sexta-feira, 31 de outubro de 2014



14 - História de Capelins 


Conforme os registos no IGESPAR, existem vestígios de povoadores na atual Freguesia de Capelins, não só junto ao rio Guadiana, Ribeiras de Lucefécit e Azevel, mas também, junto à Igreja de Santo António, na Cabeça de Sina, da época do Neo-Calcolítico, ou seja entre  o Neolítico e a Idade do Bronze (aproximadamente 3.300 a  1.200 a.C.), o que significa que este lugar já era povoado há cerca de 5.000 anos e continuou a ser na Idade Média e Moderna (Capelins 2)!

Documentos do IGESPAR/DGPC

Capelins 1
CNS:12389
Tipo:Habitat
Distrito/Concelho/Freguesia:Évora/Alandroal/Capelins (Santo António)
Período:Neo-Calcolítico
Descrição:Habitat pré-histórico em terreno plano e aberto onde foram identificados à superfície percutores de quartzo, seixos e lascas de quartzito.
Meio:Terrestre
Acesso:A 100 m do Capelins pelo caminho que conduz a Aldeia de Ferreira.
Espólio:Seixos afeiçoados de quartzito, percutores, escassos fragmentos de cerâmica manual e elementos de mós manuais.
Depositários:UNIARQ - Unidade de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Classificação:-
Conservação:-
Processos:7.16.3/14-10(1)





Neste caso, Idade Medieval - Moderna, talvez finais do centénio de 1400


Capelins 2
CNS:21044
Tipo:Habitat
Distrito/Concelho/Freguesia:Évora/Alandroal/Capelins (Santo António)
Período:Idade Média e Moderno
Descrição:Habitat medieval-moderno onde foi detectada à superfície cerâmica de construção e comum, de roda, com características medievais.
Meio:Terrestre
Acesso:-
Espólio:Cerâmica de construção e comum, de roda, com características medievais.
Depositários:-
Classificação:-
Conservação:-
Processos:7.16.3/14-10(1)

Igreja de Santo António de Capelins






13 - História de Capelins

Vila Defesa de Ferreira - 1314

O documento infra, faz parte da história de Capelins, refere-se à Vila Defesa de Ferreira de 1314 e foi produzido em 31 de Outubro de 1497, o qual confirma os privilégios concedidos pelo Rei aos moradores no Lugar de Ferreira, que se situava na Vila Defesa de Ferreira, de não servirem na guerra por mar ou por terra de não serem besteiros, de não pagarem peitas, fintas e talhas, de não serem presos para serem levados para outros lugares. Eram privilégios tentadores à fixação de pessoas nesta região, mas em troca destes privilégios tinham que defender militarmente este espaço geográfico. Como já referimos noutras publicações, os lavradores eram na maioria militares, ex-militares e, ordenanças, os quais, arrendavam terras para cultivar na Vila Defesa de Ferreira, mas quase todos, residiam na Vila de Terena. 
Com base neste documento podemos confirmar que no caso de um criminoso aqui se acolher, o mesmo não era preso para ser levado para outro lugar, também por isso, era Vila Defesa.


AO LUGAR DE FERREIRA, CONFIRMAÇÃO DOS PRIVILÉGIOS DOS SEUS MORADORES NÃO SERVIREM NA GUERRA POR MAR OU POR TERRA; DE NÃO SEREM BESTEIROS; DE NÃO PAGAREM PEITAS, FINTAS E TALHAS; DE NÃO SEREM PRESOS PARA SEREM LEVADOS PARA OUTROS LUGARES.

NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA PT/TT/CHR/K/28/94-433
TIPO DE TÍTULO Formal
DATAS DE PRODUÇÃO 1497-10-31 A data é certa a 1497-10-31 A data é certa
DIMENSÃO E SUPORTE 60 linhas.
EXTENSÕES 60 Livros
ÂMBITO E CONTEÚDO
Enumeram-se outros privilégios.  Apresenta inclusa carta de D. João II, feita por João de Ferreira em Lisboa a 9 de Novembro de 1486. Apresenta inclusa na anterior carta de D. Afonso V, feita por autoridade do infante D. Pedro, tutor e curador del-rei, regedor e defensor do Reino, em Évora a 17 de Março de 1444. Pero de Lisboa a fez. Apresenta inclusa na anterior carta de D. Duarte, feita por Lopo Afonso em Santarém a 17 de Novembro de 1433. João Pais a fez.





Em conformidade com este documento, outros privilégios foram concedidos aos moradores da Vila Defesa de Ferreira, mas, apesar desses privilégios, foi sempre muito difícil fixar aqui povoadores. Este modelo, foi implementado por D. Dinis no momento da fundação da referida Vila em 1314, como alternativa aos Coutos de homiziados. No entanto, parece que não obteve o sucesso esperado, continuando nos anos seguintes, a fundação de coutos de homiziados por todo o reino.

Ermida de Nossa Senhora das Neves em Capelins













quinta-feira, 30 de outubro de 2014

12 - História de Capelins

As minas de ferro, magnésio e outros metais, na Defesa de  Ferreira

Conforme podemos verificar no presente documento, cerca de 1900 anos depois da exploração das minas de Ferreira pelos romanos, em 25 de Agosto de 1910, foi registada na Câmara de Alandroal pelos descobridores António Fernandes Palma e António da Luz, a concessão da exploração da mina de ferro e outros metais na Defesa de Ferreira.


Repartição de Minas
______
Éditos
Havendo António Fernandes Palma e António da Luz, requerido o diploma de descobridores legaes da mina de ferro e outros metaes, da Defesa de Ferreira, situada na freguesia de Santo António de Capellins, concelho de Alandroal, districto de Évora, registada por António Fernandes Palma, na Camara Municipal do mesmo concelho em 25 de agosto de 1910, convidam-se, nos termos do artigo 24º do decreto com força de lei de 30 de setembro de 1892, todas as pessoas, a quem a referida concessão possa prejudicar, a apresentar as suas reclamações no Ministerio do Fomento, dentro do prefixo prazo de sessenta dias, contados da publicação d’este edito no Diario do Governo.
    Repartição de Minas, em 24 de agosto de 1911. --- O Engenheiro Chefe da 1ª Secção, servindo de Chefe da Repartição, E. Valerio Villaça.


(Diario do Governo Nº 198 – 25 DE AGOSTO DE 1911 – PÁG. 3612).


Mina Romana de Ferro na Defesa de Ferreira - Capelins






quarta-feira, 29 de outubro de 2014

11 - História de Capelins
A Vila Medieval de Ferreira (hoje Freguesia de Capelins), na posse da Infanta Dª Beatriz de Castro, (neste documento, Brites) filha de D. Pedro I e de Dª Inês de Castro entre 1373 e 1378, sendo-lhe retirada pelo seu meio irmão o rei D. Fernando em 1378, por ter atentado para a sua morte.
Conforme consta no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Chancelaria de D. Fernando, I, II, folha 36 v


Infanta Beatriz de Portugal



Infanta Beatriz de Portugal (ca. 1347 — 5 de Julho de 1381) era filha do Rei Pedro I de Portugal e de Inês de Castrodama galega que chegou a Portugal como aia de Constança Manuel, recentemente casada com D. Pedro, príncipe herdeiro da coroa na altura.
Beatriz nasceu em Coimbra entre 1347 e 1351, não se sabendo ao certo o seu ano de nascimento. Tornou-se Condessa de Alburquerque ao casar-se com Sancho de Castela, filho do rei Afonso XI de Castela e sua amante Leonor de Gusmão. Faleceu em 1381.
Quanto à questão de Beatriz ter sido uma legítima Infanta de Portugal ou, tão-só, uma filha natural de Pedro I a quem o título de Infanta nunca deveria ter sido atribuído, a verdade é que após a morte de Inês de Castro, e de haver subido ao trono, D. Pedro I tudo fez para legitimar os filhos de ambos. E de tal maneira o conseguiu que, já sendo falecida Beatriz, João das Regras, nas Cortes de Coimbra de 1385, depois de ter demonstrado com documentos na mão que o Papa Inocêncio VI se recusara a legitimá-la e aos seus dois irmãos, disse o seguinte: Ora vedes aqui, sem mais acrescentar ou minguar, toda a história, como se passou, do casamento de dona Inês e legitimação de seus filhos, a qual eu quisera escusar por honra dos Infantes, posto que sejamos em tal passo; e entendo que isso fora melhor do que me fazerem publicar de praça e semear para sempre a sua incestuosa nascença. Ou seja, João das Regras, mesmo após lamentar ter sido obrigado a exibir as provas deles serem ilegítimos, continua, apesar disso, a chamar-lhes Infantes.1 Melhor prova do que esta de que ela e os seus irmãos eram realmente reconhecidos como Infantes não podia haver.

in Wikipédia

Infanta Dª Beatriz de Castro



domingo, 26 de outubro de 2014

10 - História de Capelins
A vila Medieval de Ferreira, vista através dos olhos da Real Academia de la Historia de Espanha


O espião espanhol, José Andrés Cornide de Folgueira y Saavedra, que andou por Portugal entre 1754 e 1801, a verificar os melhores lugares para a entrada de uma invasão espanhola em Portugal, descreve a Vila de Ferreira, como pertencendo à Paróquia de Santo António de Capelins, com apenas uma Capela dedicada a Nossa Senhora das Neves. De facto, nessa época, a Igreja de Santo António e, a sede da Paróquia, situavam-se fora do espaço geográfico da Vila de Ferreira, era na Cabeça de Sina, termo (Concelho) de Terena.
Como sabemos, a Vila Medieval de Ferreira, correspondia ao espaço geográfico a sul das herdades da Boieira, Nabais e Sina, até ao rio Guadiana, tendo por limites laterais as Ribeiras do Lucefécit e do Azevel subindo desse lado, por onde é atualmente a Freguesia de Capelins até ao extremo da herdade de Nabais, ficando esta herdade, assim como a da Sina, fora da Vila de Ferreira, pertencentes ao Concelho de Terena, mas na Paróquia de Capellins.
A sede da Vila de Ferreira, Concelho, sem foral, começou por ser junto à então Igreja Matriz de Santa Maria (Neves), onde residia o Alcaide, Juiz, Procurador, Escivão e outros administradores, até 1674. Depois, passou para o Monte Real, já com o senhorio na posse do Infante Francisco, neto de D. João IV (1674/1698) e, logo a seguir (1698) da Casa do Infantado. 

Em 1799/1800, conforme afirma José Cornide, ainda existiam 32 casas no local onde, entre 1314 e 1674, foi a sede da Vila Medieval de Ferreira, que se situava desde o alto do atual olival do Monte de Ferreira, até este Monte, conforme vestígios arqueológicos registados no IGESPAR, que condizem com o lugar referido na informação de José Cornide, ou seja, que ficava junto à Capela de Nossa Senhora das Neves a uma légua a sul da anterior Vila Romana de Ferreira.

Monte de Ferreira 2
CNS:21046
Tipo:Habitat
Distrito/Concelho/Freguesia:Évora/Alandroal/Capelins (Santo António)
Período:Idade Média e Moderno
Descrição:Habitat de época medieval-moderna onde foi identificada à superfície, na parte alta do olival e até junto do monte, cerâmica de construção e comum de tipo medieval. Uma lagareta de xisto e uma mó.
Meio:Terrestre
Acesso:Pelo camino que conduz a Capela de Nossa Senhora das Neves.
Espólio:Cerâmica de construção e comum de tipo medieval. Uma lagareta de xisto e uma mó.
Depositários:-
Classificação:-
Conservação:-
Processos:7.16.3/14-10(1)
Trabalhos (1)
Bibliografia (0)


    Ermida de Nossa Senhora das Neves em Capelins











    sábado, 25 de outubro de 2014


    9 - História de Capelins

     A Conquista destas terras aos Mouros, por Geraldo Sem Pavor e seu desenvolvimento até D. Dinis

    Alandroal, Elvas, Juromenha, Monsaraz e outras localidades na área do Alto Guadiana, foram conquistadas aos muçulmanos, por D. Afonso Henriques e Geraldo Sem Pavor, em 1167, depois, reocupadas por Almançor, o califa de Córdoba, ficando definitivamente no domínio português em 1228/1229, já no reinado de D. Sancho II. Por analogia, com as terras vizinhas, podemos atribuir a reconquista das terras de Capelins, dentro dessas datas.
     Conforme consta em diversos documentos históricos, foi o rei D. Sancho II que, entre 1223/1245, iniciou a cristianização, de toda esta região do alto Guadiana, deve-se a este rei, o afastamento definitivo dos muçulmanos, confirmando a posse destas terras para Portugal, porém, o seu povoamento, começa no reinado de D. Afonso III, com a Família Ribas de Vizela. Esta família, oriunda de Guimarães, fazia parte da corte de D. Sancho II e, depois de D. Afonso III, tiveram como marca familiar a lealdade e, a afeição à pessoa do rei, sendo D. Gil Martins nomeado Mordomo-Mor da Cúria e, quando o rei procedeu à distribuição das terras conquistadas, fez a doação de Terena e de Viana a D. Gil Martins Ribas de Vizela e, a sua esposa Dª. Maria Eanes, os quais, em Fevereiro de 1262, concederam o primeiro Foral à Vila de Terena e seu termo, (Concelho), incluindo as terras de Ferreira, ou seja, quase todo o espaço geográfico ocupado atualmente pelo Concelho de Alandroal. Ainda, em 13 de Dezembro de 1261, D. Gil Martins, apenas em 10 meses, chegou a entendimento com o Cabido da Sé de Évora e com o Bispo D. Martinho, sobre a construção de Igrejas em Terena e no seu termo. 
    Em 1264, D. Gil Martins exilou-se em Castela, na corte de Afonso X, o rei sábio, devido a agravos com o rei D. Afonso III, onde permaneceu até à sua morte em finais de 1274.
    Em 1275, o seu filho D. Martim Gil, que esteve sempre junto de seu pai, em Castela, voltou para Portugal, à corte de D. Afonso III, herdando os bens de seu pai, entre os quais, a Vila de Terena e seu termo (Concelho), que incluía as terras de Ferreira.  Em 1276, foi-lhe concedida a tenência de Elvas, ficando, assim, mais próximo destes seus domínios, que começou a frequentar, mostrando mais interesse na sua administração e desenvolvimento da região.
    Em 1280, já no reinado de D. Dinis, D. Martim Gil, abandonou a tenência de Elvas e voltou novamente para Castela, onde permaneceu até 1284, quando faleceu o rei Afonso X. Nesta data, voltou a Portugal, à corte de D. Dinis, que, fez dele seu Alferes-Mor, cargo que manteve até 1295, quando a seu pedido foi substituído por seu filho, também com o mesmo nome, D. Martim Gil, e faleceu ainda nesse ano.
    D. Martim Gil sucedeu a seu pai no lugar de Alferes-Mor do reino e no senhorio de Terena e Ferreira. Foi forte apoiante de D. Dinis, mas, devido a um litígio com o seu cunhado em 1312, e, devido à pronúncia do tribunal, sentiu-se ofendido e exilou-se em Castela, onde faleceu em Dezembro desse ano, não deixando descendentes masculinos, extinguindo-se com ele esta linhagem. Também com ele, se extinguiu o senhorio de Terena, voltando a Vila e as terras de Ferreira à Coroa.
    Em 1314, D. Dinis, doou a Vila de Terena e seu Concelho, ao seu filho, o infante D. Afonso, (Futuro Rei D. Afonso IV), através da Carta de Doação que se encontra no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, na Cota Atual: Chancelaria de D. Dinis livro 3 folha 88 v, conforme a seguir se transcreve:

    CARTA DE DOAÇÃO DE VIANA E TERENA, CONCEDIDA POR D. DINIS A D. AFONSO, InFANTE DE PORTUGAL

    NÍVEL DE DESCRIÇÃO
    Documento simples Documento simples
    CÓDIGO DE REFERÊNCIA PT/TT/CHR/C/001/0003/08801
    TIPO DE TÍTULO  Formal
    DATAS DE PRODUÇÃO 1279-02-16 A data é certa a 1325-01-07 A data é certa
    DIMENSÃO E SUPORTE 1 doc.; perg.
    HISTÓRIA CUSTODIAL E ARQUIVÍSTICA
    Documento descrito no índice Portugal, Torre do Tombo, Chancelaria de D. Dinis: Índice dos próprios, L 25, f. 4 (PT/TT/ID/1/25).
    Este Instrumento de Descrição Documental, não datado, foi substituído pelo catálogo em linha, em 2010.
    COTA ATUAL Chancelaria de D. Dinis, liv. 3, f. 88v.




    Ermida de Nossa senhora das Neves em Capelins





    8 - História de Capelins 

    7 - Terras de Capelins 
    História de Capelins
    Extrato de um documento muito interessante, que faz parte da história de Capelins, escrito em 1758, pelo Pároco Manuel Ramalho Madeira, da Paróquia de Santo António de Capellins, que tão bem ilustra o meio físico, social e geográfico em que a Paróquia estava inserida na idade moderna.
    Pode consultar neste endereço na Torre do Tombo o documento original:

    http://digitarq.dgarq.gov.pt/details?id=4238991

    ANTÓNIO (SANTO), TERENA

    NÍVEL DE DESCRIÇÃO
    Documento simples Documento simples
    CÓDIGO DE REFERÊNCIA
    PT/TT/MPRQ/4/29
    TIPO DE TÍTULO
    Formal
    DATAS DE PRODUÇÃO
    1758 A data é certa a 1758 A data é certa
    DIMENSÃO E SUPORTE
    6 p.
    COTA ATUAL
    Memórias paroquiais, vol. 4, nº 29, p. 157 a 162
    Informação não tratada arquivisticamente.

    Texto integral de, Memórias Paroquiais de Santo António de Capelins, pelo Padre Manuel Madeira, em 1758.

    Memórias paroquiais, vol. 4, n.º 29, P e. 157 a 162 N.º29 S. Antº de Terena - termo de Terena 157] Certifico eu o Pároco Manuel Ramalho Madeira Cura nesta Parochia e Igreja de Stº António Termo da vila de Terena, que he verdade que eu fiz as deligencias nesseçarias a as averiguaçoins devidas a respeito dos Interrogatorios da ordem e feitas estas não achei que, dizer mais que o seguinte. No primeiro interrogatório digo que esta Freguezia está na provincia do Alentejo no Arcebispado de Évora na comarca da cidade de Elvas e Termo da vila de Terena chamada esta Freguezia de Stº Antº de Terena. Ao segundo respondo que he de El-rei meo Senhor. Ao terceiro digo que esta Freguezia tem ouitenta e seis vizinhos duzentas e outenta pessoas Mayores sincoenta e sete menores. Ao quarto interrogatório digo que está situada em sitio nem muito alto nem muito baixo, em lugar plano dela se descobrem algumas povoaçoins que são as seguintes a primeira he a vila de Terena esta dista huma legoa, também se descobrea villa de Extremoz dista esttas sinco legoas também se avista a vila de Alandroal e esta dista duas legoas também se descobre a vila de Olivença dista estas sinco legoas descobreçe também a villa de Monçaraz dista esta duas legoas, também se descobre a villa de Mourão a qual dista desta Freguezia quatro legoas, no ssimo delas todas se descobrem também duas terras que vem a ser Cheles e esta dista legoa e meia e outra chamada Alcunchel esta dista quatro legoas não há mais que dizer. No quinto Interrogatorio digo que esta Freguezia parte esta no termo de Terena e na outra parte na Villa de Ferreira de sorte que esta villa de Ferreira he uma defeza que se olha nesta Freguezia a qual.
    A qual he villa e tem Termo, tem juiz leigo Lavradores, Escrivão, Alcaide, Procurador e tudo o mais pertencentes às justiças, esta justiça e feita todos os anos pelo Corregedor da cidade de Elvas he esta villa do Serenissimo senhor Infante, tem duas Aldeias chamadas Capelins de Cima e Capelins de Baxo Consta huma de oito vizinhos e outra de seis a vila não tem mais dos moradores, nesta villa não entra outra qualquer justiça a governar a cada nada mais. Ao sexto interrogatório digo que esta Freguezia esta fora do lugar e tem quatro Aldeias chamadas huma Capelins de Sima outra capelins de Baxo outra Aldeia de (Navais) outra Aldeia de (Faleiros) nada mais. Ao sétimo respondo que o seo Orago he Stº Antonio. Tem tres Altares hum he o altar Mor em que esta o orago Santo Antonio são Bartolomeu São Francisco São Gregório, o segundo he dos [ ] São Miguel, São Miguel São Bento o Terceiro eh da Senhora do Rosario, São [ ] Nossa Senhora de Belém, não tem naves he formada de madeyra tem seis lrmandades primeira he de St Antonio, Nossa Senhora do Rosario, Nossa Senhora das Neves, Irmandade das Almas, Irmandade do Senhor Jesus e Irmandade de São Bento nada mais. Ao outavo respondo que o Parocho he Cura e a representação he do Reverendissimo Exº Senhor Arcebispo de Evora, tem quatro moios de renda três de trigo, e hum de sevada. Ao nono interrogatório digo nada. Ao decimo interrogatório nada. Ao interrogatório decimo primeiro nada. Ao decimo segundo nada. Ao decimo terceiro digo que na vila de Ferreira está huma
    Está huma Irmida da Nossa Senhora das Neves e está fora do lugar e nada mais. Ao decimo quarto interrogatório nada; Ao decimo quinto digo que os frutos da terra são trigo, sevada e senteio; Ao decimo sexto digo que tem juis da vintena sujeito ao juiso da villa de Terena e nada mais; Ao decimo sétimo nada. Ao decimo ouitavo nada. Ao decimo nono nada. Ao duo decimo nada. Ao duodécimo primeiro digo que dista da cidade de Evora Capital do Arcebispado sete legoas, e de Lisboa Capital do Reino são vinte sete legoas. Ao duodécimos segundo interrogatório nada há que dizer. Ao duodécimo terceiro nada. Ao duodécimo quarto nada. Ao duodécimo quinto nada. Ao duodécimo sesto nada. Ao duodécimo sétimo nada. E assim nesta primeira parte não tenho mais que dizer que o referido.
    Serra
    Na segunda parte da ordem se ma procura saber da qualidade da serra, e assim nesta parte não tenho que dizer por não haver serra, contados estes treze interrogatórios nada, não há duvida que esta fraga tem em si creaçoins de bois, ovelhas, cabras e porcos, e também algumas creaçoins de lebres e coelhos como se procura no interrogatório decimo primeiro desta segunda parte asim não há mais que dizer.
    Rio
    Respondendo a terceira parte em que se procura saber do rio desta terra chamado este o rio Guadiana dizem nasce [ ] Ao segundo interrogatório digo que não nasce logo caudoso porem ao depois se faz juntas as correntes das lagoas sempre corre mas alguns anos secos se paça a pe enxuto por algumas (pontes).
    Ao terceiro Interrogatório digo que no sitio desta Freguezia emtram nella duas ribeiras pequeinas chamada huma luçafece e a outra Asavel as duas que de verão nam correm por nam terem seos moinhos de pão. Ao quarto Interrogatorio digo que o dito Rio Guadiana no sitio desta Freguesia tem huma barca que leva trinta cavalgaduras e alguma gente e assim humas são maiores e outras são menores porem tres homens a governão tem seos pegos detriminados que não são todos lugares de embarcaçoins também tem alguns barqueirhos pequenos cujos governos o hum homem levam dez, dose pessoas. Ao quinto Interrogatorio he de curso quieto todo elle exçeto no tempo das enchentes e algumas correntes que tem nos asudes em que estão fundados os Moinhos. Ao sesto Interrogatorio digo que corre do Nascente ao poente. Ao sétimo Interrogatorio tarnbém cria alguns peixes e chamam-se estes bogas bordalos sarrelos, vieiros (?), barbos estes pesão até meia arroba. Ao outavo Interrogatorio digo que em todo o anno se pescan ella. Ao nono Interrogatorio digo que as pescarias são livres. Ao decimo Interrogatorio digo que em todas as suas margens se não cultivam frutos por não serem capazes porquanto tem muita força (?) que (?) nas(?) vargas tem em que se semeia trigo, sevadas, senteio milho e alguns meloaes, em partes tem muito arvoredo de azinho e oliveiras; Ao decimo primeiro Interrogatorio não há que dizer. Ao decimo segundo Interrogatorio não há memoria que não esse outro nome.
    Ao Decimo Terceiro Interrogatorio dizem morre no mar e entra nelle em Mertola. Ao decimo quarto Interrogatorio digo que tem algumas asuelas e chachapos que lhe embaração o ser navegável. Ao decimo quinto não há que dizer. Ao decimo sesto digo que tem alguns Moinhos e pezoins. Ao decimo sétimo não há que dizer. Ao decimo outavo não há que dizer. Ao decimo nono digo que esta Freguezia tem distancia de legoa e meia e não passa por povoassão alguma. Ao duodécimo não há que dizer e he o que tenho digno de memoria e de como isto que [ ] tenho desta Freguezia que averiguar posso [ ] que asigno oje 13 de Junho de 1754.
    O Paroco Manoel Ramalho [...]”
    Légua terrestre antiga:
    De acordo com os dados informados por Iraci del Nero da Costa1 , e admitindo-se que a "polegada" em questão era equivalente a 2,75 cm, pode-se construir a seguinte relação:

    1 légua = 3000 braças = 6.000 varas = 30.000 palmos = 240.000 polegadas = 660.000 centímetros = 6.600 metros


    Neves



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