar à minha madrinha, que veio hoje na carreira!
A madrinha do ti Lourenço, tinha emigrado para o sul do Tejo no final dos anos 50, mas gostava muito de voltar a Ferreira de Capelins, passar uns dias de férias com o marido que, era jardineiro nos jardins de Almada!
A conversa continuou entre o ti Lourenço e a ti Margarida!
Ti Margarida: Ah, a tua madrinha está cá?
Ti Lourenço: Está! Disseram-me ali no caminho que veio hoje! Se não estivesse cá como é que lá querias ir?
Ti Margarida: Eu não disse que queria lá ir! Tu é que disseste! Então! Não sabia!
Ti Lourenço: Pronto! Agora já sabes! Põe a mesa para cearmos e depois prepara os gaiatos!
Ti Margarida: Está bem! É preciso grande preparo! Coitadinhos!
 A ti Margarida pôs a mesa, o ti Lourenço começou logo a migar o pão para dentro da tijela de barro e, não demoraram em comer as sopas de grãos, com carne e toucinho!
A ti Margarida lavou a cara dos gaiatos e puseram-se a caminho da casa da madrinha do ti Lourenço, já era noite e quando iam entrar na Rua principal de Capelins de Cima, junto ao Monte Grande, só tiveram tempo de dar um salto para trás, porque a poucos metros deles, passou um homem alto com outro mais baixo às costas, (às cavalitas) a correr com tanta velocidade que parecia um cavalo! Os gaiatos deram um grito, agarraram-se ao pai e em coro gritaram: Um lobisomem! O pai e a mãe tentaram acalmá-los, dizendo que não era nenhum lobisomem, mas também não estavam muito convencidos, porque, mesmo eles, estavam com dúvidas se seria ou não um lobisomem! E agora? Se ele volta! Diziam os gaiatos em pânico! Agente já não vai à da madrinha! Ai, não, não! Os pais lá os foram acalmando e afirmando que não era nenhum lobisomem, que era alguém a brincar! Mas o que viram não tinha explicação, muito menos para crianças! Foram subindo a rua e quando chegaram ao Largo de Capelins de Cima estava um homem a sair da taberna do ti Zé Francisco, com a pouca luz do candeeiro a petróleo o ti Lourenço viu que era um contrabandista muito conhecido, o ti António Marim!
Ti Lourenço: Boa noite ti António! Então houve por aqui alguma coisa esquisita?
Ti António: Boa noite! Eu não dei por nada esquisito! Então porquê?
Ti Lourenço: É que mesmo agora, vinhamos além em baixo e passou um homem muito grande com outro às costas, parecia mesmo um cavalo a galope! Nunca vimos uma coisa assim!
Ti António: Ah, isso! Então não os conheceste?
Ti Lourenço: Eu não! Como é que havia de os conhecer, já escuro e aquela cavalhada!
Ti António: Então! Um, era o teu tio Chico e o outro o Zé do Carrão!
Ti Lourenço: Essa agora! Então e porque é que o Zé do Carrão levava o meu tio às cavalitas e naquela correria?
Ti António: Até parece que não os conheces! Qual deles é o mais teimoso? Estavamos aqui a beber uns copitos de vinho e eles começaram a apostar, o teu tio dizia que a família do Soares era da serra da Estrela para cima e o Zé do Carrão dizia que era da serra da Estrela para baixo, o que perdesse a aposta tinha de levar o outro às cavalitas até casa! Ainda bem que ganhou o teu tio que mora no Monte Meio! E se tem perdido? Tinha que levar o Zé do Carrão às cavalitas até ao Monte! Não se aguentava! Não os conseguimos impedir de apostar! Depois, chegou aqui o Soares e confirmou que a sua família era da serra da Estrela para cima, já sabes o resto do que se passou! A correria era efeito do vinho!
Ti Lourenço: Olhe, também não sabia! Ouvi sempre dizer que os Soares eram do norte, mas pensava que a serra da Estrela era no norte e que já não havia mais nada do norte para cima!
Ti António: Olha! Boa noite e até amanhã! Eu não quero apostar nada! Eu sou do sul, de Castro Marim!
Ti Lourenço: Boa noite ti António! Até amanhã!
Ti Lourenço: Ouviram a conversa do ti António? Não era nenhum lobisomem!
Gaiatos em coro: E se ele estiver a enganar a gente?
Ti Lourenço: Mas qual enganar! Nem enganar! Já ouviram o que se passou, agora acabou a conversa do lobisomem! Ouviram?
Gaiatos: Está bem! Pronto!
Dali, depressa chegaram à casa da madrinha, fizeram os cumprimentos e instalaram-se nas cadeiras de buinho, porque tinham muitas peripécias para ouvir sobre casos cómicos que o padrinho assistia no dia a dia, nos jardins de Almada, o que implicava passar o serão a rir! Conte lá mais uma padrinho! E logo surgia outra! Também foi contado o episódio passado ali na rua na última hora, que originou risos dos mais velhos, mas que deu pouca graça aos gaiatos que, continuavam convencidos ser mesmo um lobisomem!
No dia seguinte, os gaiatos andaram de casa em casa dos vizinhos a contar que tinham visto um lobisomem na noite anterior e, ao mesmo tempo criavam um grande mistério! Os mais novos ficavam apreensivos, mas os mais velhos perguntavam sempre: “E vocês benzeram-se?”
Gaiatos: Não! Não benzemos! Ninguém nos disse que tínhamos que benzer!
Vizinhos: Então, não se benzam, não!
 Os gaiatos passaram aquele dia e os seguintes, a fazer o sinal da cruz, para espantar o lobisomem de Capelins de Cima!
Assim, nasciam os boatos que se transformavam em mistérios, nas terras de Capelins. 




domingo, 7 de janeiro de 2018

243 - Terras de Capelins
História de vidas, das gentes de Capelins
Família Moreira
A Família "Moreira" teve início nas terras de Capelins há mais de 250 anos, com a chegada de Clemente Antunes Moreira cerca de 1760 a Capelins de Cima, onde faleceu com 32 anos de idade em 28 de Julho de 1767! 

Foram vários os "Moreira" que se destacaram, devido aos seus dotes, contribuindo para o bem da comunidade capelinense, com trabalho, arte, ou outras formas de fazer bem! Assim, pretendemos fazer uma singela homenagem, dando a conhecer o percurso familiar ascendente de um dos "Moreira" mais conhecido nas terras de Capelins, e que tem o seu nome numa Rua de Ferreira de Capelins, como reconhecimento da sua dedicação a esta comunidade! Era lavrador do Monte do Roncão e, um dos poetas populares da Freguesia de Capelins, de nome: 
1 - Inácio Moreira Correia, nascido no Monte da Boavista - Montes Juntos no dia 03 de Agosto de 1909, casou no dia 27 de Maio de 1942, com Dª Carmen Dias da Vila de Cheles, foi pai de duas meninas e faleceu no dia 18 de Janeiro de 1977! 
2 - Pais: Era filho de Manuel José Moreira, lavrador, nascido em 09-05-1881 e de Joaquina Mariana Correia, nascida em 17-03-1879, os quais, casaram em 22-10-1906 na Igreja de Santo António de Capelins!
3 - Avós: No seu assento de nascimento consta que, o seu avô era: José Joaquim Moreira, nascido em 02-11-1836 e sua avó era: Vicência Ritta, mas parece não corresponder à realidade, o seu verdadeiro avô era: João Moreira, Pastor, nascido em 25-11-1834 e sua avó era; Bárbara Maria, os quais casaram em 06-08-1860 em Santo António de Capelins! João Moreira, além de outros filhos, teve o filho Manuel José Moreira, muito tarde e, este foi perfilhado pelo seu irmão José Joaquim Moreira, constando já no assento do casamento de Manuel José Moreira, que ele era filho perfilhado de José Joaquim Moreira e não de João Moreira como consta no assento do nascimento em 09-05-1881. (Conclusão: O pai de sr. Inácio Moreira Correia, foi perfilhado pelo tio José Joaquim Moreira)! 
4 - Bisavós: Os seus bisavós acabam por ser os pais dos dois avós, de João Moreira e de José Joaquim Moreira (estes eram irmãos), os avós chamavam-se: Manuel Joaquim Moreira, Seareiro, nascido em 17-02-1799 e Francisca Ignácia, moravam no Monte Real e casaram na Igreja de Santo António de Capelins em 14-03-1831.
5 - Trisavós: Joaquim Antunes Moreira, nascido em 11-02-1766 em Santo António de Capelins, e Eufémia Maria, de Mourão, casaram na Igreja de Santo António em 22-09-1790.
6 - Tetravós: Clemente Antunes Moreira, nascido em 26-01-1735 em Vila Viçosa e Francisca Bernarda Eugénia, na Vila de Assumar.

Como sabemos, é aqui, em Clemente Antunes Moreira e Francisca Bernarda Eugénia que se inicia toda a dinastia "Moreira" nas terras de Capelins! 
Cada "Moreira" anteriormente mencionados tiveram 5/6 e mais filhos que, obviamente vieram dar outras famílias "Moreira", mas facilmente sabemos quem são, no entanto, todas vão dar a Clemente Antunes Moreira! 
Sobre o que aqui descrevemos, temos a respetiva documentação oficial, registos paroquiais! 




sábado, 6 de janeiro de 2018

242 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos 
Histórias de vidas de capelinenses 
O aparecimento do Pedro, recém nascido, à porta do Sacristão da Igreja de Santo António de Capelins na madrugada do dia 06 de Março de 1836 
Quando se pensava que nada acontecia nas terras de Capelins na década de 1830, eis que surge mais um acontecimento que deu muito que falar! Na madrugada do dia 06 de Março de 1836, alguém deixou um menino recém nascido à porta do Sacristão da Igreja de Santo António de Capelins! Um grande mistério, porque seria o sacristão abençoado com essa dádiva? Toda a gente queria saber quem era a sua mãe, grande trabalho se arranjou, foram dias e dias a passar a pente fino as mulheres das terras de Capelins e arredores, qual tinha a barriga grande e deixou dd ter? Deve ser fulana! Diziam uns! Deve ser beltrana! Diziam outros! E quem seria o pai? Podiam ser tantos!

A criança foi logo batizada nesse dia pelo Pároco António Laurentino Sopa Godinho, não podiam esperar mais tempo, ainda nesse dia veio o senhor Gonzaga de Terena e o senhor Domingos Ramos do Monte do Meio para serem os padrinhos e, o nome teve que ser Pedro, ou em homenagem a São Pedro, ou porque queriam que se soubesse que o pequeno Pedro tinha vindo da Freguesia de São Pedro de Terena! 
Pensamos que, o Pedro foi criado na Igreja de Santo António pelo Pároco António Laurentino e pelo Sacristão e que aqui foi feliz à sua maneira! Talvez, também fosse sacristão!


Diz assim o assento: 
"Em os seis dias de Março de mil oitocentos e trinta e seis annos, nesta Parochial Igreja de Santo António de Capellins termo de Terena Arcebispado de Évora baptizei solenemente e puz os Santos Oleos a Pedro filho de pais incógnitos que apareceu neste mesmo dia à porta do Sacristão: e para constar fiz o prezente e assignei em dia mez e anno ut supra. Forão Padrinhos Luiz Pereira Gonzaga morador em Terena e Domingos Ramos no Monte do Meio de Ferreira. E para constar fiz este termo que assignei em dia mez e anno ut supra.
O Parocho António Laurentino Sopa Godinho"

Sabemos que, o aparecimento do Pedro à porta do Sacristão da Igreja de Santo António, foi num domingo! 

Assento do Pedro


248 - Terras de Capelins: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montejuntos  História, lendas e tradições das terras de Capelins A ...