domingo, 21 de dezembro de 2014

60 - História de Capelins 

Igreja Paroquial de Santo António de Capelins


Até agora, ainda não encontramos nenhum documento que nos indique a data exata da construção da então, "Capela de Santo António de Capelins", dizemos Capela, porque nessa época existia uma Igreja Matriz, cujo Orago era Santa Maria e situava-se na Vila Defesa de Ferreira, ao lado onde atualmente se ergue a Ermida de Nossa Senhora das Neves (Túlio Espanca). Parece que, a referida Capela de Santo António, foi construída por um aventureiro que andou pela India e, devido ao sucesso que teve, a mandou construir no início de 1500, nas terras do Reino, Coutada da herdade da Cabeça de Sina. No entanto, através do testamento instituído pela senhora Inês Morena, datado de 27 de Janeiro de 1518, para serem rezadas quatro missas e uma cantada, pela sua alma, na herdade da Cabeça da Sina, temos que admitir que a então Capela de Santo António, já existia nessa data, seria impossível alguém instituir essas missas sem existir uma capela ou Igreja. Assim, a Capela de Santo António, deve ter sido construída no  primeiro ou segundo decénio do ano 1500, talvez esteja explicado no Livro da Visitação de 1534. Esta Capela era muito semelhante à Ermida de Santa Clara, nas dimensões, disposição no terreno, também, olhando a ocidente, e com o Alpendre, que foi sacrificado quando foi ampliada, para passar a Igreja Paroquial.

Testamento instituído pela senhora Inês Morena, em 27 de Janeiro de 1518

CAPELA QUE INSTITUIU INÊS MORENA COM ENCARGO DE QUATRO MISSAS REZADAS E UMA CANTADA DE QUE É ADMINISTRADOR ANDRÉ MORENO


NÍVEL DE DESCRIÇÃO: Documento simples Documento simples

CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/ADPTG/PCELV/4/1/79
TIPO DE TÍTULO: Formal
DATAS DE PRODUÇÃO: 1541-11-26 A data é certa a 1541-11-26 A data é certa
DIMENSÃO E SUPORTE: 2 f.

EXTENSÕES 2 Folhas

ÂMBITO E CONTEÚDO
Terena, Herdade da Cabeça da Sina. Fernão Nunes, Diogo Fernandes o Rico. Treslado parcial do testamento da instituidora datado de 27 de Janeiro de 1518.
CONDIÇÕES DE ACESSO: Comunicável
COTA ATUAL: Cx. 6
COTA ANTIGA Tb. 31, f. 155  v.
IDIOMA E ESCRITA por
CARACTERÍSTICAS FÍSICAS E REQUISITOS TÉCNICOS Bom



Apresentamos outros documentos que envolvem a Paróquia de Santo António de Capelins, embora redigidos muitos anos mais tarde!


DISPENSA MATRIMONIAL APRESENTADAS AO VIGÁRIO GERAL DESTE ARCEBISPADO A FAVOR DE JOAQUIM JOSÉ, VIÚVO QUE FICOU DE MARIA JOAQUINA COM ROSA MARIA, ELE NATURAL DO REDONDO E ELA DE SANTO ANTÓNIO DOS CAPELINS, TERMO DE TERENA.
 
NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento composto Documento composto
CÓDIGO DE REFERÊNCIA PT/ADEVR/FE/DIO-CEEVR/B/001/02592
TIPO DE TÍTULO Atribuído
DATAS DE PRODUÇÃO 1836 A data é certa a A data é certa
DIMENSÃO E SUPORTE: papel
EXTENSÕES: 16 Folhas
HISTÓRIA ADMINISTRATIVA/BIOGRÁFICA/FAMILIAR
A Câmara Eclesiástica é a repartição que se ocupa dos bens e direitos temporais do Cabido da Sé. As suas funções são essencialmente financeiras. Adquire funções judiciais, mas só no século XV começa a ter plenos poderes. A partir desta data e até final do século XVIII foi uma instituição de grande importância. Em 1831, porém, perdeu grande parte das suas atribuições judiciais e, em 1870, esta decadência mais se acentuou com a extinção dos Estados Pontifícios. No Arquivo Histórico da Câmara Eclesiástica de Évora, existem documentos muito importantes, não só para a história da Arquidiocese, como também para a história de toda a Região. Fonte imediata de aquisição ou transferência: Alguma documentação do Arquivo Histórico da Câmara Eclesiástica de Évora, encontra-se em depósito no Arquivo Distrital de Évora. Ao que se supõe, terá vindo a monte, devido a uma invasão ao Paço Arquiepiscopal que decorreu no ano de 1910, aquando da implantação da República.
A documentação é muito variada, destacando-se nela processos relacionados com diversas Ordens do seguinte modo: De Genere, Menores, Tonsura, Missa, Epístola, Evangelho. Existe também documentação diversa: Dispensas matrimoniais, Parentesco, Património, Breves e Bulas sobre diversos assuntos, entre outra, que se encontra ainda por inventariar.
ÂMBITO E CONTEÚDO Contém: Petição, rol de testemunhas, apresentação de comissão, depoimento dos justificantes, mandado de diligências, Filiação da contraente: filha de António Godinho e de Clemência de Jesus Tipologia e suporte: papel
CONDIÇÕES DE ACESSO: indisponível em virtude de estar a ser inventariada a documentação. COTA ATUAL Pç 2592 Cxª 95 IDIOMA E ESCRITA Português
CARACTERÍSTICAS FÍSICAS E REQUISITOS TÉCNICOS Os documentos estão em bom estado de conservação. Contém todo o processo.
 
http://digitarq.adevr.dgarq.gov.pt/details?id=1038528

Igreja de Santo António de Capelins 





sábado, 20 de dezembro de 2014

59 -   História breve, da Vila de Terena 

Concelho de Terena 1262 - 1836

O Concelho de Terena teve início em 1262, através do primeiro Foral concedido a Terena e seu Concelho, pela Família Riba de Vizela, no reinado de D. Afonso III, e durou até 06 de Novembro de 1836, as terras da Vila Defesa de Ferreira ficaram a pertencer a este Concelho até 1698, data em que o senhorio da Vila Defesa de Ferreira passou a pertencer à Casa do Infantado, tornando-se Concelho do Estado do Infantado.  Em 1314, D. Dinis, fundou a Vila Defesa de Ferreira, que tinha quase a mesma missão dos Coutos de homiziados, com a diferença, de neste caso os povoadores serem voluntários e tinham muitos privilégios, entre os quais, o de não pagar impostos nem serem presos. As terras do Concelho de Terena, incluindo a Villa Defesa de Ferreira, até 1433 pertenciam ao mesmo senhorio, só a partir dessa data foram separados, sendo as terras de Terena doadas a D. Nuno Martins da Siveira, 1º Alcaide Mor de Terena e a Villa Defesa de Ferreira a D. Gomes Freire de Andrade. Assim, todas as terras a Norte da Vila de Ferreira, dentro do termo de Terena, cujo limite, eram as herdades da Sina, Nabais e Boeira, pertenciam a este Alcaide. 
A Alcaidaria-Mor de Terena, foi passando de pais para filhos ou, para outro familiar, ou não, como mais adiante se confirma.
D. Nuno Martins da Silveira, nasceu em 1380 e faleceu em 1440, foi escrivão da puridade dos reis D. João I e D. Duarte.
A Alcaidaria-Mor de Terena e seu senhorio passou para seu filho D. Diogo Martins da Silveira, nascido em 1420, casou com Dª Beatriz da Cunha, ou Beatriz Lemos de Goes, senhora da Casa de Goes, nascida em 1430, deste casamento, tiveram vários filhos, entre os quais, D. Nuno Martins da Silveira, nascido em 1450, casou em 15 de Agosto de 1482, com Dª Filipa de Vilhena, na Sé de Évora, foram seus padrinhos o rei D. João II e, a rainha Dª Leonor, neste mesmo ano foi nomeado Alcaide-Mor de Terena, sucedendo a seu pai, já falecido nesta data.
Porém, pelo documento a seguir transcrito, parece que, entretanto desistiu da referida Alcaidaria-Mor, passando para o seu irmão D. Martim Afonso da Silveira:

Ao filho mais velho de Martim da Silveira, que ficar de seu falecimento, doação da vila de Terena e das suas rendas e alcaidaria, por desistência de Nuno Martim da Silveira e Anrique da Silveira, irmãos de Martim da Silveira que a ela tinham direito por um alvará de Afonso V, que fizera mercê aos três de tudo o que o pai deles tivesse, Diogo da Silveira, falecido, na melhor maneira que parecesse a D. Beatriz, sua mãe, com acordo de Fernão da Silveira que então era coudel-mor e tio deles.
Nível de descrição
Documento simples Documento simples
Código de referência: PT/TT/CHR/K/19/24-106
Tipo de título: Formal
Datas de produção: 1501-06-07 A data é certaa 1501-06-07 A data é certa
Dimensão e suporte: 18 linhas.
Extensões: 18 Livros
Âmbito e conteúdo
Gaspar Rodrigues a fez.
Cota atual
Chancelaria de D. Manuel I, liv. 19, fl. 24

A MARTIM DA SILVEIRA, FIDALGO DA CASA D'EL-REI, CONFIRMAÇÃO DA DOAÇÃO DA VILA DE TERENA, COM TODAS AS RENDAS E DIREITOS, QUE LHE JÁ FORA CONFIRMADA POR UMA CARTA FEITA EM ÉVORA, A 27 DE NOVEMBRO DE 1466, POR LOPO FERNANDES E, POR OUTRA, FEITA EM ÉVORA, A 12 DE JUNHO DE 1482, POR NICOLAU EANES.

NÍVEL DE DESCRIÇÃO Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA PT/TT/CHR/K/19/23-104
TIPO DE TÍTULO Formal
DATAS DE PRODUÇÃO 1505-01-26 A data é certa a 1505-01-26 A data é certa
DIMENSÃO E SUPORTE 113 linhas.
EXTENSÕES 113 Livros
ÂMBITO E CONTEÚDO
Por aquela sabe-se que essa doação fora confirmada a seu pai, Diogo da Silveira, do Conselho d'el-Rei, escrivão da puridade, e vedor-mor das obras, agora falecido, por uma carta feita em Lisboa, a 15 de Julho de 1454, por Álvaro Vieira. Doação concedida a Nuno Martins da Silveira, do Conselho d'el-Rei, escrivão da puridade, cavaleiro, em consideração aos serviços prestados, por uma carta feita em Estremoz, a 8 de Maio de 1436, por Lopo Afonso e confirmada, por uma carta feita em Santarém, a 9 de Setembro de 1449, por João de Lisboa, pela qual se manda a Álvaro Mendes Godinho, corregedor da referida comarca, que cumpra essa doação. João Pais a fez.
COTA ATUAL Chancelaria de D. Manuel I, liv. 19, fl. 23


http://digitarq.dgarq.gov.pt/details?id=3867440

Ao interpretar o teor desta Carta Régia, parece ter existido alguma confusão quanto à sucessão de D. Diogo da Silveira na Alcaidaria-Mor de Terena, sendo atribuída ao filho mais velho de Martim Afonso da Silveira.
D. Martim Afonso da Silveira, nasceu em 1470, casou com Dª Catarina de Azambujo, nascida em 1470, consta que tiveram cinco filhos.
Existem, referências de D. Manuel da Silveira, nascido em 1480, casado com Dª Joana Henriques, nascida em 1480, como Alcaide-Mor de Terena, um dos filhos de Martim Afonso da Silveira.
Dª Maria da Silveira, filha de D. Martim Afonso da Silveira, casou com Nuno da Cunha, passando os bens da Família Silveira, para a Família Cunha.
A Alcaidaria-Mor de Terena, passou então, para D. Pedro da Cunha, nascido em 1510, também, senhor de Gestaçô, filho de D. Nuno da Cunha e de Dª Maria da Silveira, casou duas vezes, primeiro com Dª Luísa de Castro, tiveram uma filha e, depois com Dª Maria Henriques, tiveram três filhos, dos quais, um homem, logo, herdeiro dos seus bens, de nome, Tristão da Cunha, que herdou a Alcaidaria-Mor de Terena, como o senhorio de Gestaçô e de Panoias.
D. Tristão da Cunha, Alcaide-Mor de Terena, nasceu em 1540, casou duas vezes, primeiro com Dª Brites de Moura, deste casamento nasceram duas filhas, Dª Isabel da Cunha e Dª Maria da Cunha, foram ambas freiras. Casou pela segunda vez, com Dª Margarida da Silveira, do qual, tiveram pelo menos seis filhos.
A Casa de D. Tristão da Cunha, assim como, a Alcaidaria-Mor de Terena, passou para o seu filho D. Pedro da Cunha, [1]nascido cerca de 1588/1590, casou com Dª Catarina de Menezes, foi Comendador de S. Pedro de Sanguinedo na Ordem de Cristo. Pedro da Cunha, teve cinco filhos, entre os quais dois ilegítimos, destes, uma foi religiosa capucha do Mosteiro de Sacavém, e o filho D. Gil Vaz Cunha morreu em combate na Índia em 1644, sem deixar geração. Dos três filhos legítimos, Camila de Noronha, morreu menina, Tristão da Cunha, morreu numa rixa, uma noite, numa rua de Lisboa, e D. Gonçalo Vaz da Cunha, que herdou a Casa, ainda foi Alcaide-Mor de Terena, serviu na guerra, capitão de cavalos nas tropas do Minho, mas morreu moço, em Agosto de 1665, sem casar, não deixando descendência, logo, todos os bens vagaram para a Coroa.
Depois de D. Pedro da Cunha, verifica-se nova alteração na linhagem dos senhores de Terena, por o senhorio vagar para a Coroa.
Em 1665, reinava em Portugal D. Afonso VI, (regência de sua mãe D. Luísa de Gusmão e depois do Infante D. Pedro, por incapacidade do rei). Nesta data, a Alcaidaria-Mor de Terena, foi doada a D. Francisco de Melo e Torres, um dos quarenta conjurados, que tinha apoiado e aclamado D. João IV em 1640, filho de D. Garcia de Melo e Torres, Capitão de Cochim e de Dª Margarida de Menezes.
D. Francisco de Melo e Torres, também foi o 1º Conde da Ponte, título criado por carta de 16 de Maio de 1661, do rei D. Afonso VI, sendo já o 1º Marquês de Sande, nasceu em 1610, casou com a sua sobrinha Dª Leonor Henriques ou Manrique, foi assassinado em Lisboa em 1667, dizem que, por engano, sucedendo-lhe o seu filho, D. Garcia de Melo e Torres, nascido em 1650, herdou todos os títulos e senhorios de seu pai, a Alcaidaria-Mor de Terena, 2º Conde da Ponte e, foi comendador de Santa Maria de Montemor-O-Novo e de S. Pedro Fins de Bragança na Ordem de Cristo, casou em 02 de Fevereiro de 1671, com Dª Maria Caetana de Menezes, nascida em 15-08-1653.
O herdeiro dos seus bens, 3º Conde da Ponte, Alcaidaria-Mor de Terena e outros, foi o filho, D. António José de Melo e Torres, nascido em 13-06-1686, casou duas vezes, primeiro em 1703, com Dª Ana Maria Coutinho, nascida em 1675, não tiveram filhos, depois em 28-02-1745, com Dª Ana Joaquina de Lencastre, nascida em 24-07-1721, também, não tiveram descendência.
Como podemos verificar no documento seguinte, por Alvará de 09-08-1753, de D. José I, foi concedida a Alcaidaria-Mor de Terena, por mais treze anos, a D. António José de Melo e Torres, mas faleceu em 09-02-1754, sem deixar descendência. Assim, a sucessão da Casa, ou seja, o Condado da Ponte, Marquesado de Sande e outros, recaiu na descendência de sua tia Dª Madalena Cazemira de Mendonça de Mello e Torres, nascida em 1650, filha do 1º Conde da Ponte e Alcaide-Mor de Terena, D. Francisco de Melo Torres, era casada com D. Luís de Saldanha da Gama, os bens foram herdados pelo seu neto D. Luís de Saldanha da Gama Melo e Torres, nascido em 09 de Dezembro de 1704, casado com Dª Ana Joaquina de Menezes.
Quanto à Alcaidaria-Mor de Terena, não se encontrou nenhum registo de doação entre 1754 e 1813, pressupondo-se que ficou na posse da Coroa, neste espaço de tempo.

António José de Melo e Torres
Nível de descrição
Documento simples Documento simples
Código de referência PT/TT/RGM/D/0004/102794
Tipo de título
Formal
Datas de produção 1753-08-09 A data é incertaa 1753-08-09 A data é incerta
Âmbito e conteúdo
Alvará. Alcaidaria Mor de Terena por mais treze anos.
Cota atual
Registo Geral de Mercês de D. José I, liv. 4, f. 463

A herdeira de todos os títulos, 7ª Marquesa de Angeja, Condessa de Vila Verde e, recebeu a  Alcaidaria-Mor de Terena, pelos bons serviços prestados pelo seu pai, foi Dª Maria do Carmo de Noronha Camões e Albuquerque, nascida em 13 de Agosto de 1813, filha de D. João de Noronha Camões de Albuquerque e Sousa Moniz, nascido em 20-04-1788 e de sua segunda esposa Dª Juliana José Assis da Câmara, nascida em 07-03-1792. Dª Maria do Carmo de Noronha Camões e Albuquerque, faleceu em 1833, apenas com 20 anos e solteira, não deixando descendência direta, os vínculos passaram para a Marquesa de Chaves Dª Francisca de Noronha.
Em 28 de Setembro de 1835, Dª Maria II, criou o Condado de Terena, sendo D. Sebastião Correia de Sá o primeiro Conde e o primeiro Marquês de Terena.
Os seguintes foram: Dª Maria Emília Jácome Correia de Sá, D. Luís Brandão de Melo Cogominho Pereira de Lacerda, Dª Eugénia Maria Brandão de Melo Cogominho e Dª Maria da Piedade Teles da Silva Caminha e Menezes.
Em 06 de Novembro de 1836, foram extintos os Concelhos de Ferreira e de Terena, passando o Concelho para o Alandroal.

O Novo Foral de Terena:

D. Manuel I, no ano de 1514, concedeu um novo Foral à Vila de Terena e seu termo.
No Foral de Terena do anno de 1514 pela reforma do antigo, que lhe foi dado por D. Gil Martins, se mandou observar o Foral de Évora, e, por evitar contendas, que tinha havido entre o dito Senhorio e os Moradores, antes de pertencer á Coroa, forão inovadas muitas cousas; tem Reguengos , Mata , Moinhos, Moendas, Fornos, Poias, Montado, Maninhos , Açougagem , direito de Tabeliães, e o quarto dos Dízimos. Veja o Livro dos Forais de entre Tejo, e Odiana fol. 83; e o Foral antigo nos Livros de Leitura nova fol. 146 no Archivo Real.

PLANO DE REFORMA DE FORAES, E DIREITOS BANNAES
À VILA DE TERENA CONFIRMAÇÃO DO PRIVILÉGIO PARA FAZER UMA FEIRA.

NÍVEL DE DESCRIÇÃO Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA PT/TT/CHR/K/44/72-391
TIPO DE TÍTULO Formal
DATAS DE PRODUÇÃO 1496-11-16 A data é certa a 1496-11-16 A data é certa
DIMENSÃO E SUPORTE 48 linhas.
EXTENSÕES 48 Livros
ÂMBITO E CONTEÚDO
Apresenta incluso uma carta de D. João II que refere uma carta de D. Dinis, confirmando o privilégio a Terena, feita em Torres Novas por João Dias, a 7 de Abril de 1483. Álvaro Lopes, secretário d'el-rei a fez escrever. Apresenta também incluso um alvará de D. João I, bisavô d'el-rei, feito em Terena a 1 de Junho de 1421, confirmando uma carta dada por D. Dinis privilegiando quem fosse à feira no lugar de Terena de ser escusado do pagamento de portagens. Apresenta inclusa uma carta de D. Dinis feita em Santarém a 23 de Maio de 1323 mandando fazer uma feira anual com a duração de 15 dias. Vicente Pires a fez.

Da Vila de Terena e seu Termo

No Arcebispado de Évora, sete legoas ao Nascente desta Cidade, & duas ao Poente da Villa do Redondo, em lugar alto está fundada a Villa de Terena, cujo primeiro sítio foy entre o ribeiro de Alcayde, & a ribeira Lucefeci, a qual tem seu nascimento em a serra d' Ossa, e correndo junto desta Villa pela parte do Norte por uma fecunda varzea, se chama a ribeira de Terena, cujas aguas entram no rio Guadiana, que divide o termo da Villa do Landroal dos de Alconchel, & Chelles no Reino de Castella.
Mandou povoar esta Villa, & lhe deo foral pelos annos de 1262, D. Gil Martins, pay do Conde D. Martim Gil, & sua mulher D. Maria João, que deviam povoar a Villa de Viana, & por isso forão do seu senhorio, & as teve o Conde seu filho, até que por morte delle vagarão para a Coroa. El-Rey D. Manuel lhe deo foral em Lisboa aos 10 de Outubro de 1514. He cercada de muros com seu Castello, de que eh Alcayde mór o Conde da Ponte: tem 250 vizinhos com uma Igreja Parroquial de invocação a S. Pedro com hum Prior, & dous Beneficiados, que apresenta a Coroa real, & hum Vigario da Vara.
Tem mais a Igreja da Misericordia com seu Hospital, huma Ermida de S. Antonio no Rocio, & outra de s. Sebastião, & na descida da Villa em sitio baixo huma Igreja de N. Senhora da Boa Nova, que fundou a Rainha D. Maria, mulher del Rey D. Affonso segundo de Castella, filha del Rey D. Affonso o Quarto de Portugal. He esta Igreja muito forte, & em forma de Castello, toda cercada de ameyas de pedraria, & pela parte de dentro representa huma perfeita cruz: tem seu Capelão da Ordem de Aviz com obrigaçando do meyo annal de Missas na Igreja Matriz, & conserva ainda a pia de bautizar, por ser antigamente a primeira Freguesia desta Villa, a qual se foy despovoando, por estar em lugar baixo, & pouco sadio, & se mudou para o sitio, em que hoje está.
He esta Villa abundante de pão, gado & caça: o seu termo tem seis legoas de Norte ao Sul, & duas de largo de Nascente ao Poente, com duas Freguesias, Curados, a primeira eh de Sãto António, tem 60 vizinhos, & duas Ermidas, huma de N. Senhora das Neves na Villa de Ferreira, que dista de Terena huma legoa para a parte do Sul, & outra de S. Clara. (Esta Ermida devia pertencer à Freguesia de S. Pedro e não Santo António). 
A segunda Freguesia he dedicada a Santiago, tem 100 vizinhos, & duas Ermidas, S. Amaro, & S. Francisco na Rindeira.

Tem esta Villa treze defezas, que se repartem por sortes aos moradores, de que pagam cada hum meyo tostão ao Concelho, assistido à data das sortes o Corregedor da Comarca: & as defezas da boleta, que ah nestas nomeadas, se dão em malhadas aos moradores da Villa, & seu termo para as suas porcadas, de que paga cada hum de cada malhada o que eh necessário para os gastos do Concelho.

Termina-se o termo desta Villa com a carreira de Machos, & a ribeira Lucefeci abaixo até se meter no rio Guadiana abaixo até o moinho do Gato, & dahí sahe o Azebel acima até a Atalaya do Ramo alto a dar ao Curral de Saro, & dahí parte com a defeza de Pedra Alçada, que eh do termo de Monçaras, & vem dar a Santo Aleixo, aguas vertentes para o Norte, até chegar ao pé da Serra d'Ossa, que eh do termo da Villa do Redondo.

Tem dous Juizes ordinarios, tres Vereadores, hum Procurador do Concelho, Escrivão da Camara, Juiz dos Orfãos com seu Escrivão, hum Tabellião do Judicial, & Notas, hum Alcaide, & huma companhia da ordenança, & outra no termo.

Extrato da:
Corografia Portuguesa e Descripçam Topografica Do Famoso Reyno de Portugal, Tomo Segundo, offerecido ao Sereníssimo Rey D. João V Nosso Senhor - Author:
O P. António Carvalho da Costa - Clérigo do habito de S. Pedro, Mathematico,
natural de Lisboa, - páginas 536 & 537
Ano de MDCCVIII

(1708)
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A Ordem de Avis recebia as rendas das Igrejas de Terena:

CARTA DE MERCÊ DE D. PEDRO, REI DE ARAGÃO, CONDE DE BARCELONA E GOVERNADOR DA ORDEM DE AVIS, A DIOGO VELHO, CAVALEIRO DA MESMA ORDEM, DANDO-LHE A COMENDA DE AVEIRO E AS RENDAS DE SANTA MARIA DE TERENA



NÍVEL DE DESCRIÇÃO

Documento simples Documento simples

CÓDIGO DE REFERÊNCIA PT/TT/OACSB/001/0010/00881

TIPO DE TÍTULO Formal

DATAS DE PRODUÇÃO 1464-05-10 A data é certa a A data é certa

DATAS DESCRITIVAS Barcelona
DIMENSÃO E SUPORTE 1 doc.; perg.
ÂMBITO E CONTEÚDO
Com vestígios de selo de chapa.
COTA ATUAL Ordem de Avis e Convento de São Bento de Avis, mç. 10, n.º 881
COTA ANTIGA n.º 18; n.º 15
IDIOMA E ESCRITA Português


TERENA

(arcebispado de evora)

Ant.' Vila de Terena na ant.* com. d'Etvas.

Está situada a  Vila a °- da m - d- do rio Lucefece, mas em logar alto (226"), 2* ao N. da m. e. da ribeira do Alcaide, duas léguas a O. da m d. do Guadiana. Tem estrada para Monsaraz, para Elvas, para Reguengos, e para o Alandroal.
Dista do Alandroal doas léguas para o S.

Tem uma só Freguesia da invocação de S. Pedro, priorado que era do padroado real.

Compreende esta Freguesia, além da Vila , o Lugar das Hortinhas e os montes (casaes), e hortas seguintes: Casas de D. João, Boa Nova, Boieira, Monte Novo de Bacellos, Bacellos, S.Clara, Monte dos Canhões, Cabeça de Mourão, Alcaidinho, Garcõa, Monte Novo da Garcôa, Monte do Inverno, Vicentes. Vai de Clara, Monte do Outeiro de Cima, Monte do Outeiro de Baixo, Horta do Rozado, Vai do Farrusco, Hortado Rodízio, Monte Novo das Hortinhas, Monte de Lucas,

Arrife de Baixo, Monte da Cumeada, Silveirinha, Defezinha, Monvizo, Monte Novo, Monte da Machada Alta, Monte das Courellas, Malhada Alta, Monte das Janellas.

A maior parte são herdades: a de Boieira pertence á sereníssima casa de Bragança.

Em 1708 havia na egreja parochial alem do prior, um vigário da vara e dois beneficiados.

Tinha em 1708 e ainda existem as ermidas de S. António no Rocio e a de S. Sebastião que está em ruinas; e na descida da Vila, em sitio baixo na distancia de 1 legoa, uma egreja de Nossa Senhora da Boa Nova, fundada segundo diz Carvalho pela rainha D. Maria, mulher de D. Affonso de Castella e filha de D. Affonso iv de Portugal, a qual egreja tinha um capellão da ordem de Aviz.

Foi esta egreja a primeira parochia da antiga povoação, a qual em razão de ser o sitio baixo e menos sadio, se foi pouco a pouco despovoando, passando os habitantes para o alto, formando a nova povoação de Terena. Ainda se conserva a antiga pia baptismal.

Ficava esta primitiva povoação, e fica ainda a dita egreja, entre a ribeira do Alcaide e o Lucefece (ou ribeira de Terena).

«Não pode deixar de notar-se (diz Almeida no D. C.) uma espécie de contradicção a respeito da fundação d'esta egreja, segundo Carvalho, pois sendo a primeira da povoação, e esta fundação do anuo 1262, como em seguida diremos, mal se pode considerar fundadora do templo da filha de D. Affonso iv. É crivel pois que a sua origem seja anterior.»

Esta é a opinião de Almeida; mas quem nos assegura que o templo edificado pela rainha D. Maria fosse a mesma primitiva egreja parochial e não uma nova construcção sobre as suas ruínas? Difficil coisa é discutir opiniões sobre estas obscuridades históricas.

Assemelha-se a egreja de Nossa Senhora da Boa Nova a 'um minni castello; com toda de cantaria e guarnecida de ameias. O interior é em forma de cruz. Tem 3 portas, uma na frente e ditas lateraes. Nas paredes ha ricas pinturas.

Tem esta Vila 1 casa de misericórdia e hospital.

Teve muralhas que estão hoje em ruínas, mas ainda tem castello.

É abundante de trigo, centeio, azeite, gado, excellentes montados, e caça miúda.

Não tem fontes e os habitantes bebem agua de 3 poços que chamam da Coutada, dos Coutos e de Beja.

Tem esta Vila" um celleiro commum -para supprimento dos lavradores que recebem o que necessitam para suas sementeiras em annos de escassez, e pagam depois também em género com um juro módico. Ha poucos annos tinha já este celleiro acima de 20 mil moios.

Também ha uma coutada commum que costumam sortear e dividir pelos habitantes em coureilas, para as semearem por sua conta e sem juro algum.

Tem feiras annuaes no domingo de paschoela e no 1º domingo de setembro.

Segundo Carvalho c Terena fundação de D. Gil Martins pelos annos de 1262, o qual lhe deu foral, e ficando em seu domínio passou depois a seu lilho o conde D. Martim Gil,
por morte d'este reverteu para a coroa.

Deu-lhe foral el-rei D. Manuel em 1514.

Era alcaide mor do seu castello, em 1708, o conde da Ponte.

«Entre Évora e Villa Viçosa (diz o dr. Húboer) nas visinhanças de Terena e de Nossa Senhora da Boa Nova devia ter havido algum sanctuario e alguma antiga cidade, pois que ali se tem encontrado muitas dedicações ao deus Endovelico.

«Scaligero recebeu communicação de 12 inscripções encontradas n'este sitio: Rezende menciona 13, e D. António Caetano de Sousa na sua Historia Genealógica, da Casa Real Portuguesa transcreve 8, das que o Duque de Bragança D. Theodosio mandou collocar na parede do convento de Santo Agostinho de Villa Viçosa. i  D. C. faz menção n'esta V." do dito templo do Deus Endavelico, edificado sobre o monte de S. Miguel da Malta, onde hoje se vè a ermida de S. Miguel; e diz, seguindo Carv. e outros auctores, que foi mandado construir por Maharbal capitão carthaginez, em cumprimento de um voto que fez achando-se gravemente enfermo em Elvas ou em
suas proximidades: como consta de varias inscripções em que o nome do mesmo deus Endovelico (que os lusitanos chamavam Cupido) se acha gravado, inscripções que mandou transportar para V.* Viçosa e collocar na parede do convento de S. Agostinho o duque de Bragança D. Theodosio.

Era uma d'ellas a seguinte que apresentamos tal qual vem no D. G. M., no relatório do prior do Alandroal.

C. Juno Novato cumprhio o voto feito ao deus Endovelico PELA SAUDE DA SUA VlVENIA VENUSTA MANtLIA.

O D. C. traz Viviana em logar de Vivenia (na inscripçao latina é Vivmiae) e acrescenta a palavra dama, que n5o vem na latina.

Afíiaiiça-nos o sr. Francisco de Borja de Sousa e Silva, digníssimo empregado da casa do es." par do reino o sr. Carlos Eugénio de Almeida, que por muito tempo residiu na V. 1 de Terena, que ainda ali viu uma lapida em que se liam as palavras Endovelico sacro.

(Chorographia Moderna do Reino de Portugal – 1870)



[1] História Genealógica Da Casa Real Portugueza, Desde A Sua Origem Até O Presente


Terena
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