domingo, 11 de outubro de 2015

98 - História de Capelins 

Arqueologia de Capelins

Povoado de Espinhaço de Cão - em Capelins
Espinhaço de Cão 1
CNS: 16279
Tipo: Povoado
Distrito/Concelho/Freguesia: Évora/Alandroal/Capelins (Santo António)
Período: Idade do Ferro
Descrição: Sítio de habitat rural, implantado num esporão pouco pronunciado sobre o Guadiana. Estruturas habitacionais, correspondentes a várias fases de construção/reconstrução, com plantas ortogonais.
Meio: Terrestre
Acesso: A partir de Montes Juntos (Alandroal), caminho de terra batida.
Espólio: Cerâmica manual e de roda, mós, objectos de adorno, faunas e carvões.
Depositários: Manuel João do Maio Calado
Classificação: -
Conservação: Regular
Processos: S - 16279, 7.16.3/14-10(1) e 99/1(075) 

Povoado de Espinhaço de Cão em Capelins 

97 - História de Capelins

Arqueologia de Capelins

Amigo/a Capelinense, tem conhecimento da riqueza arqueológica que se encontra no Vale do Guadiana, na Freguesia de Capelins? Só na Defesa de Bobadela de Baixo, na Moinhola (Minhola) estão identificadas 118 rochas com pinturas rupestres da Pré História, mas também noutros locais, como Azenhas D' El-Rei, Moinho da Volta e outros.


Rocha 117 (Fig. 239): Painel horizontal onde se observam três fossettes (nº s 1 a 3) que após picotadas foram alvo de abrasão.



Rocha 118 (Fig. 240): Painel horizontal onde se verifica a existência de um antropo-morfo fálico de membros arqueados.

Pintura na rocha 10 da Moinhola - Capelins




domingo, 23 de agosto de 2015

96 - História de Capelins

Terras de Celtas
Conforme podemos verificar nos relatórios e registos elaborados por diversos arqueólogos que, ao serviço da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA, SA), efetuaram o Levantamento arqueológico e patrimonial do Alqueva, foram encontrados vestígios arqueológicos nos vales, do Guadiana, Lucefécit e Azevel, dentro da Freguesia de Capelins, que provam ser esta região habitada desde à cerca de 5000 anos, provavelmente, pelos Iberos, e mais tarde por outros povos que foram surgindo na Península Ibérica, entre eles, os Celtas.
Celtas é a designação dada a um conjunto de povos (um etnónimo), organizados em múltiplas tribos e pertencentes à família linguística indo-europeia que se espalhou pela maior parte do Oeste da Europa a partir do segundo milénio a.C.. A primeira referência literária aos celtas (Κελτοί) foi feita pelo historiador grego Hecateu de Mileto no século VI a.C..


Boa parte da população da Europa ocidental pertencia às etnias celtas até à eventual conquista daqueles territórios pelo Império Romano; organizavam-se em tribos, que ocupavam o território desde a Península Ibérica até à Anatólia. A maioria dos povos celtas foi conquistada, e mais tarde integrada, pelos Romanos, embora o modo de vida celta tenha, sob muitas formas e com muitas alterações resultantes da aculturação devida aos invasores e à posterior cristianização, sobrevivido em grande parte do território por eles ocupado.
Existiam diversos grupos celtas compostos de várias tribos, entre eles os bretões, os gauleses, os escotos, os eburões, os batavos, os belgas, os gálatas, os trinovantes e os caledónios. Muitos destes grupos deram origem ao nome das províncias romanas na Europa, as quais mais tarde baptizaram alguns dos estados-nações medievais e modernos da Europa.
Os celtas são considerados os introdutores da metalurgia do ferro na Europa, dando origem neste continente à Idade do Ferro (culturas de Hallstatt e La Tène), bem como das calças na indumentária masculina (embora essas sejam provavelmente originárias das estepes asiáticas).
Fonte: Wikipédia
Casa dos Celtas


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

95 - História de Capelins 

Segredos da Villa Defesa de Ferreira, termo da Villa de Terena (Atual Freguesia de Capelins)


Na continuidade das pesquisas sobre a história de Capelins, com base em diversos documentos oficiais, concluímos que, o senhorio da Villa Defesa de Ferreira, do termo (Concelho) de Terena. entre 24 de Março de 1376, (Era de César 1414) até 19 de Dezembro de 1378, pertenceu, de facto,  à Infanta Dª Brites/Beatriz de Castro, Condessa de Albuquerque, meia irmã do rei D. Fernando, filha de D. Pedro I e de Dª Inês de Castro. Como existiam dúvidas se a referida Dª Beatriz, tinha, ou não, sido reconhecida como Infanta, transcrevemos o que consta, neste caso, na Wikipédia, sobre esse assunto:

Beatriz de Portugal, Condessa de Alburquerque

Infanta Beatriz de Portugal (ca. 1347 — 5 de julho de 1381) era filha do Rei Pedro I de Portugal e de Inês de Castrodama galega que chegou a Portugal como aia de Constança Manuel, recentemente casada com D. Pedro, príncipe herdeiro da coroa na altura.
Beatriz nasceu em Coimbra entre 1347 e 1351, não se sabendo ao certo o seu ano de nascimento. Tornou-se Condessa de Albuquerque ao casar-se com Sancho de Castela, filho do rei Afonso XI de Castela e sua amante Leonor de Gusmão. Faleceu em 1381.
Quanto à questão de Beatriz ter sido uma legítima Infanta de Portugal ou, tão-só, uma filha natural de Pedro I a quem o título de Infanta nunca deveria ter sido atribuído, a verdade é que após a morte de Inês de Castro, e de haver subido ao trono, D. Pedro I tudo fez para legitimar os filhos de ambos. E de tal maneira o conseguiu que, já sendo falecida Beatriz, João das Regras, nas Cortes de Coimbra de 1385, depois de ter demonstrado com documentos na mão que o Papa Inocêncio VI se recusara a legitimá-la e aos seus dois irmãos, disse o seguinte: Ora vedes aqui, sem mais acrescentar ou minguar, toda a história, como se passou, do casamento de dona Inês e legitimação de seus filhos, a qual eu quisera escusar por honra dos Infantes, posto que sejamos em tal passo; e entendo que isso fora melhor do que me fazerem publicar de praça e semear para sempre a sua incestuosa nascença. Ou seja, João das Regras, mesmo após lamentar ter sido obrigado a exibir as provas deles serem ilegítimos, continua, apesar disso, a chamar-lhes Infantes. Melhor prova do que esta de que ela e os seus irmãos eram realmente reconhecidos como Infantes não podia haver.
Dª Beatriz de Castro



quarta-feira, 12 de agosto de 2015

94 - História de Capelins 

Segredos da Villa Defesa de Ferreira, termo da Vila de 
Terena

Conforme podemos verificar neste primeiro documento do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, ANTT, o rei D. Fernando fez esta carta de doação dos Lugares de Ferreira, Terena e outros, a sua filha a Infanta Dª Beatriz, no dia 03-11-1379. Alguma coisa não pode estar certa, uma vez que, no documento anterior do ANTT, está exatamente a mesma informação, mas com a data da doação em 24 de Março de 1376. É por isso que nos parece ser a doação em 24 de Março de 1376 à Infanta Dª Beatriz de Castro, meia irmã do rei D. Fernando, que depois lhe retirou esses bens por carta de 19 de Dezembro de 1378, doando-os a sua filha a Infanta Dª Beatriz em 03-11-1379, estando correta esta última informação.
Temos outros comprovativos, como um selo em chumbo pendente de fios de seda encarnada, e verde, com esta letra: 
"Sigillium Domini Fernamdi Portugalie e Algarbii Regi" e se conserva tão perfeito, como fica aberto. Está em huma doação feita à Infanta Dª Brites/Beatriz das Villas e Lugares de (...), Ferreira, Terena, com data do primeiro documento, 1376. Está na Casa da Coroa, gaveta 3, maço 2.Em lado algum se verifica que a Infanta Dª Beatriz era a filha de D. Fernando. Para nós, entendemos que a doação de 24 de Março de 1376 foi à sua meia irmã Beatriz de Castro e a de 03-11-1379 à sua filha Beatriz.


CARTA DE DOAÇÃO FEITA POR D. FERNANDO À INFANTA D. BEATRIZ, SUA FILHA, DAS VILAS DE ÉVORA-MONTE, FERREIRA, TERENA, LOUSÃ, PEDRÓGÃO, FIGUEIRÓ, ALCÁÇOVAS, ARGANIL, PENACOVA, SANTA COMBA, MORTÁGUA E OUTRAS
NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/TT/GAV/3/4/5
TIPO DE TÍTULO
Atribuído
DATAS DE PRODUÇÃO
1379-11-03 A data é certa a A data é certa
DATAS DESCRITIVAS
Santarém
DIMENSÃO E SUPORTE
1 doc.; perg.
ÂMBITO E CONTEÚDO
Tem vestígio de selo pendente (apenas a perfuração do suporte).
CONDIÇÕES DE ACESSO
Retirado da consulta.
COTA ATUAL
Gavetas, Gav. 3, mç. 4, n.º 5
IDIOMA E ESCRITA
Português
CARATERÍSTICAS FÍSICAS E REQUISITOS TÉCNICOS
Pregas, vincos, rugas. Rasgões.
EXISTÊNCIA E LOCALIZAÇÃO DE CÓPIAS
Portugal, Torre do Tombo, Núcleo de Arquivo Fotográfico NAF/08995 a 08997.
UNIDADES DE DESCRIÇÃO RELACIONADAS
Relação sucessora:
Portugal, Torre do Tombo, Leitura Nova, liv. 35 (Livro 6 de Místicos), f. 18 v., coluna 1.
Transcrito sumariamente em Portugal, Torre do Tombo, Reforma das Gavetas, liv. 7, f. 83.
Outra prova, que é a ultima data, 1379, a que efetivamente D. Fernando fez a doação daqueles Lugares a sua filha Dª Beatriz é a nomeação dos Curadores, conforme a carta seguinte:

CARTA PELA QUAL D. FERNANDO NOMEAVA CURADORES A SUA FILHA D. BEATRIZ E LHE FAZIA DOAÇÃO DE ÉVORA-MONTE, ALCÁÇOVAS, FERREIRA, TERENA, LOUSÃ E OUTROS LUGARES
NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/TT/GAV/3/9/6
TIPO DE TÍTULO
Formal
DATAS DE PRODUÇÃO
1379-11-03 A data é certa a A data é certa
DATAS DESCRITIVAS
Santarém
DIMENSÃO E SUPORTE
1 doc.; perg.
COTA ATUAL
Gavetas, Gav. 3, mç. 9, n.º 6
IDIOMA E ESCRITA
Português
CARATERÍSTICAS FÍSICAS E REQUISITOS TÉCNICOS
Manchas de coloração variável.
UNIDADES DE DESCRIÇÃO RELACIONADAS
Relação sucessora:
Portugal, Torre do Tombo, Reforma das Gavetas, liv. 7, f. 152.


93 - Terras de Capelins

Segredos da Villa Defesa de Ferreira, termo de Terena

As nossa investigações sobre a história da Villa Defesa de Ferreira, termo de Terena (atual Freguesia de Capelins), indicam-nos que, entre 1376 e 1385, o seu senhorio pertenceu a duas Infantas com o mesmo nome Beatriz ou Brites (Tia e sobrinha). 
No presente documento, uma carta do rei D. Fernando, este faz a doação de várias Vilas e Lugares, entre os quais, Ferreira e Terena, à Infanta Dª Beatriz. No verdadeiro documento, não se verifica que efetivamente fosse a sua filha, que era realmente "Infanta Dª Beatriz", mas nessa mesma época existia outra Infanta com o mesmo nome, a Infanta Dª Beatriz, Condessa de Albuquerque, meia irmã do rei D. Fernando, ou seja, também filha de D. Pedro I, mas de Dª Inês de Castro e, tudo indica que foi a esta Infanta que no dia 24 de Março de 1376, (Era de César de 1414) que D. Fernando fez a referida doação, a qual, na indicação do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, foi a sua filha, situação que vamos contestar muito em breve. Isto porque:

Por carta de 19 de Dezembro de 1378, por motivo de a Infanta Dª Beatriz, meia irmã do rei D. Fernando ter conspirado para a sua morte, através daquele documento, foram-lhe retirados os bens e os Lugares de Terena e Ferreira foram entregues a Fernando Afonso de Albuquerque. Conforme: Arquivo Nacional da Torre do Tombo, (Chancelaria D. Fernando I. II, f. 36 v).
Como retirava D. Fernando esses bens à sua meia irmã em 19 de Dezembro de 1378 se não lhe tivesse feito anos antes a sua doação? Depois, para complicar a situação, o Arquivo Nacional da Torre do Tombo publica outro documento a informar que, o rei D. Fernando fez exatamente a mesma doação a sua filha no dia 03-11-1379. Esta sim, pensamos estar correta. será portanto, só a partir desta data que o senhorio de Terena e Ferreira, passaram a pertencer à outra Infanta Dª Beatriz e filha do rei D. Fernando, que casou com D. João I de Castela, já viúvo.


CARTA DE DOAÇÃO, FEITA PELO REI D. FERNANDO A SUA FILHA, D. BEATRIZ, DOS LUGARES DE ÉVORA-MONTE, ALCÁÇOVA, FERREIRA, TERENA, LOUSÃ, ARGANIL, PEDRÓGÃO, PENACOVA, SANTA COMBA, MORTÁGUA E OUTROS, COM TODOS OS SEUS DIREITOS, RENDAS E PADROADOS DAS IGREJAS
NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/TT/GAV/3/2/9
TIPO DE TÍTULO
Formal
DATAS DE PRODUÇÃO
1376-03-24 A data é certa a A data é certa
DATAS DESCRITIVAS
Alcanhões
DIMENSÃO E SUPORTE
1 doc.; perg.
ÂMBITO E CONTEÚDO
Tem vestígio de selo pendente por trancelim de fios verdes e encarnados.
COTA ATUAL
Gavetas, Gav. 3, mç. 2, n.º 9
IDIOMA E ESCRITA
Português
UNIDADES DE DESCRIÇÃO RELACIONADAS
Relação sucessora:
Portugal, Torre do Tombo, Leitura Nova, liv. 35 (Livro 6 de Místicos), f. 19 v.
Transcrito sumariamente em Portugal, Torre do Tombo, Reforma das Gavetas, liv. 7, f. 32.






terça-feira, 11 de agosto de 2015

92 - Terras de Capelins 

Singela homenagem a outra Ferreira - do Alentejo
Por vezes, quando investigamos o passado da Villa de Ferreira Medieval, do termo de Terena, surgem respostas relacionadas com a outra Ferreira - do Alentejo, pertencente a Beja e, obviamente, não a Terena. No entanto, para não existirem dúvidas, somos obrigados a seguir em paralelo a história das duas Ferreiras. Assim, também, como simples homenagem, damos a conhecer um pouco da história de Ferreira do Alentejo que, conforme podemos verificar, a partir de 1233, na Ordem de Santiago da Espada, seguiu uma trajetória muito diferente da seguida pela Ferreira, do termo de Terena:

Ferreira do Alentejo, o Concelho e a Vila.
História
As origens da ocupação humana no território do concelho de Ferreira do Alentejo remontam ao final do Neolítico, como atesta o espólio arqueológico abundantemente encontrado ao logo das margens da ribeira de Vale d´ouro e no povoado do Porto Torrão.
O concelho foi doado em 1233 à Ordem de Santiago da Espada que construiu, na zona mais alta e estratégica de Ferreira, um imponente castelo. Porém, em 1838, por deliberação da Junta de Paróquia, o castelo, já arruinado, foi demolido e, no seu lugar, construiu-se o cemitério público.
Dependente, espiritualmente, do bispado de Évora, só em época mais tardia se definiu a circunscrição administrativa autónoma pelo floral da Leitura Nova, concedido em Lisboa a 5 de Março de 1516 por D. Manuel I.
O topónimo da vila está intimamente ligado a uma tradição popular, a lenda da cidade de Singa, que afirma que por volta do século V uma valorosa mulher, esposa de um ferreiro, defendeu o povoado dos invasores bárbaros.
“ A percorrer o Alentejo, nem me fadigo, nem cabeceio de sono, nem me torno hipocondríaco. Cruzo a região de lés a lés, num deslumbramento de revelação. Tenho sempre onde consolar os sentidos, mesmo sem recorrer aos lugares selectos dos guias.”
Miguel Torga
In Portugal - Alentejo

Ferreira do Alentejo


sexta-feira, 31 de julho de 2015

91 - História de Capelins


Os hidronimos da Ribeira de  Oydaluiciuez/Lucifer/Lucefécit 

Vários historiadores escreveram que, a atual Vila de Terena no período muçulmano (711-1167/1242), designava-se por Oydaluiciuez, sendo o hidronimo da Ribeira, o mesmo, do nome (da toponímia), desta Vila. 

Através das cantigas a Santa Maria de Terena, da autoria do rei de Castela e Aragão Afonso X o sábio, antes de 1282, esta Ribeira já se designava por Ribeira do Lucifer, devido ao milagre de Santa Maria de Terena que, para livrar um homem bom de morte certa às mãos dos seus perseguidores desde Elvas, acusado de matar a sua mulher, estavam quase a alcançá-lo junto à Ribeira, então Santa Maria para ajudar o perseguido Tomé, sabendo que ele estava inocente, transformou a Ribeira em Lucifer, impedindo a passagem dos perseguidores, (Cantiga CCXIII). Essa designação não podia continuar, porque ninguém se atrevia a dizer esse nome, uma vez que, ao falar no Diabo, ele aparecia a essa pessoa, por isso, a palavra foi sendo transformada (Lucefece...), até ficar a atual Lucefécit. 
(Com base em vários documentos que não garantem certezas!)

Ribeira do Lucefécit

90 - História de Capelins 

Os segredos de Capelins 

Como sabemos, os segredos de Capelins referem-se principalmente, à época da comunidade judaica, cristãos novos e "Marranos", que aqui viveram a partir de 1492, da qual descendemos a maioria dos Capelinenses. Nos assentos Paroquiais de casamentos, nascimentos, batizados e óbitos, de Santo António, verificam-se inúmeras ligações de famílias de Cristãos novos de Monsaraz - Santiago Maior e Capelins.
Os cristãos novos eram sepultados em terreno sagrado, na Igreja ou no cemitério cristão, o mesmo não podia acontecer aos marranos. Por isso, são conhecidas várias necrópoles em Capelins (6), pelo menos uma, senão mais, ainda tem sepulturas por abrir, muito próxima de Ferreira de Capelins.

Monsaraz
Em Monsaraz, uma das vilas medievais portuguesas mais bem preservadas, existiu uma judiaria dentro das muralhas nas imediações da Rua Direita. Este centro histórico, que no passado acolheu muitos judeus e "marranos" vindos de Espanha, apresenta hoje um conjunto muito uniforme de ruas e edifícios da época.

Monsaraz 





89 - História de Capelins

Ribeira de Lucifer/Lucefécit

Ribeira do Lucefécit. Que misterioso ribeiro é este cujo nome é tão temido que um rei sábio se recusou a dizê-lo? Lucefécit significará aquilo que pensamos? E se assim é, por que razão o apelidaram dessa forma?
A Ribeira do Lucefécit corre por terras sagradas, disso temos provas que estão à vista de qualquer um, a começar pelo facto de contornar o Santuário da Rocha da Mina, que poderá estar ligado ao culto de Endovélico. Continua o seu caminho para sul e passa a norte da histórica freguesia de Terena, onde abre alas, transformando-se quase em lagoa. Volta a fechar e segue caminho até desaguar no Guadiana, junto à fronteira com Espanha, deixando para trás vários exemplos de megalitismo em território português.
Abrindo a discussão, Lucefécit poderá derivar tanto do árabe como do latim.
No primeiro caso, Lucefécit poderá resultar da conjunção de vários termos, todos eles árabes, dos quais sobressaem: al e oucif (que significa negro). No segundo caso, falamos de quem o topónimo sugere: Lúcifer. Sendo que tal nome só tem conotação negativa a partir de certo momento da história.
Lúcifer foi a tradução latina feita para descrever Vénus, a estrela da manhã, portadora (ferre) da luz (lux), daí se transformando em lucisferre, que derivou em Lúcifer – antes de endiabrarem tal termo, devemos lembrar que no Novo Testamento, Jesus autoproclama-se estrela da manhã. A igreja, que durante anos tentou demonizar qualquer vislumbre de adoração pagã, onde Vénus obviamente estava incluído, tratou de associar o termo a Satanás, pai dos demónios da natureza. O trabalho foi bem feito, tanto que ainda hoje os cristãos mais crédulos ainda evitam usar o seu nome.
E salta a pergunta: a acreditar que o topónimo tem raízes no latim e não no árabe, para quê dar tal nome a esta ribeira? Hipoteticamente, pela mesmíssima razão. Como já foi dito, estas águas correm por montes sacralizados, onde as referências físicas e simbólicas a deidades pagãs pululam. A escolha deste nome poderá ter servido o propósito de diabolizar uma zona que a igreja via como infiel ao seu Deus único, transformando-se assim numa espécie de espantalho para gestos que o poder clerical considerava como ameaça à sua religião.
Afonso X, o rei sábio, parece não ter dúvidas, e numa alusão à ribeira, recusa-se a pronunciá-lo nas suas Cantigas de Santa Maria: d’un rio que per y corre, de que seu nome nom digo.
"In: Bloque Portugalnummapa"


terça-feira, 28 de julho de 2015

88 - História de Capelins

Afonso X o sábio, rei de Castela e Aragão 1252-1284, 
peregrino de Santa Maria de Terena?

São bem conhecidas as cantigas do rei de Castela Afonso X o Sábio, a Santa Maria de Terena, que incluem a Ribeira de Lucifer (Lucefécit), assim como, a Monsaraz e à região da passagem do Guadiana perto dos Mocissos. 
Alguns autores afirmam que, Afonso X, escreveu esses versos devido à influência de D. Gil Martins, Senhor das Terras de Terena, que após se ter zangado com o nosso Rei D. Afonso III, se exilou na sua Corte. No entanto, essa teoria é muito duvidosa, porque o conteúdo desses versos denotam um excelente conhecimento pessoal das regiões de Monsaraz, Terena e Mocissos e do que por aí se passava em termos sociais e de fé, é verdade, que o rei diz sempre que lhe contaram.
É nossa convicção que, de facto, o rei Afonso X o sábio, fez a peregrinação a Santa Maria de Terena, talvez, devido ao que ouvia ao fidalgo português D. Gil Martins, sobre os milagres atribuídos a Santa Maria, passando por Monsaraz a caminho de Terena. Depois, na volta a Castela, desceu a Ribeira do Lucefécit até ao porto das Águas Frias de baixo, seguindo até aos Mocissos, onde talvez existisse uma barca para passagem do Guadiana na direção onde mais tarde surgiu São Bento da Contenda.

Decerto que, tinha que existir uma razão muito forte para Afonso X ser tão devoto de Santa Maria de Terena
cantiga 275
Como Santa Maria de Terena guariu do[u]s freyres do espital que raviavan.
A que nos guarda do gran fog' infernal
sãar-nos pode de gran ravia mortal.
Dest' en Terena fez, [per] com' aprendi,
miragr' a Virgen, segund[o] que oý
dizer a muitos que ss' acertaron y,
de dous raviosos freires do Espital
A que nos guarda do gran fog' infernal...
Que no convento soyan a seer
de Moura; mas foi-lles atal mal prender
de ravia, que sse fillavan a morder
come can bravo que guarda seu curral.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
Assi raviando fillavan-ss' a travar
de ssi ou d' outros que podian tomar,
e por aquesto fóronos ben liar
de liadura forte descomunal.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
E a Terena os levaron enton,
que logar éste de mui gran devoçon,
que os guariss[e] a Virgen, ca ja non
lles sabian y outro consello tal.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
E levando-os ambos a grand' affan,
que cada u mordia come can,
passaron con eles un rio muy gran
d' Aguadiana, entrant' a Portogal.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
E o primeiro deles mentes parou
de cima dun outeiro u assomou,
des i mui longe ante ssi devisou
a Terena que jaz en meo dun val.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
E disse logo como vos eu direy:
«Soltade-me, ca ja eu ravia non ey,
ca vejo Santa Maria, e ben sey
que ela me guariu mui ben deste mal.
A que nos guarda do gran fog' infernal....
Mais agua me dade que beva, por Deus,
ca a Virgen, que sempr' acorr' [a]os seus,
me guariu ora, non catand' aos meus
pecados que fiz come mui desleal.»
A que nos guarda do gran fog' infernal...
O outro diss' esto meesmo pois viu
e eigreja, ca logo sse ben sentiu
da rravia são, e agua lles pediu,
e deron-lla da fonte peranal.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
E pois beveron, ar fillaron-s' a ir
dereitament' a Terena por conprir
ssa romaria; e porque os guarir
fora a Virgen, deron y por sinal
A que nos guarda do gran fog' infernal...
Cada un deles desso que ss' atreveu
de seu aver, que eno logar meteu;
e des i cada un deles acendeu
ant' o altar da Virgen seu estadal.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
Est miragre mostrou aquela vez
Santa Maria, que muitos outros fez
como Sennor mui nobr' e de mui gran prez
que senpr' acorre con seu ben e non fal.
A que nos guarda do gran fog' infernal...
Existem outras cantigas de Afonso X sobre Santa Maria de Terena e esta região.
No século XIII, já existia uma Albergaria em Monsaraz, destinada a acolher os romeiros que, vindos da margem esquerda do Guadiana, em busca do famoso santuário mariano de Terena, atravessavam o rio na barca de passagem e faziam caminho por Monsaraz, onde pernoitavam. Um peregrino ilustre, Afonso X, o Sábio, vindo da Andaluzia, a caminho de Terena, deve ter passado nesta época por Monsaraz.
(Monsaraz - Vida morte e ressurreição de uma vila alentejana)
Afonso X de Castela







domingo, 19 de julho de 2015

87 - História de Capelins 

Foi desvendado mais um segredo sobre as atuais Terras de Capelins (Lugar de Ferreira - Vila Defesa de Ferreira ou Defesa Del-rei)
Esta relíquia foi escrita pela mão do Rei D. Fernando no dia 24 de Março de 1376, e inclui o Lugar de Ferreira e Terena, acabando com algumas dúvidas e confusões entre Dª Beatriz (ou Brites) sua filha e Dª Beatriz de Castro, (filha de D. Pedro I e de Dª Inês de Castro), sua meia irmã, sobre a doação destas e de outras Terras.
Temos a tradução, brevemente divulgamos! 

Carta do rei D. Fernando




sábado, 18 de julho de 2015

86 - Terras de Capelins 

Atalaia do Monte de Calvinos na Freguesia de Capelins 


Por aqui passava, vindo de Badajoz, pelo Vale do Guadiana, por Juromenha, Castelo árabe dos Mocissos, Terras da atual Freguesia de Capelins, para Monsaraz, Sarish, o árabe Azovel, com o seu exército de 1000 cavalos, deixando o seu nome a esta Ribeira do Azevel, e este testemunho, esta Atalaia, construída cerca de 1140, decerto várias vezes reconstruída e aproveitada para vigiar a região, porque dela se avistavam pelo menos, os Castelos de: Cuncos, (Espanha), Mourão e Monsaraz encontra-se submersa pelas águas do Grande Lago de Alqueva. 
O lugar onde a presente Atalaia se encontra, foi denominado pela Casa do Infantado a partir de 1698, como herdade do Azinhal Redondo de Baixo!

Atalaia do Monte de Calvinos - Capelins 






85 - História de Capelins  

O famoso mestre de guerra muçulmano, Azovel, nas Terras de Capelins


Tal como em Portugal, também existiram notáveis mestre de guerra nas hostes muçulmanas, que desde o ano de 711 se fixaram na Peninsula Ibérica. Neste caso, escrevemos sobre um deles, Azovel, por ter deixado a sua pegada nas Terras de Capelins.
Azovel, emprestou o seu nome a um afluente do rio Guadiana, que fica, grande parte, nas Terras de Capelins, ou seja, a Ribeira do Azevel, (houve um pequeno ajustamento na palavra, da letra "o" para a letra "e", de resto, quase tudo se mantém), esta Ribeira demarca o limite dos atuais Concelhos de Reguengos de Monsaraz, e Alandroal, mas antes de 1836, eram os termos (Concelhos) de Monsaraz e Terena (Terras de Capelins).
Azovel, foi um famoso caudilho cordovês almorávida que viveu na primeira parte do século XII e chegou a ter sob o seu comando  um corpo de exército de 1000 cavalos. Foi Lugar-Tenente do célebre governador de Badajoz, Texufine. Azovel era um mestre de guerra de movimento, ora estava nas Terras de Capelins ou Monsaraz, como entrava por terras de Castela, foi numa dessas incursões que acabou por morrer na Mata de Montiel, no ano de 1143, às mãos do exército cristão comandado pelo notável cavaleiro espanhol Múnio Afonso, Alcaide-Mor de Toledo.
Azovel foi para os muçulmanos, como Geraldo Sem Pavor foi para os cristãos portugueses, mas este comandante de salteadores, nunca teve no seu comando mais de 300 cavalos.
Junto à Ribeira do Azevel existe uma Atalaia, talvez submersa pelas águas de Alqueva, designada, agora, por Atalaia de Calvinos, na Freguesia de Capelins, que documenta a passagem do famoso caudilho, Azovel e suas tropas, por este local e pelo vale do Guadiana, entre Badajoz e Monsaraz, onde aparecia com frequência.

Base: Monsaraz - Vida morte e ressurreição de uma Vila Alentejana - José Pires Gonçalves - 1966.

Atalaia do Monte de Calvinos que documenta a presença de Azovel neste local.







quinta-feira, 16 de julho de 2015

84 - História de Capelins

Batalhas da Guerra da Restauração, na Vila de Cheles e de Alconchel

Conforme podemos verificar na indicação do número e local, onde se encontram os respetivos documentos, (Arquivo Nacional da Torre do Tombo), ANTT, durante a Guerra da Restauração (1640-1668), o exército do Alentejo, sediado em Elvas, travou batalhas na nossa vizinha Vila de Cheles e na Vila de Alconchel. Foram batalhas ferozes com muitos mortos, arrazaram tudo por onde os exércitos passaram, seguidas de saques (prezas de gado), de um e outro lado da fronteira. Também, a Vila Defesa de Ferreira, ou Defesa del-Rei, e principalmente o Lugar de Ferreira, nas Neves, não escaparam a essas devastações, por isso, ninguém queria residir nesta região .  

Nº 189
1642, Julho, 27
Relação dos sucessos que o Monteiro-mór Francisco de Mello, general
de cavalharía teve com os inimigos castelhanos nas villas de Cheles, Valverde,
Campos de Badajoz, com o Memorável feito de hum António Fernandes e a
entrada que fez por Castella dentro e a villa de Figueira de Vargas a doze pera
treze do corrente.
B.N.L.
H.G. 21.603 7P., 8 ps
(impresso em Lisboa, 13-8-1642)

Nº 190
[1643]
Sucesso que Francisco de Mello, Monteiro mor do Reyno, general de
cavalharia, teve com os castelhanos, junto de Albuquerque, em o qual matando
a muytos delles, fez mais de sincoenta prisioneiros, e uma grande preza de
gado.
B.N.L.
Res. 95 18V., fls 225 a 228v. 8 ps
(impressa na of. Domingos Lopes Rosa-1643)

Nº 192
1643, Outubro, 6
Relação sumaria da entrada que o exército de S.M. fez em Castella
pelas fronteiras do Alentejo, e dos lugares que tomou, e arrazou, ate hoje seis
de Outubro, e do que se passou no sitio, e entrega do Castello de Alconchel.
B.N.L.
Res 9521V, fl. 239-244v.
(Impresso na of. Domingos Lopes Rosa-1643)
Nº 279
1666, Maio, 27
Mercê a Luís Lopes Godinho de 40.000 reis de tença com o hábito de S.
Tiago e o ofício de escrivão da Câmara de Portalegre, pelos serviços prestados
no Alentejo, em Alconchel, Elvas, Dejebe e Ameixial, e no socorro de Olivença.
A.N.T.T.
Portarias do reino
Liv 5, fls 413v, 1ft.
Nº 283
1666, Junho, 18
Mercê a Manuel Dias da Costa de 140.000 reis com o hábito de Cristo,
por serviços prestados no Alentejo em Alconchel, Telena, Valença de
Alcântara, campanha de Olivença, etc.
A.N.T.T:
Portarias do reino
Liv. 5, fls 422v/423, 2fts

Nº 319
1673, Julho, 20
Mercê a Marcos Rapozo Figueira de promessa de uma comenda de
200.000 reis e hábito de Cristo, pelos serviços que prestou nas batalhas de
Valverde, Alconchel, Figueira, Olivença, etc.
A.N.T.T.
Portarias do reino

Liv. 7, fls. 420, 1ft.

Villa de Cheles 








quarta-feira, 15 de julho de 2015

83 - Terras de Capelins 

Testamento de 26 de Junho de 1516 de Simão Bentinho, Missa na Igreja de Santa Maria na Defesa de Ferreira. (Senhora das Neves)
CAPELA QUE INSTITUIU SIMÃO BENTINHO MORADOR QUE FOI NESTA VILA COM ENCARGO DE VINTE MISSAS CADA ANO, MAIS VINTE ALQUEIRES DE TRIGO À MISERICÓRDIA DESTA VILA DE QUE É ADMINISTRADOR LOURENÇO FERNANDES ZORRO POR SEUS SOBRINHOS FILHOS DE SEU IRMÃO BENTO GONÇALVES
NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/ADPTG/PCELV/4/1/77
TIPO DE TÍTULO
Formal
DATAS DE PRODUÇÃO
1541-11-28 A data é certa a 1541-11-28 A data é certa
DIMENSÃO E SUPORTE
2 f.
EXTENSÕES
2 Folhas
ÂMBITO E CONTEÚDO
Terena, Herdade dos Bentinhos, Defesa de Ferreira. Catarina Mendes. Treslado parcial do testamento do instituidor datado de 26 de Junho de 1516.
CONDIÇÕES DE ACESSO
Comunicável
COTA ATUAL
Cx. 6
COTA ANTIGA
Tb. 31, f. 153 v.
IDIOMA E ESCRITA
por
CARACTERÍSTICAS FÍSICAS E REQUISITOS TÉCNICOS
Bom

82 - Terras de Capelins

Vila Defesa de Ferreira, Terra de Marranos

Continuamos a investigar a história das atuais Terras de Capelins, desde há milhares de anos, uma parte, apenas com base nos vestígios arqueológicos descritos por alguns conceituados arqueólogos. Porém, a partir de 1248, de D. Afonso III, já se encontram documentos sobre as Terras de Terena que, incluiam as da atual Freguesia de Capelins. No entanto, a nossa intervenção de hoje, é sobre a época em que a Vila Defesa de Ferreira, ou Defesa D' El-Rei acolhia várias Familias Judaicas, ou seja, a partir de 1492 e, depois, alguns Marranos. Várias pistas indicam-nos a existência de Marranos nesta Vila Defesa, que muito devem ter sofrido para manter em segredo a sua religião, correndo grandes riscos de denuncia à Inquisição, como aconteceu, sendo perseguidos e assassinados pelos campos por caçadores de Marranos vindos de Vila Viçosa, que batiam esta região obrigando pessoas a denunciar sem fundamento e faziam imediatamente a sua justiça, sendo culpados ou inocentes, por isso, tantas ossadas apareceram devido às lavouras fundas de tratores, em quase toda a Defesa de Ferreira, Herdade da Negra e outros locais. 
A própria Jewish Encyclopedia informa da existência de Marranos nesta região e sabe-se que, poucos processo foram instaurados pela Inquisição aos Judeus acusados de Marranos do Concelho de Terena, parece que, era feita justiça imediata, ou porque estavam muito longe dos Tribunais do Santo Ofício, ou por maldade.   

Enciclopédia Judaica

 Encyclopaedia Judaica

(Jewish EncyclopediaEnciclopédia Judaica é uma enciclopédia publicada entre 1901 e 1906 por Funk e Wagnalls. Esta enciclopédia contém cerca de 15.000 artigos em 12 volumes sobre a história dos judeus e do judaísmo.

Wikipédia

Enciclopedia Judaica






198 - Terras de Capelins Vidas do Contrabando e dos guardas fiscais nas terras de Capelins  História, lendas, contos e tradições da...