quarta-feira, 29 de abril de 2015

58 - História de Capelins 

A última tragédia no Moinho do Roncão. Afundou-se para sempre!
Parte 3
Parece que, o Moinho do Roncão foi construído nos primeiros decénios de 1700, pela Casa do Infantado, como unidade industrial da época, desempenhando a sua missão ao longo de 250 anos que era a de transformar os cereais em farinha para alimentação de pessoas e animais da região de Capelins. Como muitos outros, seus semelhantes, já se encontrava no corredor da morte há muitos anos, em agonia, por culpa do progresso. A construção da grande barragem no rio Guadiana, na Freguesia de Alqueva, Concelho de Portel, a maior de Portugal e da Europa Ocidental, ditou-lhe o fim, já anunciado. No dia 8 de Fevereiro de 2002 foram encerradas as comportas da referida barragem, começando, imediatamente, a encher o rio Guadiana, ribeiras, ribeiros, regatos, regatinhos, poças, inundando terras altas e baixas até à cota 152, ao contrário do que as Associações de defesa da natureza, depois de diversos estudos, pediam, a cota 139. Hoje, temos a barragem de Alqueva, também, em Capelins, mas, devido a isso, deu-se mais uma tragédia, o Moinho do Roncão, afundou-se para sempre! 

Roncão




terça-feira, 28 de abril de 2015

57 - História de Capelins 

Tragédia do Moinho do Roncão em 1748 


Antigamente dizia-se que, Família de Moleiro nunca passava fome, porque, ficava sempre algum resto de farinha na mó que dava para umas papas ou um pãozinho, por isso, não faltavam pretendentes a esposas destes profissionais. Talvez tenha acontecido isso com João Roiz de Goes que, como foi referido anteriormente, ficou viúvo da Esperança Maria, no dia 9 de Setembro de 1742, depois de, ter perdido o filho à nascença no dia 31 de Agosto desse ano. Logo, no dia 10 de Fevereiro de 1743, 6 meses depois do funeral da Esperança Maria, casou novamente, pela terceira vez, agora, com Rita da Encarnação, solteira, natural e residente em S, Tiago, termo de Terena, levando-a, naturalmente, para o Moinho do Roncão. No dia 9 de Janeiro de 1746 nasceu a filha Maria, (não encontramos registo de nenhum/a filho/a antes desta data) e, no dia 16 de Julho de 1747 nasceu a segunda filha, a Antónia. Deviam estar felizes, mas a tragédia estava a chegar, novamente, ao Moinho do Roncão. E, no dia 17 de Abril de 1748, com pouco mais de 2 anitos faleceu a Maria e, no dia 30 de Outubro faleceu a filha Antónia, com 15 meses, foram as duas para a Igreja Paroquial de Santo António, no espaço temporal de 6 meses. Tristes vidas!



sábado, 25 de abril de 2015

56 - História de Capelins 

Figuras Capelinenses de 1700


As pessoas mais importantes da Vila de Ferreira nos anos de 1700, eram: o Alcaide, Procurador (deputado às Cortes, que nunca compareceu em nenhuma), Juiz, Escrivão e Lavradores, a restante população era o povo que tinha de trabalhar para os lavradores. Ao interpretarmos os assentos Paroquiais referentes a batizados, casamentos e óbitos, facilmente entramos na história desta Freguesia e conseguimos saber a que nível social pertenciam as famílias ali residentes, porque, conforme a sua importância, assim era, na maior parte dos casos a composição do assento. No caso de envolver um lavrador, fosse como padrinho de baqtismo, casamento, ou mesmo do seu óbito, logo, o Paroco escreve o seu nome, mas sempre seguido de menção "lavrador do Monte do Azinhal Redondo de Cima, ou outro", ou seja, esses assentos fazem diferença dos restantes. também é verdade que, poucos batizados ou casamentos se faziam sem um dos padrinhos ser um lavrador ou pessoa importante. Estas pessoas, quase todas, senão todas, sabiam escrever, pelo menos o seu nome e, reparamos em algumas assinaturas feitas na década de 1720, que são verdadeiras obras de arte, cheias de floreados e símbolos, alguns alusivos à sua origem judaica. De entre essas assinaturas destaca-se uma que a pessoa aparece como padrinho de muitos casamentos e batizados nesse decénio, chamado Domingos Dias Banazol, com uma assinatura invejável. Ainda não sabemos se era lavrador, ou do staf da Casa do Infantado, mas importante tinha que ser. Vamos pesquisar e saber quem era esta Família, até porque, mais à frente já apareceram alguns filhos do suposto, senhor importante, Banazol.



sexta-feira, 24 de abril de 2015

55 - História de Capelins 

Tragédia no Moinho do Roncão, em 1742


Como já foi referido, durante os primeiros decénios de 1700, a Casa do Infantado, que detinha o senhorio da Vila de Ferreira, autorizou a construção de mais de quarenta Montes,  distribuídos pelas diversas herdades arrendadas aos lavradores, quase todos, senão todos, de origem Judaica, Cristãos novos. Pensamos que, também mandou construir alguns Moinhos no rio Guadiana e nas Ribeiras de Azevel e Lucefécit, igualmente arrendados a Cristãos novos. Um desses Moinhos, foi o do Roncão, onde, também, foi construída uma casa, na qual morava João Roiz de Goes com sua mulher Esperança Maria e Família, a qual estaria feliz porque, esperavam mais uma criança, assim, chegou 31 de Agosto de 1742, dia em que nasceu, mas em vez da natural alegria, foi de muita tristeza, era um rapaz, mas morreu à nascença. Foi chamado o Pároco de Santo António, Padre António de Souza e Sylva, que se deslocou ao Moinho do Roncão, fez o batismo da criança em casa e, logo de seguida o seu funeral. A desgraça não acabou aqui, porque, a mãe, Esperança Maria, não ficou nada bem do parto e, apenas durou sete dias, ao sétimo dia, partiu, seguindo o caminho do filho, ou seja, faleceu no dia 07 de Setembro desse ano de 1742, no Moinho do Roncão, situado na Ribeira do Lucefécit. 

Roncão


   

sexta-feira, 17 de abril de 2015

54 - História de Capelins 

"Aldeia de Navais" e, Segredos de Capelins


No local onde hoje se situa o Monte de Nabais, existia a "Aldeia de Navais", referida em muitos documentos Paroquiais, não só em assentos de batizados, casamentos e óbitos, como, também, nas Memórias Paroquiais de 1758, escritas em Santo António, pelo Pároco Manuel Ramalho Madeira. Em 1736, conforme consta no documento abaixo publicado, podemos verificar que ali moravam, entre outros, Manoel Fiz Ou Friz = (Fernandez) e sua mulher Catharina Roza, a qual, infelizmente, ali faleceu em Dezembro desse ano. Entre este Monte e, a Malhada, existe um altinho com uma necrópole, talvez sepulturas de Marranos, que não aceitavam ser sepultados na Igreja Cristã, neste caso de Santo António. É de salientar que, também, no Monte da Sina, nessa época, moravam pessoas da Família Fiz ou Friz, (Fernandez), cristãos novos e, também aí, existe outra necrópole com algumas sepulturas, tão perto de Santo António, mas, naturalmente, tão longe em termos da sua fé. Não encontramos nenhum mal nisso, antes pelo contrário, será uma das bases da cultura Capelinense e, deve ser a chave dos segredos que lhe são atribuídos, ou seja, devido à Inquisição, fuga, perseguição, homicídios por estas terras de Capelins, durante o século XIV, anos de 1500 até ao século XVIII, envolvendo os cripto judeus.










terça-feira, 14 de abril de 2015

53 - História de Capelins 


A separação do senhorio da Vila de Ferreira, da Vila de Terena, em 1433


Até 20 de Novembro de 1433, a Vila de Ferreira era do mesmo senhor da Vila de Terena, foi o rei D. Duarte, que nesta data ordenou a separação deste senhorio e doou a Vila de Ferreira, assim como, a Coutada real  situada na herdade da Cabeça de Sina, aqui denominada de Terena, porque, ficava fora do domínio da Vila de Ferreira e, no termo de Terena, ao seu amigo, cavaleiro da Corte, D. Gomes Freire de Andrade, que já era o 1º Senhor da Casa de Bobadela, Vila de Bobadela, Oliveira do Hospital, Coimbra, que lhe foi doada por D. João I, pela sua participação na Batalha de Aljubarrota e, do qual era pajem. Assim, a Vila de Ferreira foi integrada na Casa de Bobadela, da Família Freire de Andrade, onde permaneceu até 1674.


CARTA DE DOAÇÃO DO LUGAR DE FERREIRA E DA COUTADA DE TERENA, CONCEDIDA POR D. DUARTE A GOMES FREIRE

NÍVEL DE DESCRIÇÃO

Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA

PT/TT/CHR/H/0001/606
TIPO DE TÍTULO

Atribuído
DATAS DE PRODUÇÃO

1433-11-20 A data é certa a 1433-11-20 A data é certa
DIMENSÃO E SUPORTE

5 linhas; perg.
ÂMBITO E CONTEÚDO

Ferreira, termo de Terena.
COTA ATUAL

Chancelaria de D. Duarte I, liv. 1, fol. 107 v.
IDIOMA E ESCRITA

Português

D. Duarte



quinta-feira, 9 de abril de 2015

52 - História de Capelins 

D. Manuel I, por terras de Capelins


Até pode ser mitologia, porque, ainda não foram encontrados documentos que provem ter andado o rei D. Manuel I, por terras de Capelins, nos primeiros anos de 1500. No entanto, em conversa com um Capelinense, o amigo João M. sobre este assunto, foi-nos garantido que, foi essa a realidade, tendo sido esse facto, transmitido de geração em geração, além de existir uma prova física que muitas pessoas conheceram/conhecem, as ombreiras em mármore da Fonte do Frade. As terras de Capelins, foram desde sempre, muito boas em caça, sendo, a coutada da Cabeça de Sina, considerada uma das melhores do reino, a qual, ficava fora da Vila de Ferreira, mas as caçadas do rei podiam continuar pela Vila dentro, pelas terras dos Freires de Andrade. Estas caçadas exigiam muito esforço, a cavalo, perseguiam a caça, com matilhas de cães treinados ou, com falcões. Assim, caçava D. Manuel na área da atual Amadoreira e, estava com muita sede, porque, já não existia reserva de água nos mantimentos, no entanto, continuaram caçando até encontrar uma fonte, desprotegida, mas com muita água fresquinha, de grande qualidade, saciaram a sede e, o rei gostou tanto dessa água que, pediu para arranjarem a fonte. Um pedido do rei, era uma ordem, então, a fonte foi arranjada e, 500 anos depois, ainda são visíveis as duas ombreiras em mármore, não sabemos se está submersa pelas águas do grande lago de Alqueva, uma vez que, a Fonte do Frade que saciou a sede ao rei D. Manuel I, situa-se nas margens do Ribeiro da Amadoreira, em Capelins.

D. Manuel I

quarta-feira, 8 de abril de 2015

51 - História de Capelins 

Segredos da Villa de Ferreira


Como várias vezes referimos, disseram-nos que, "Ferreira tem muitos segredos", ou seja, a Villa de Ferreira, porque, as aldeias de Capelins de Baixo e Capelins de Cimas urgem depois de 1700. Temos pesquisado, o que nos foi possível, sobre a história destas terras e, de facto temos desvendado alguns segredos mas, faltam muitos outros, os quais, nos conduzem aos séculos XV e XVI e, à população judaica que ali se "refugiou" durante a Inquisição, sendo, estas terras muito propícias  à fixação de marranos, embora, nem todos seriam. Assim, tudo nos indica que, os segredos de Ferreira, estão relacionados com os marranos. Nunca foi explicado o motivo da existência de tantas necrópoles encontradas por estas terras, algumas, com sepulturas organizadas, mas, quando se iniciaram as lavouras mais profundas com tratores, foram encontradas muitas ossadas humanas com sinais de terem sido massacrados/as que, os naturais, atribuiram a homicídios devido aos assaltos de outros tempos. Por enquanto, não sabemos se, também aqui chegaram os caçadores de marranos, por conta própria, ou da inquisição, ainda é segredo.

B'nei anussim (em português, "filhos dos forçados") que designa os descendentes e judeus convertidos à força (anusim) ou Marrano é uma expressão hebraica genérica e conceito historiográfico que se refere aos judeus convertidos ao cristianismo dos reinos cristãos da Península Ibérica que "judaizavam", ou seja, que continuavam a observar clandestinamente seus antigos costumes e sua religião anterior.

São considerados B'nei anussim ou marranos os descendentes dos judeus sefarditas portugueses e espanhóis que foram obrigados a abandonar a Lei judaica e a converter-se ao cristianismo, contra a sua vontade, para escapar às perseguições movidas pela Inquisição
Em 5 de Dezembro de 1496 o Rei D. Manuel I como parte das contrapartidas para casar com Isabel de Aragão, cujos pais (os reis católicos) em 1492 através do decreto de Alhambra haviam expulso os judeus, teve de ter atitude idêntica. Assim, só restavam aos judeus portugueses converterem-se ao cristianismo ou o exílio sob pena de morte.
Apesar de não ser uma prática tão disseminada em Portugal como na Europa de Leste Central, há referências a massacres de Judeus, semelhantes aos pogroms, como foi o caso do massacre de Lisboa de 1506, onde centenas de judeus foram assassinados.
Posteriormente, com a introdução da Inquisição, outra das condições impostas pelos Reis Católicos para o segundo casamento de Rei D. Manuel com Maria de Castela, a perseguição assumiu contornos mais metódicos e cruéis, com confissões obtidas sob tortura, e os auto de fé para aqueles que fossem descobertos professar em segredo.
Entre os perseguidos estiveram os descendentes de Pedro Nunes, ou as ossadas de Garcia da Orta, exumadas e queimadas em auto-de-fé na Índia. Entre os que fugiram para o exilo na Europa do Norte ou na Turquia, estavam Manuel Dias Soeiro (Menasseh ben Israel) e os pais de Baruch Espinoza, entre outros.
Com o êxodo da comunidade judaica, Portugal viu igualmente desaparecer uma grande quantidade da sua comunidade empresarial e dos banqueiros pois os judeus eram os únicos que se enriqueciam cobrando juros dos católicos. Dessa expulsão se beneficiaram as regiões que acolheram os judeus portugueses já que eles emigraram de Portugal evadindo grandes somas em dinheiro e levando para regiões como a Holanda ou a Flandres.

Séculos XVI ao XIX

Por esta altura estima-se que houvesse várias comunidades de Marranos que professavam em segredo, e que com o tempo se foram dissolvendo na sociedade, sobretudo nos centros urbanos. No interior, pelo contrário seguiram um de dois caminhos distintos: a assimilação nas populações locais, ou fecharem-se cada vez mais sobre si próprias.
Destas últimas, é através das mulheres que a herança judaica é mantida e transmitida, numa curiosa alteração de papéis face ao judaísmo tradicional. As comunidades remanescentes vão acabar por ficar restritas à Beira Interior, vivendo de uma forma geral numa aparente conformidade com os vizinhos cristãos, isto apesar das suspeitas e comentário populares nunca terem deixado de existir.
Wikipédia 
Marranos



segunda-feira, 6 de abril de 2015

50 - História de Capelins 

Segredos de Capelins


CASA DO INFANTADO, fundada por d. joão IV

Em 21 de Abril de 1698 recebeu nova doação régia dos bens do Conde de Vimioso, da Casa de Bobadela, da Casa de Linhares, do Conde de Figueiró, e o senhorio e reguengo de Vila Nova de Portimão, Rendide e Tojosa, lezírias do Torrão do Diabo, Esteiro Grande, foros do reguengo de Terrugem e do Casal de Almeirim e, em 1705, dos bens da Casa da Castanheira, lezírias de Montalvão e Morraceira, Quinta da Castanheira, Mouchão e Esplendião. Foram, ainda, incorporadas a Casa da Feira (Carta de doação de 10 de Fevereiro de 1708) e o senhorio de Pinhel (Carta de doação de 30 de Março de 1781). 

Foi no dia 21 de Abril de 1698 que, a Vila de Ferreira, integrada na Casa de Bobadela, deu entrada na Casa do Infantado. Assim, mais um dos segredos destas terras, está relacionado com esta doação. A Vila de Ferreira pertencia ao termo (Concelho) de Terena, mas a partir de 1698 passou a ser Concelho do Estado do Infantado, sendo Concelho até 6 de Novembro de 1836, embora a Casa do Infantado tenha sido extinta em 18 de Março de 1834.  O Concelho de Ferreira tinha Alcaide, Procurador, Juiz, Escrivão e Lavradores, mas a sua jurisprudência só tinha validade nos domínios da Casa do Infantado, que estava de certa forma separada do reino, pertencendo ao Infante. Em caso de intervenção militar a Casa do Infantado usava o Regimento da Casa Bragança.

D. João IV 


domingo, 5 de abril de 2015

49 - História de Capelins 

Paróquia de Santo António de Capelins

Segredos de Capelins


Na pesquisa efetuada sobre, quando, como, quem, foi o primeiro Pároco a iniciar os assentos de batizados, casamentos e óbitos, com a associação de Capelins, à Paróquia de Santo António, fomos encontrar uma situação estranha, parece-nos que, a designação de Paróquia de Santo António de Capelins, não foi pacífica e, existiu resistência. Como sabemos era o apelido da Família Judaica, Capellins. Nesta data, já existiam as Aldeias de Capelins de Cima e Capelins de Baixo, logo, seria muito normal a Paróquia adotar a mesma designação da toponimia destas aldeias, ou Paróquia de Santo António da Sina, uma vez que, se situava na Cabeça de Sina. 
O primeiro Pároco a escrever nos referidos assentos, Santo António de Capelins, foi Dionísio Gomez Inenoxo, espanhol, escreveu os assentos nesta lingua e, iniciou num assento de casamento, realizado no dia 7 de Agosto de 1797. Depois, nos seguintes, continuou a escrever Santo António, termo da Vila de Terena. Voltou a escrever Capelins, no assento de um óbito no dia 2 de Abril de 1798 e, novamente no assento de um batizado em 15 de Setembro de 1798. Entre estas datas, são vários os assentos,  em que não consta Capelins. Esta situação, diz-nos que, algum problema existiu, porque, se de facto foi a Diocese de Évora a autorizar a alteração da designação da Paróquia, em 1797, porque motivo, durante quase um ano, nuns assentos o Pároco Dionísio Gomes Inenoxo, escrevia Santo António de Capelins e, noutros, Santo António termo da Vila de Terena? Porém, a partir de 1799, já outros Párocos, continuou, sem interrupções, a denominar-se Paróquia de Santo António de Capelins.


Assento do primeiro batizado na Paróquia, já designada de Santo António de Capelins


sábado, 4 de abril de 2015

48 - História de Capelins 

Paróquia de Santo António de Capelins 


Ao investigarmos a origem da denominação de Capellins, associado à Paróquia de Santo António, fomos encontrar em Enciclopédias, Folha de S. Paulo de 1959, que nos envia para o Archivo Histórico de Portugal, sempre, a mesma informação: "Capellins teve origem no apelido de uma Família espanhola que ali se fixou. De facto existiu um Monte ou aldeia com essa toponímia". É essa a realidade mas, existem segredos sobre a referida Família que, tudo indica, se escondeu detrás de outro apelido, continuando, no entanto, a ser conhecida no local, pelos Capellins, até muito tarde. Depois de, muitas pesquisas, por diversos meios, o caminho levou-nos sempre à mesma Família, ou seja, à Família Gomes, assim, a Família Capellins, será a Família Gomes e, a Família Gomes, será a Família Capellins de origem judaica, expulsa de Espanha, pelos reis católicos, Fernando e Isabel, em 1492. 
É de salientar que, a Família Capellins, existe em muitos países, Estados Unidos, Reino Unido, Holanda, Itália, mas não existe em Portugal e Espanha, neste caso, serão Gomes/Gomez!




47 - História de Capelins 

Paróquia de Santo António de Capelins 


Por várias vezes, aqui escrevemos, sobre o desenvolvimento efetuado pela Casa do Infantado na Vila de Ferreira, (espaço geográfico da atual Freguesia de Capelins, excepto Nabais e Sina), da qual, tomou posse em 1698. A vila de Ferreira, fundada por D. Dinis em 1314, teve vários senhorios, entre os quais, a família Freire de Andrade, de 1433 a 1674, depois, foi propriedade do Infante Francisco de Bragança, neto de D. João IV, que nada fez por estas terras, doando-as, à Casa do Infantado em 1698.
A Vila de Ferreira era uma Vila Defesa, semelhante a Couto de homiziados, onde eram recebidas pessoas que tinham cometido pequenos crimes e, aqui cumpriam as penas, como forma de povoamento desta região tão afastada da Corte. As pessoas que, aqui viviam, tinham privilégios concedidos pelo reino, estavam isentos de impostos, de recrutamento para guerras por terra ou por mar, mas em troca, tinham de defender este espaço geográfico, junto à fronteira, de invasores vindos do país vizinho. A Casa do Infantado, fez grandes modificações, criou duas Defesas, a de Ferreira e da Bobadela, com as mesmas funções que a Vila tinha anteriormente. Na Defesa de Bobadela, no lugar da Cinza, rio Guadiana, existiam várias barcas, para passar pessoas, mercadorias e animais, de Portugal para Castela e vice versa, era uma zona franca de comercio, onde podiam trocar mercadorias sem pagamento de taxas aduaneiras, por isso, se abriu a estrada quase em linha reta de Terena - Callados - Cinza.
A Vila de Ferreira, já antes, se encontrava dividida em herdades, arrendads a lavradores que pagavam a renda ao senhorio, eram estes lavradores os empregadores dos jornaleiros/as e, de outros trabalhadores/as. A Casa do Infantado deu continuidade ao mesmo sistema, porém, fez um investimento que mudou a região para sempre, mandou construir cerca de 30 Montes, um em cada herdade da referida Vila. A maioria desses Montes, ainda hoje lá estão, alguns, já reconstruídos, acrescentados conforme as necessidades, ou, em grande decadência.
Assim, damos a conhecer alguns desses Montes, construídos na Vila de Ferreira, pela Casa do Infantado, nos primeiros decénios de 1700, assim como, algumas Famílias que, neles habitavam nessa época, a maioria lavradores, descendentes de cristão novos.
- Monte da Ramalha: Manoel Afonço e Maria dos Prazeres.
- Monte de S. Miguel: Furtuoso Carvalho e Tereza de Jessus.
- Monte do Acento: António Caeyro e Agueda Gomes.
- Monte de Capellins: António Roiz e Maria Luis.
- Herdade do Roncom (Roncão): António Cordeiro e Francisca Roiz.
- Monte de Callados; Salvador Dias e Joanna Ribeira.
- Monte do Maofrade: João Roiz e Izabel Falleira.
- Monte da Amadureira: Jozé Miz e Teodozia Maria
- Monte de Callados: Domingos Fiz e Maria Josefa.
- Monte da Talaveira: Manoel Alves e Joanna Roiz.
- Monte de Callados: António Dias e Izabel Caeyra.
- Monte de Callados: Manoel Cayeiro e Maria Pouzoa.
- Monte da Capeleira: Mariana Gliz
- Monte da Vinha; Joam Pouzam e Maria Gliz.
- Monte da Zorra: Manoel Nunes e Luzia de Jessus.
- Monte do Manentio: Jerónimo Dias e Caterina Francisca.
- Monte do Pinheiro: Francisco Fialho e Joaquina Vás.
- Monte das Almas: João Miz e Rozallia Soares.
- Monte do Salgueiro: João Miz Picote e Felliciana Maria.
- Monte das Almas: Vicente Viegas e Maria Mendes.
- Monte do Secho: Manoel Jorze e Anna Gliz.
- Monte da Vinha: Domingos Fiz e Maria Nunes.
- Monte do Manentio: Ignácio Fiz e Sebastiana de Jessus.
- Monte da Igreja: Manoel Pouzão e Caterina Maria. 
- Monte da Amadureira: Manoel Jozé e Maria da Assunção.
- Monte da Igreja: Maria Lopes.
- Monte das Galvoeiras: Sebastião Fialho e Leonarda Maria.
- Monte do Maofrade: Maria Tereza, filha da Igreja.
- Monte da Ramalha: Manoel Fiz Real e Maria.
- Monte do Manentio: Jerónimo Dias e Caterina Francisca.
- Monte da Zorra: Domingos Marques e Luíza Maria.
- Monte do Escrivão_ Manoel e Britis Payas.
- Monte da Figueira: Ignácio Barbas e Francisca Symões.
- Monte da Negra: António Figueira e Viollante Maria.
- Monte da Amadoreira: João Gomes e Francisca Mendes.
- Monte da Zorra: Domingos Marques e Luíza Maria.
- Monte das Galvoeiras: Fellipe Miz.
- Monte da Arrabaça: Francisco Miz e Romana Gomes.
- Monte da Vinha: Maria Nunes - Lavradora do Monte da Vinha.
- Monte das Galvoeiras: Francisco Miz, solteiro.
- Monte da Negra: Mariana Gomes - Lavradora do Monte da Negra.
- Monte da Talaveira: António Lopes - Lavrador do Monte da Talaveira.
Foram construídos outros Montes, dos quais, temos dificuldade em decifrar a sua designação. 
Moravam no Lugar de Ferreira - Monte de Ferreira, em 1700/1750, algumas Famílias, como:
- Manoel Roiz e Maria Nunes.
- António Garcia e Joaquina Maria.
- Manoel Roiz e Felliciana Coelha.

Moradores noutros Locais:
- Aldeia de Falleiros; Francisco Roiz e Josefa Maria.
- Capelins de Bacho (ainda não era aldeia, Monte de Capellins de Bacho): Manoel Gliz Grave e Caterina Maria.
- Capelins de Bacho: António Roiz e Maria Francisca.
- Aldeias de Navais, (o atual Monte de Nabais era uma aldeia em 1700...): Manoel Fiz de Paiva e Maria Gomes.
- Aldeia de Falleiros: Manoel Ribeiro e Antónia Francisca.
- Capellins de Cima - Brás Gliz e Anna Gomes.
- Capellins - Afonço Alvares e Maria da Encarnação.
Outros nomes, de habitantes destas terras, já foram aqui publicados, associados à crisma efetuada pelo Arcebispo de Évora, D. Frei Miguel de Távora em 15 de Março de 1752.
   






sexta-feira, 3 de abril de 2015

46 - História de Capelins  

Paróquia de Santo António de Capelins

Segredos de Capelins


Decorria o ano de 1712 e, já Miguel Gonçalves Gallego, se encontrava a desempenhar a sua missão como Pároco da Paróquia de Santo António, termo da Vila de Terena, mais tarde, Capelins. Ao verificarmos os assentos dos Batizados, Casamentos e Óbitos, realizados na referida Paróquia, durante o longo período que o Pároco aqui permaneceu, pelo menos 30 anos, não se encontra nenhuma tão longa, reparamos na sua assinatura, Miguel Gliz Gallego. Esta situação, deixou-nos intrigados, porque, as pesquisas efetuadas sobre os Cristãos novos, indicam-nos que, aos mesmos, foi concedida por D. Manuel I, a possibilidade de mudar o apelido de Família no momento de se tornarem Cristâos, pelo que, quase todos mudaram, sendo mais comum, os apelidos, Gliz, Miz, Fiz ou Friz, Roiz, Gomes, Nunes, Caeiro, Lopes, Mendes, Ribeiro e outros. Assim, perante um apelido Gliz num Pároco, obrigou-nos a investigar se existiram padres e freiras de origem judaica, ou seja, cristãos novos, concluímos que, de facto existiram muitos. Podemos, então, acreditar que, o Pároco Miguel Gonçalves Gallego, era descendente de Famílias de Cristãos novos, os Gliz, que mais não era do que a Família Gonçalves, como ele assina em alguns assentos de batizados, casamentos e óbitos, a partir de 1736, não encontramos nenhum mal nisso. Nesses assentos, de batizados e casamentos, junto às assinaturas de padrinhos, encontram-se muitos símbolos, associados às assinaturas, autenticas pistas, talvez, alusivas à sua fé primária, decerto consentidas pelo Pároco. Em Fevereiro de 1741, Miguel Gliz Gallego, o mesmo que, Miguel Gonçalves Gallego, foi substituído pelo Pároco Diogo Viegas de Miranda, até Novembro desse ano, data em que tomou posse da Paróquia o Pároco António de Souza e Sylva, que preparou a célebre crisma, feita pelo, Arcebispo de Évora, em 15 de Março de 1752. 



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