quinta-feira, 28 de maio de 2015

72 - História de Capelins 


As Procissões Religiosas em Honra de Nossa Senhora das 
Neves e de Santo António, em Capelins

O significado da palavra procissão é derivada do verbo latino procedere, e do substantivo processionis, que quer dizer: marchar, caminhar, ir adiante, saída solene, cortejo religioso, etc.

As procissões têm origem na Sagrada Escritura. A caminhada é um elemento muito importante na história da Salvação. No Livro do Êxodo, encontramos o povo que caminha rumo à terra prometida. O povo hebreu cumpriu, religiosamente, a ordem dada pelo Senhor e, uma vez tudo concluído, conduziu a Arca em procissão, numa caminhada de esperança, de louvor e de libertação, na presença de Deus. Também o Livro dos Números nos mostra as normas estabelecidas por Deus ao povo que caminhava. 
As primeiras procissões, dos católicos, surgiram no início do século IV, logo após a declaração de liberdade religiosa concedida pelo imperador Constantino. A partir daí as procissões realizaram-se/realizam-se em vários momentos e ocasiões. As mais comuns são: Via-Sacra, Semana Santa, Corpus Christi, procissões em honra dos santos padroeiros e de Nossa Senhora.
A Arca da Aliança, com seus querubins (anjos de ouro), não foi somente colocada num lugar de honra e destaque, onde se celebrava o culto, mas também levada pelos sacerdotes, solenemente, em procissão, dando voltas pela cidade, tocando trombetas. Foram, realmente, diversas procissões.
Por isso se fizeram/fazem caminhadas de louvor e agradecimento a Deus pelos Santos de cada Igreja, homenageando Santo Antônio, Nossa Senhora das Neves, ou outros Santos/as, cujas imagens são, a exemplo dos anjos de ouro na Arca, conduzidas para lembrar os heróis do cristianismo, pedindo também, a sua proteção para o inexplicável.
Assim se realizaram muitas procissões a Santo António, assim como, a Nossa Senhora das Neves, com tanta fé das pessoas, umas vezes pedindo auxílio para chover, porque o seu pão (cereais) estava a desaparecer devido à falta de água, outras vezes pedindo proteção contra epidemias que dizimavam populações.
Não existiam datas específicas para estas procissões, ao contrário das que integravam as Festas anuais em honra deste Santo/a, sendo o dia da procissão o mais importante da Festa.

Procissão a Nossa Senhora das Neves - 1978 







quarta-feira, 27 de maio de 2015

71 - História de Capelins 

As Irmandades Religiosas de Santo António (Capelins) entre os Séculos XVI a XVIII


Como já aqui referimos, em 1758, ainda subsistiam seis Irmandades em Santo António (Capelins), eram: Santo António, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora das Neves, Almas Santas, São Bento, e Senhor Jesus. Sobre a sua história, ainda pouco sabemos, mas esperamos, que a mesma se encontre escrita e guardada no Arquivo Distrital de Évora, em conjunto com outros assentos Paroquiais, os quais, ainda não estão digitalizadas. No entanto, podemos acrescentar que, estas Irmandades Religiosas foram muito importantes na sociedade e, neste caso, na então Vila de Ferreira (espaço geográfico da atual Freguesia de Capelins), porque nessa época a maioria dos povoadores eram descendentes de cristão novos com alguma indefinição na sua identidade religiosa. Assim, as Irmandades tiveram um papel relevante, participando na assistência espiritual e material à população do Lugar de Ferreira (nas Neves), e da própria Vila, contribuindo para a vivência do catolicismo, através da orientação doutrinal dos fiéis, da procura sacramental, do culto dos mortos, da prática da caridade e de outras atividades devotas e piedosas.
As referidas Irmandades de Santo António (Capelins), participaram na na construção da identidade de pessoas e de grupos sociais, reforçando os processos de integração e união desta comunidade, promovidos através de festas e outras cerimónias religiosas.
O que foi escrito, é uma simples resenha sobre a ação das Irmandades Religiosas na ex-Vila de Ferreira. Quando for possível consultar os documentos Paroquiais no Arquivo Distrital de Évora, esperamos dar a conhecer, algo mais, sobre esta parte da história de Capelins.  

  

terça-feira, 26 de maio de 2015

70 - História de Capelins 

Vila Romana de Ferreira - 2000 anos


O fortim do Outeiro dos Castelinhos de Ferreira implanta-se num destacado esporão junto da Ribeira do Lucefécit, fronteiro a um importante vau, adjacente a férteis solos agrícolas e a ricas jazidas mineiras. O esporão, de vertentes declivosas, apresenta uma elevada defensabilidade natural, instalando-se o conjunto edificado no topo e parcialmente nas encostas Norte e Oeste. Extensos trabalhos de escavação clandestina, levados a efeito no local, permitiram expor um impressionante conjunto arquitectónico composto por uma ampla área construída, em notável estado de conservação, com as cisternas a atingirem cerca de 2,50 m de altura visível. A construção apresenta uma grande complexidade organizativa que, à falta de um levantamento de pormenor, se torna difícil de compreender. A área edificada é constituída por dois corpos arquitectónicos principais, um no topo e outro no início da encosta Oeste, separados entre si por um corredor ou pátio, parcialmente rebaixado na rocha. Os muros exteriores de ambos edifícios apresentam uma assinalável espessura e robustez, entre 1 m e 1,50 m, e uma construção cuidada, utilizando o xisto local, por vezes em blocos de grande dimensão; os principais muros internos chegam a atingir um espessura de 0,80 cm, o que demonstra as grandes preocupações tidas com a robustez da construção. A estrutura do topo apresenta uma planta quadrangular com aproximadamente 25 m de lado, sendo constituída por um conjunto de compartimentos organizados, aparentemente, em torno de um pátio central. No seu interior são visíveis pisos em opus signinum podendo observar-se, nalguns compartimentos, restos do revestimento das paredes. O conjunto arquitectónico situado na encosta Oeste, separado do anterior por um corredor com cerca de 5 m de largura, apresenta uma planta quadrangular com cerca de 20 m x 24 m; o seu interior é substancialmente distinto do edifício do topo, apresentando três grandes tramos construtivos, com várias subdivisões, paralelos à encosta e escalonados ao longo desta. No extremo Norte deste conjunto, já na encosta Norte, situa-se a zona das cisternas. Estas destacam-se pelo seu soberbo estado de conservação, até ao arranque das abóbadas; são pelo menos quatro tanques, dois dos quais visíveis integralmente, interligados e revestidos a opus signinum. A inclusão deste sítio no grupo dos fortins parece-me óbvia, atendendo à robustez da construção e à localização privilegiada, em termos defensivos e estratégicos, ao controlar um vau da Ribeira do Lucefécit e estar adjacente a ricas jazidas mineiras. A dimensão e riqueza da área construída, tal como a impossibilidade de aferir a diacronia da ocupação, impõem algumas reservas e muitas cautelas quanto à sua inclusão no conjunto. Na primeira publicação foi classificado como "villa fortificada" , realçando-se a robustez da construção e o seu aspecto fortificado, no que se assemelhava com o Castelo da Lousa, reconhecendo-se, contudo, que os materiais não autorizavam uma cronologia tão recuada como para este último.





Vila de Ferreira Romana, em Capelins





sexta-feira, 22 de maio de 2015

69 - História de Capelins 

Ermida de Nossa Senhora das Neves, em Capelins
Santo Isidro o Lavrador 


Na Ermida de Nossa Senhora das Neves, em Capelins, existia a Imagem de Nossa Senhora das Neves (Virgem com o Menino), de madeira estofada e esculpida ao modo popular do século XVII, assim como, uma Imagem moderna da década de 1950, dedicada a Santo Isidro, Lavrador. Esta Imagem, estava num nicho aberto nesta mesma época e, decerto, oferecido pelos lavradores e pelo povo de Capelins, porque, Santo Isidro é o protetor dos lavradores e dos trabalhadores do campo, conforme podemos confirmar na história seguinte:

"Santo Isidro (Isidoro) nasceu em Madrid em 1070, filho de pais camponeses e muito pobres. A Isidro não foi permitido a frequência da escola, devido à extrema pobreza teve de começar a trabalhar no campo desde muito novo.
Foi a Igreja que substituiu a falta de livros, na ansia de conhecer as verdades da fé, todos os dias assistia à missa. 
Era notória a paciência nas contrariedades, o modo afável de tratar o próximo, a prontidão em perdoar ofensas, e à fidelidade nos patrões. A pontualidade no cumprimento dos deveres, o respeito e a modéstia e antes de tudo a grande caridade para com todos, assim, Isidro trilhava o árduo caminho da santidade.
Isidro transformava em oração os trabalhos mais pesados, oferecia tudo por amor ao seu Deus e para cumprir a sua vontade.
Enquanto lavrava, com o seu arado, o coração estava sempre com Deus, era tanta intimidade que, os outros trabalhadores e os seus patrões tinham a impressão de que ele estava em êxtase. O seu olhar era iluminador e as suas palavras cheias de ternura e mansidão.
O seu patrão chamava-se João de Vagas e soube sempre ser reconhecido ao seu mais ilustre servo Isidro que, obteve do seu patrão a autorização de assistir à missa todos os dias. Levantava-se de madrugada para cumprir as suas primeiras obrigações com Deus e com o seu patrão. 
Apesar da sua grande pobreza, dava tudo o que tinha aos ainda mais pobres e, sempre com o coração cheio de alegria.
Casou-se com Maria Turibia que, em tudo se parecia com o seu santo esposo.
O único filho do casal morreu ainda criança, e logo em seguida morreu a Maria Turibia, com fama de santa.
Um dia enquanto Isidro se detinha em contemplação e oração, o seu patrão foi ao campo e testemunhou o grande prodígio de ver um anjo a lavrar a terra.
Isidro adoeceu gravemente e faleceu na data exata que predisse a sua morte para a qual se preparou com todo o zelo, vindo a falecer no dia 11 de Maio de 1130, então com 60 anos.
Foram muitos os milagres que lhe confirmaram a grande santidade, sendo por todos muito amado.
Quarenta anos após a sua morte, o seu corpo foi transferido do cemitério para a Igreja de Santo André e, mais tarde, foi colocado na Capela do Bispo, sendo canonizado em 1622 pelo Papa Paulo V."


Santo Isidro. Lavrador


quinta-feira, 21 de maio de 2015

68 - História de Capelins 

O Milagre das Neves


Sabemos que, a atual Ermida de Nossa Senhora das Neves foi construída nos últimos decénios de 1600, ao lado do local onde existia a Igreja Matriz de Santa Maria, que tudo indica ter sido destruída por invasores, ou chegou a tal ruína que se tornou irrecuperável. Foi, então, construída a Ermida de Nossa Senhora das Neves que todos conhecemos e, como seguidamente podemos confirmar o título na sua essência não foi alterado, uma vez que, Nossa Senhora das Neves é Santa Maria, e Santa Maria é Nossa Senhora das Neves. 


NOSSA SENHORA DAS NEVES
LENDA E APARIÇÃO

Nossa Senhora das Neves é também conhecida como Santa Maria Maior
O título de Nossa Senhora das Neves é devido a uma antiga lenda segundo a qual um casal romano que pedia à Virgem  Maria luzes para saber como empregar a sua fortuna, recebeu em sonhos a mensagem de que Santa Maria desejava que lhe fosse dedicado um Templo precisamente no lugar do monte Esquilino no local que aparecesse coberto de Neve.
Isto aconteceu na noite de 4 para 5 de Agosto em pleno verão. No dia seguinte o terreno onde hoje se encontra a Basílica de Santa Maria Maior amanheceu inteiramente nevado.
Conhecemos a devoção a Nossa Senhora das Neves inclusive a data que lhe é dedicada no calendário litúrgico da Igreja Católica, o dia 5 de Agosto.

No ano de 363 vivia em Roma um ilustre descendente de nobre família romana, o qual, não possuindo herdeiros resolveu em combinação com a sua esposa consagrar a sua imensa fortuna à gloria de Deus e em honra à Santíssima Virgem Maria.
Assim, na noite de 4 para 5 de Agosto estava pensando seriamente no assunto quando a Rainha dos Céus lhe apareceu em sonhos e disse-lhe:
“.Edificar-me-eis uma Basílica na colina de Roma que amnhã aparecerá coberta de neve”
Como sabemos no início de Agosto é a época mais quente em todo o sul da Europa, incluindo na Itália, mas na verdade, no dia seguinte devido a um milagre o monte Esquilino junto de Roma estava coberto de neve.
A população da cidade acudiu ao lugar do prodígio e até o Papa Libério que recebeu a mesma revelação também em sonho acompanhado de todo o clero para lá se dirigiu.
Logo depois de iniciada a construção da Basílica foi denominada de Nossa Senhora das Neves, devido ao fenómeno climático.
Este Templo, no entanto é conhecido universalmente pelo nome de Santa Maria Maior (Basílica di Santa Maria Maggiore) por ser a mais importante de entre todas as Igrejas de Roma dedicadas à Virgem Santíssima.
A Basílica de Santa Maria Maggiore foi construída no século IV pelo Papa Libério, inspirado pelo sinal da Virgem, que como foi referido fez nevar neste local em pleno verão de Roma.
É a primeira Igreja dedicada à Virgem Maria no Ocidente e uma das mais belas e adornadas de toda a cidade. Abriga entre outras coisas um Relicário com um pedaço da manjedoura do Menino Jesus

A cada 5 de Agosto acontece uma celebração solene que lembra o milagre das neves com uma chuva de pétalas de rosas brancas, que imitam a neve.


Oração de Nossa Senhora das Neves
Oh Maria Santíssima, Mãe de Deus e Mãe nossa, por aquela sublime lição que nos destes conservando vossa alma mais cândida que a mais pura neve, desde o feliz momento da vossa Conceição Imaculada, desejando levantar em nossos corações um Templo místico consagrado ao vosso culto. Pedimos-vos todos, oh grande Virgem a graça sublime de bem cuidar de nossa perfeição interior e principalmente de conservar ilibada a santa virtude da pureza.


Nossa Senhora das Neves



sexta-feira, 15 de maio de 2015


67 - História de Capelins 


A Ermida de Nossa Senhora das Neves em Capelins


A Ermida de Nossa Senhora das Neves, monumento religioso, foi construída no último decénio de 1600, sobre as ruínas da Igreja Matriz de Santa Maria, mandada construir por D. Dinis, cerca de 1314. Aqui acudiam no dia 3 de Agosto, peregrinos de toda a região, incluindo de terras de Espanha, tal era a devoção por Nossa Senhora das Neves. Por aqui ficavam a rezar e a divertirem-se durante alguns dias.

A Ermida sofreu várias intervenções ao longo dos anos, entre as quais, a que está registada na calçada do adro de 1938.
Aparentemente, não tem nada dentro, puro engano, porque, decerto tem as ossadas retiradas das sepulturas que estavam no interior da Igreja Matriz e, também, sepulturas depois da sua construção. Como sabemos, nesta época os cristãos eram sepultados/as nas Igrejas.
Assim, pelo menos, em memória das pessoas que aqui estão sepultados/as, não devia estar abandonada e, ser recuperada quanto antes. Por quem? Vamos ver!

Ermida de Nossa Senhora das Neves - Capelins


quinta-feira, 14 de maio de 2015

66 - História de Capelins 


Os Marcos geodésicos de Capelins



Existem 2/3 marcos geodésicos na Freguesia de Capelins, aos quais não temos fácil acesso, porque alguns proprietários das terras não respeitam a legislação vigente.

Uma condição imprescindível aos marcos geodésicos é manterem-se acessíveis, porque, os donos dos terrenos circundantes não podem vedar-lhes os acessos.

Os marcos geodésicos, são propriedade do Estado, nunca Propriedade privada.

Assim:


«O proprietário do terreno onde se encontra o marco geodésico, pode vedar o terreno, desde que exista autorização por parte do Instituto Geográfico e Cadastral nos termos do artigo 23º do Decreto-Lei nº 143/82 de 26 de Abril.»
O que o artigo 23º do Decreto Lei 143/82 diz é o seguinte:
«Nenhum projeto de obras ou plano de arborização, dentro da zona de respeito (*), deve ser iniciado sem prévia autorização do Instituto Geográfico e Cadastral.»
(*) A zona de respeito do marco geodésico é uma zona circunjacente ao marco geodésico,num raio nunca inferior a 15 metros.


"O marco geodésico é propriedade do Estado, tem que estar acessível a todos os cidadãos"

Se eventualmente quisermos fazer a caminhada da "rota dos marcos geodésicos de Capelins", não podemos, mas a Câmara Municipal de Alandroal pode resolver a situação.

Assim esperamos!  

Marco geodésico do Terraço










domingo, 10 de maio de 2015

65 - História de Capelins 

Cruzeiros de Capelins


Nas imediações da Igreja de Santo António de Capelins, existem atualmente, pelo menos quatro cruzeiros que, além de outras funções se destinavam a marcar o itinerário das procissões promovidas pelas seis Irmandades que existiam nos anos de 1700: Santo António, Senhora do Rosário, Senhora das Neves, Almas Santas, S. Bento, Senhor Jesus. 
Estes monumentos religiosos estão envolvidos em mistérios e cada um tem a sua história.

"O aparecimento do Cruzeiro remonta aos primeiros séculos do cristianismo. Procurou-se cristianizar todos os sítios e monumentos pagãos. A cruz era o símbolo usado para levar a cabo o processo de cristianização.
Os Cruzeiros surgem ligados à cruz dos cristãos. São símbolos da crença de um povo, marcos apontados à fé dos caminheiros e de todos aqueles que os veneram, marcando a fé dos que os erigiram como promessa.
São padrões “ por excelência da cristandade. Em terra cristã é símbolo de crença e elemento falante na paisagem humanizada. Vai do interior de povoações, por estradas amplas e caminhos rústicos. Reduzem-se à maior simplicidade de, ou a aprimoram feição artística, de granito rude, ao mármore fino, imagem de Cristo pintada ou esculpida, em alto relevo ou em pleno corpo; ou com figuras complementares”.
Com a Contra Reforma valorizou-se ainda mais a existência do purgatório, assim como o uso de indulgências para redimir a pena por pecados cometidos. Isto originou a que fossem edificados muitos Cruzeiros para obterem em vida alguns méritos para o momento da morte.
Os Cruzeiros têm aquela rara e única beleza que a alma lhes dá e os olhos não conseguem vislumbrar e que só a fé faz ver.
Estão colocados nas bermas dos caminhos, nas praças, no alto dos montes, perto das povoações ou isoladas. São mais ou menos monumentais, com primores de pendor artístico uns, outros lisos.
Os Cruzeiros representam o espírito popular da devoção religiosa. Contudo, nem sempre esta causa foi determinante para a sua construção, pois muitos serviram para marcar acontecimentos de pendores variados e para proteger contra influências maléficas e feitiçarias os caminhos, as encruzilhadas e os largos das aldeias.
Por trás de cada Cruzeiro existe uma história relacionada com uma situação triste ou dramática, assim como uma profunda devoção.
Os Cruzeiros têm sempre uma relação directa com os mortos.
“ Nas encruzilhadas das incertezas, por onde um parte e por onde outro vem, está o cruzeiro de pedra, como testemunho das mais íntimas ânsias”
No local onde se cometeu um pecado, onde se adorou um ídolo pagão, onde aconteceu uma tragédia, uma violação, um assalto, edifica-se um cruzeiro.
Marcam, pois, locais de acontecimentos individuais ou públicos, quer históricos, quer religiosos.
Os Cruzeiros que se encontram nos adros das igrejas tinham e têm como fim santificar esses espaços. Para esta santificação são determinantes as procissões que percorrem o perímetro da igreja e dão a volta ao redor do Cruzeiro. 
Os que se localizam nas encruzilhadas tinham como função cristianizar um local entendido como maléfico pelo povo, pois aí realizavam-se rituais pagãos que remontavam ao culto dos Lares Viais.
Os Cruzeiros sagram locais, dominam e protegem os campos. Recordam epidemias, assinalam momentos históricos, pedem orações e sufrágios e servem de padrões paroquiais nos adros das igrejas e capelas.
Constituem ótimos elementos para o estudo das crenças, dos costumes, qualidades e tendências artísticas do povo, nas várias épocas da sua história.
O Cruzeiro é uma forma de oração, um convite à reflexão, como um catecismo de pedra que nos introduz nos permanentes mistérios que movem filósofos, artistas e poetas: o enigma da origem da vida, a morte e o mundo.
Cada Cruzeiro tem uma história muito particular que, em muitos casos, deveria ser incluída nos conjuntos paroquiais. 
“ O cruzeiro é inseparável da paróquia dos vivos e da paróquia dos mortos”.
"consulta sites internet" 

Cruzeiro de Capelins







64 - História de Capelins 

A Ermida de Nossa Senhora das Neves na Casa do Infantado


As nossas pesquisas sobre a história da Ermida de Nossa Senhora das Neves, levaram-nos a concluir que, a mesma, foi construída entre 1698 e 1700, (já existe em vários documentos de 1705), pela Casa do Infantado, ao lado das ruínas da Igreja Matriz de Santa Maria, (onde estão as 13 ou mais, sepulturas escavadas na rocha), mandada construir cerca de 1314, pelo rei D. Dinis.
Transcrevemos o testemunho de Túlio Espanca, no Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Évora 1978:
"Primitiva Matriz da Vila de Ferreira, com o título original de Santa Maria e já existente no ano de 1320 como vínculo do padroado real, encontra-se situada a cerca de 5 quilometros de distância, atualmente, da aldeia de Capelins, (Ferreira de Capelins).
Da traça primitiva da fundação medieval, nada existe atualmente, devendo classificar-se a subsistente como obra híbrida dos séculos XVI a XVIII, bastante pobre no domínio arquitetónico e sumptuário."
A Igreja Matriz de Santa Maria de Ferreira, pertencia ao padroado real, mas a partir de 1674 a Vila de Ferreira, integrada na Casa de Bobadela, foi doada ao Infante Francisco de Bragança, filho de D. Pedro II e neto de D. João IV. O estado a que deixou chegar a Igreja de Santa Maria, demonstra, como estava a Vila de Ferreira, tal como a sua vida, uma ruína, (faleceu cheio de dívidas). Em 1698, o Infante Francisco, era então o chefe da Casa do Infantado, e fez-lhe a doação da Casa de Bobadela. logo, também, a Vila de Ferreira, que iniciou imediatamente uma "revolução", nestas terras muitos boas em pão, gado e caça. 
Assim, concluímos que, a construção da Ermida de Nossa Senhora das Neves foi das primeiras construções efetuadas pela Casa do Infantado na Vila de Ferreira, porque, era imprescindível ao projeto que se preparava, ou seja, a divisão das terras da Vila em pequenas propriedades onde, em cada uma, seria construído um Monte, (cerca de 30), para arrendar a lavradores, uma classe muito importante nessa época, só que, quase todos, senão todos, esses lavradores eram descendentes de Judeus, Cristãos novos, logo, era fundamental, por segurança e, não dar espaço a eventuais "marranos", existir uma Ermida dentro da Vila de Ferreira, uma vez que, a de Santo António, além de ser fora da Vila e da Defesa de Ferreira, de onde alguns foragidos não podiam sair, ficava muito afastada daqui.
E, assim, aqui temos a Ermida de Nossa Senhora das Neves em ruínas e a Casa do Infantado já não lhe pode acudir!

Ermida de Nossa Senhora das Neves




terça-feira, 5 de maio de 2015

63 - História de Capelins 

Segredos da Vila de Ferreira - Terras de Capelins 


Sabemos que, até à presente data já existiram nesta região de Capelins três localidades com a toponímia Ferreira (a Vila Romana de Ferreira, a ex-Villa de Ferreira e a atual Aldeia de Ferreira). Decerto, existem segredos sobre a Vila Romana, difíceis de desvendar, não só, pela distância no tempo, mas também porque nunca foi devidamente estudada. Porém, a investigação que temos feito sobre os segredos de Capelins, conduzem-nos aos tempos da ex-Vila de Ferreira, aos séculos XV, XVI e XVII, ou seja, aos tempos da Inquisição. 
Não se encontram processos de denuncia ou acusação de heresia relativas a pessoas aqui residentes ou de foragidos, mas foram encontrados muitos esqueletos humanos em diversos locais, (Defesa de Ferreira, Herdade da Negra e outros), com indícios de terem sido assassinados e por ali sepultados, talvez pelos caçadores ao serviço da Inquisição. Parece que, é esta a base dos segredos de Capelins, quem, como, quantas pessoas aqui foram assassinadas sem qualquer hipótese de defesa.
Foi assim a Inquisição:

Foi pedida inicialmente por D. Manuel I de Portugal, para cumprir o acordo de casamento com Maria de Aragão. A 17 de dezembro de 1531 Clemente VII pela bulaCum ad nihil magis a instituiu em Portugal, mas um ano depois anulou a decisão. Em1533 concedeu a primeira bula de perdão aos cristãos-novos portugueses. D. João III, filho da mesma Dª Maria, renovou o pedido e encontrou ouvidos favoráveis no novo Papa, Paulo III que cedeu, em parte por pressão de Carlos V de Habsburgo.
Em 23 de maio de 1536, por outra bula em tudo semelhante à primeira, foi instituída a Inquisição em Portugal. Sua primeira sede foi Évora, onde se achava a corte. Tal como nos demais reinos ibéricos, tornou-se um tribunal ao serviço da Coroa.
A bula Cum ad nihil magis foi publicada em Évora, onde então residia a Corte, em 22 de outubro de 1536. Toda a população foi convidada a denunciar os casos de heresia de que tivesse conhecimento. No ano seguinte, o monarca voltou para Lisboa e com ele o novo Tribunal. O primeiro livro de denúncias tomadas na Inquisição, iniciado em Évora, foi continuado em Lisboa, a partir de Janeiro de 1537. Em 1539 o cardeal D. Henrique, irmão de D. João III de Portugal e depois ele próprio rei, tornou-se inquisidor geral do reino.
Até 1541, data em que foram criados os tribunais de CoimbraPortoLamego,Tomar e Évora, existia apenas a Inquisição portuguesa que funcionava junto à Corte em Lisboa. As Habilitações de Familiares para o Santo Ofício eram feitas para a Inquisição de Coimbra (Entre Douro e Minho, Trás os Montes e Alto Douro e Beiras), a Inquisição de Lisboa (Estremadura, Ribatejo, Ilhas e Ocidente), a Inquisição de Évora (Alentejo e Algarve) e, mais tarde, também para a Inquisição de Goa (Oriente). Em 1543-1545 a Inquisição de Évora efectuou diversas visitações à sua área jurisdicional. Mas em 1544, o Papa mandou suspender a execução de sentenças da Inquisição portuguesa e o autos-de-fésofreram uma interrupção.
Foram, então, redigidas as primeiras instruções para o seu funcionamento, assinadas pelo cardeal D. Henrique, e datadas de Évora, a 5 de Setembro. O primeiro regimento só seria dado em 1552. Em 1613, 1640 e 1774, seriam ordenados novos regimentos por D. Pedro de Castilho, D. Francisco de Castro e pelo Cardeal da Cunha, respectivamente.
Segundo o regimento de 1552 deviam ser logo registadas em livro as nomeações, as denúncias, as confissões, as reconciliações, a receita e despesa, as visitas e as provisões enviadas "para fora". A natureza dos documentos dos tribunais de distrito é idêntica, visto que a sua produção era determinada pelos regimentos e pelas ordens recebidas do inquisidor-geral ou do Conselho e obedecia a formulários.
Ao mesmo tempo, diz o livro «D. João III» de Paulo Drumond Braga, página 136, o pontífice emanou sucessivos perdões gerais aos cristãos novos em 1546 e 1547. Em 1547 Paulo III autorizou que o Tribunal português passasse a ter características idênticas aos tribunais de Castela: sigilo no processo e inquisidores gerais designados pelo Rei. No mesmo ano saiu o primeiro rol de livros proibidos e deixaram de funcionar os Tribunais de Coimbra (restaurado em 1565), Porto,Lamego e Tomar.
Em 1552 o Santo Ofício recebeu seu primeiro Regimento, que só seria substituído em 1613. Em 1545 Damião de Góis tinha sido denunciado como luterano. Em 1548 Fernão de Pina, guarda-mor da Torre do Tombo e cronista geral do reino, sofreu idêntica acusação.
No Arquivo da Torre do Tombo encontra-se abundante documentação: D. Diogo da Silva, primeiro inquisidor-mor, nomeou um conselho para o coadjuvar, composto por quatro membros. Este Conselho,do Santo Ofício de 1536 foi a pré-figuração do Conselho Geral do Santo Ofício criado pelo cardeal D. Henrique em 1569 e que teve regimento em 1570. Entre as suas competências, saliente-se: a visita aos tribunais dos distritos inquisitoriais para verificar a atuação dos inquisidores, promotores e funcionários subalternos, o cumprimento das ordens, a situação dos cárceres. Competia-lhe a apreciação e despacho às diligências dos habilitandos a ministros e familiares do Santo Ofício, julgar a apelação das sentenças proferidas pelos tribunais de distrito, a concessão de perdão e a comutação de penas, a censura literária para impedir que entrassem no país livros heréticos; a publicação de índices expurgatórios; as licenças para impressão.
A Inquisição foi extinta gradualmente ao longo do século XVIII, embora só em 1821 se dê a extinção formal em Portugal numa sessão das Cortes Gerais. Porém, para alguns estudiosos, a essência da Inquisição original, permaneceu na Igreja Católica através de uma nova congregação: A Congregação para a Doutrina da Fé.
Baseado Wikipédia  



segunda-feira, 4 de maio de 2015

62 - História de Capelins 

Terras de Capelins 

Capelins (Santo António)

Capelins é uma freguesia portuguesa do concelho do Alandroal, com 87,14 km² de área e 527 habitantes (2011). Densidade: 6 hab/km². Tem o nome alternativo de Santo António, sendo que o nome oficial da freguesia é Capelins (Santo António).
Localizada na extremidade sueste do concelho, a freguesia de Capelins tem por vizinhos as localidades de Santiago Maior a oeste, Terena a noroeste e Nossa Senhora da Conceição (Alandroal) a norte, os municípios de Mourão a sueste e Reguengos de Monsaraz a sudoeste e a Espanha a leste.
Esta freguesia pertenceu, até 1836, ao extinto concelho de Terena. Fazem parte desta freguesia os aglomerados populacionais de Ferreira de Capelins e Montes Juntos.

Freguesia de Capelins (Santo António) - Concelho de Alandroal 

Enclave do Grande Lago de Alqueva



domingo, 3 de maio de 2015

61 - História de Capelins 

Aldeias de Capelins de Baixo e Capelins de Cima - 300 anos


A História de Capelins, com mais de 5.000 anos, encontra-se escrita, embora, continue com correções, à medida que vão surgindo novos dados de relevo. Todos os assuntos constantes nesta história foram confirmados através de documentos, da indicação dos locais onde alguns se encontram e, há casos completados por analogia a situações que se encontram registadas e que se passaram em regiões vizinhas.
Temos escrito que, Capelins de Baixo e Capelins de Cima. surgiram no primeiro/segundo decénio de 1700, começaram por ser Montes, construídos pelos Lavradores da Casa do Infantado, a qual, tomou posse do senhorio da Vila de Ferreira, incluída na Casa de Bobadela em 1698.
A melhor e mais interessante fonte de informação, são os assentos Paroquiais e outros documentos produzidos pelos Párocos ou Curas em Santo António, desde 1633.
No assento Paroquial a seguir publicado, podemos verificar que, em 10 de Outubro de 1712 já existia Capelins de Cima e, decerto Capelins de Baixo.

Assento do óbito de Maria Roiz, de 10 de Outubro de 1712, moradora nesta data, em Capelins de Cima, feito pelo Pároco Miguel Gonçalves Gallego:

http://digitarq.adevr.arquivos.pt/viewer?id=995924 





sábado, 2 de maio de 2015

60 - História de Capelins 

Vila de Ferreira - termo (Concelho) de Terena


Como sabemos, as terras de Capelins, (Vila de Ferreira), pertenceram ao termo (Concelho) de Terena, entre 1262 e 1698. A partir desta data a Vila de Ferreira foi um Concelho do Estado do Infantado, entre 1698 e 6 de Novembro de 1836. Por isso, esta região, hoje Capelins, entre aquelas datas, esteve sempre associada a Terena. Como já aqui referimos D. João I, ajudou na construção do Castelo de Terena, com 4.000 libras, pedindo em troca algumas terras para coutadas de caça. Foram-lhe cedidas, parece que, quatro coutadas reais, ou montarias. Já conhecíamos uma dessas montarias do reino, na herdade da Cabeça de Sina, junto à Vila de Ferreira, agora, viemos encontrar este documento da doação do Couto que existia na herdade que o rei tinha em Terena, mas pensamos não ser o da Cabeça de Sina, visto conhecermos o documento da sua doação por D. Duarte em 1433 a D. Gomes Freire de Andrade, senhor da Vila de Ferreira. 
Assim, não conseguimos saber onde era essa herdade do rei D. Duarte! Sabemos, sim, que D. Nuno Martins da Silveira, foi o primeiro Alcaide Mor de Terena
Talvez fosse a herdade da Boeira, porque a mesma, mais tarde, veio pertencer à Casa Bragança, (Avis)!


NUNO MARTINS DA SILVEIRA, CRIADO DO REI, CAVALEIRO,DO CONSELHO E ESCRIVÃO DA PURIDADE

NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/TT/CHR/H/0001/271
TIPO DE TÍTULO
Formal
DATAS DE PRODUÇÃO
1434-01-28 A data é certa a 1434-01-28 A data é certa
ÂMBITO E CONTEÚDO
COUTO DA HERDADE QUE TEM NO TERMO DE TERENA
COTA ATUAL
Chancelaria de D. Duarte I, liv. 1, fol. 42
Castelo de Terena


.



sexta-feira, 1 de maio de 2015

59 - História de Capelins 

Aldeia de Montes Juntos - 300 anos 


A Aldeia de Montejuntos, na Freguesia de Capelins, tem o seu início no primeiro/segundo decénio de 1700, estando por estes dias/anos (2016), a completar 300 anos de existência, não com essa designação, porque, começou por ser um conjunto de Montes construídos pelos Lavradores da Casa do Infantado, detentora do Senhorio da Vila de Ferreira, entre 1698 - 1834, ou seja, do espaço geográfico que constitui atualmente a Freguesia de Capelins, excepto as herdades de Nabais e Sina, sendo esta última uma coutada real, desde D. João I, também, doada ao Senhor da Vila de Ferreira, D. Gomes Freire de Andrade, em 1433, por D. Duarte.
No espaço que veio ser Montejuntos, os Lavradores construiram os seguintes Montes: Monte da Capelleira,  Monte das Galvoeiras, Monte do Salgueiro, Monte do Manentio, Monte das Almas, e talvez outros, os quais, foram habitados pelos Lavradores, seareiros e outros, descendentes, ou não, de Judeus, Cristãos novos. Em cada um destes Montes, encontramos mais de uma Família, com apelidos: Fiz ou Friz (Fernandez), Miz (Martinez), Roiz (Rodriguez), Gliz (Gonçalvez), Gomez e outros, como em toda a Freguesia, pelo que, os Montes tinham dimensões para acolher várias Famílias. 
A toponímia de Montes Juntos, (Montejuntos), embora conste nos Assentos Paroquiais a partir de 1820/1830, só foi oficializada por Decreto de 6 de Novembro de 1836, de Mouzinho da Silveira, quando, também, foram extintas as Aldeias de Capelins de Baixo e Capelins de Cima, que deram lugar à Aldeia de Ferreira, englobada, tal como a de Montejuntos, na Freguesia de Capelins, que até essa data, se designava por Freguesia de Santo António, termo da Vila de Terena, passando, assim, para o concelho de Alandroal. 

Montejuntos





198 - Terras de Capelins Vidas do Contrabando e dos guardas fiscais nas terras de Capelins  História, lendas, contos e tradições da...