domingo, 23 de agosto de 2015

96 - História de Capelins

Terras de Celtas
Conforme podemos verificar nos relatórios e registos elaborados por diversos arqueólogos que, ao serviço da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA, SA), efetuaram o Levantamento arqueológico e patrimonial do Alqueva, foram encontrados vestígios arqueológicos nos vales, do Guadiana, Lucefécit e Azevel, dentro da Freguesia de Capelins, que provam ser esta região habitada desde à cerca de 5000 anos, provavelmente, pelos Iberos, e mais tarde por outros povos que foram surgindo na Península Ibérica, entre eles, os Celtas.
Celtas é a designação dada a um conjunto de povos (um etnónimo), organizados em múltiplas tribos e pertencentes à família linguística indo-europeia que se espalhou pela maior parte do Oeste da Europa a partir do segundo milénio a.C.. A primeira referência literária aos celtas (Κελτοί) foi feita pelo historiador grego Hecateu de Mileto no século VI a.C..


Boa parte da população da Europa ocidental pertencia às etnias celtas até à eventual conquista daqueles territórios pelo Império Romano; organizavam-se em tribos, que ocupavam o território desde a Península Ibérica até à Anatólia. A maioria dos povos celtas foi conquistada, e mais tarde integrada, pelos Romanos, embora o modo de vida celta tenha, sob muitas formas e com muitas alterações resultantes da aculturação devida aos invasores e à posterior cristianização, sobrevivido em grande parte do território por eles ocupado.
Existiam diversos grupos celtas compostos de várias tribos, entre eles os bretões, os gauleses, os escotos, os eburões, os batavos, os belgas, os gálatas, os trinovantes e os caledónios. Muitos destes grupos deram origem ao nome das províncias romanas na Europa, as quais mais tarde baptizaram alguns dos estados-nações medievais e modernos da Europa.
Os celtas são considerados os introdutores da metalurgia do ferro na Europa, dando origem neste continente à Idade do Ferro (culturas de Hallstatt e La Tène), bem como das calças na indumentária masculina (embora essas sejam provavelmente originárias das estepes asiáticas).
Fonte: Wikipédia
Casa dos Celtas


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

95 - História de Capelins 

Segredos da Villa Defesa de Ferreira, termo da Villa de Terena (Atual Freguesia de Capelins)


Na continuidade das pesquisas sobre a história de Capelins, com base em diversos documentos oficiais, concluímos que, o senhorio da Villa Defesa de Ferreira, do termo (Concelho) de Terena. entre 24 de Março de 1376, (Era de César 1414) até 19 de Dezembro de 1378, pertenceu, de facto,  à Infanta Dª Brites/Beatriz de Castro, Condessa de Albuquerque, meia irmã do rei D. Fernando, filha de D. Pedro I e de Dª Inês de Castro. Como existiam dúvidas se a referida Dª Beatriz, tinha, ou não, sido reconhecida como Infanta, transcrevemos o que consta, neste caso, na Wikipédia, sobre esse assunto:

Beatriz de Portugal, Condessa de Alburquerque

Infanta Beatriz de Portugal (ca. 1347 — 5 de julho de 1381) era filha do Rei Pedro I de Portugal e de Inês de Castrodama galega que chegou a Portugal como aia de Constança Manuel, recentemente casada com D. Pedro, príncipe herdeiro da coroa na altura.
Beatriz nasceu em Coimbra entre 1347 e 1351, não se sabendo ao certo o seu ano de nascimento. Tornou-se Condessa de Albuquerque ao casar-se com Sancho de Castela, filho do rei Afonso XI de Castela e sua amante Leonor de Gusmão. Faleceu em 1381.
Quanto à questão de Beatriz ter sido uma legítima Infanta de Portugal ou, tão-só, uma filha natural de Pedro I a quem o título de Infanta nunca deveria ter sido atribuído, a verdade é que após a morte de Inês de Castro, e de haver subido ao trono, D. Pedro I tudo fez para legitimar os filhos de ambos. E de tal maneira o conseguiu que, já sendo falecida Beatriz, João das Regras, nas Cortes de Coimbra de 1385, depois de ter demonstrado com documentos na mão que o Papa Inocêncio VI se recusara a legitimá-la e aos seus dois irmãos, disse o seguinte: Ora vedes aqui, sem mais acrescentar ou minguar, toda a história, como se passou, do casamento de dona Inês e legitimação de seus filhos, a qual eu quisera escusar por honra dos Infantes, posto que sejamos em tal passo; e entendo que isso fora melhor do que me fazerem publicar de praça e semear para sempre a sua incestuosa nascença. Ou seja, João das Regras, mesmo após lamentar ter sido obrigado a exibir as provas deles serem ilegítimos, continua, apesar disso, a chamar-lhes Infantes. Melhor prova do que esta de que ela e os seus irmãos eram realmente reconhecidos como Infantes não podia haver.
Dª Beatriz de Castro



quarta-feira, 12 de agosto de 2015

94 - História de Capelins 

Segredos da Villa Defesa de Ferreira, termo da Vila de 
Terena

Conforme podemos verificar neste primeiro documento do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, ANTT, o rei D. Fernando fez esta carta de doação dos Lugares de Ferreira, Terena e outros, a sua filha a Infanta Dª Beatriz, no dia 03-11-1379. Alguma coisa não pode estar certa, uma vez que, no documento anterior do ANTT, está exatamente a mesma informação, mas com a data da doação em 24 de Março de 1376. É por isso que nos parece ser a doação em 24 de Março de 1376 à Infanta Dª Beatriz de Castro, meia irmã do rei D. Fernando, que depois lhe retirou esses bens por carta de 19 de Dezembro de 1378, doando-os a sua filha a Infanta Dª Beatriz em 03-11-1379, estando correta esta última informação.
Temos outros comprovativos, como um selo em chumbo pendente de fios de seda encarnada, e verde, com esta letra: 
"Sigillium Domini Fernamdi Portugalie e Algarbii Regi" e se conserva tão perfeito, como fica aberto. Está em huma doação feita à Infanta Dª Brites/Beatriz das Villas e Lugares de (...), Ferreira, Terena, com data do primeiro documento, 1376. Está na Casa da Coroa, gaveta 3, maço 2.Em lado algum se verifica que a Infanta Dª Beatriz era a filha de D. Fernando. Para nós, entendemos que a doação de 24 de Março de 1376 foi à sua meia irmã Beatriz de Castro e a de 03-11-1379 à sua filha Beatriz.


CARTA DE DOAÇÃO FEITA POR D. FERNANDO À INFANTA D. BEATRIZ, SUA FILHA, DAS VILAS DE ÉVORA-MONTE, FERREIRA, TERENA, LOUSÃ, PEDRÓGÃO, FIGUEIRÓ, ALCÁÇOVAS, ARGANIL, PENACOVA, SANTA COMBA, MORTÁGUA E OUTRAS
NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/TT/GAV/3/4/5
TIPO DE TÍTULO
Atribuído
DATAS DE PRODUÇÃO
1379-11-03 A data é certa a A data é certa
DATAS DESCRITIVAS
Santarém
DIMENSÃO E SUPORTE
1 doc.; perg.
ÂMBITO E CONTEÚDO
Tem vestígio de selo pendente (apenas a perfuração do suporte).
CONDIÇÕES DE ACESSO
Retirado da consulta.
COTA ATUAL
Gavetas, Gav. 3, mç. 4, n.º 5
IDIOMA E ESCRITA
Português
CARATERÍSTICAS FÍSICAS E REQUISITOS TÉCNICOS
Pregas, vincos, rugas. Rasgões.
EXISTÊNCIA E LOCALIZAÇÃO DE CÓPIAS
Portugal, Torre do Tombo, Núcleo de Arquivo Fotográfico NAF/08995 a 08997.
UNIDADES DE DESCRIÇÃO RELACIONADAS
Relação sucessora:
Portugal, Torre do Tombo, Leitura Nova, liv. 35 (Livro 6 de Místicos), f. 18 v., coluna 1.
Transcrito sumariamente em Portugal, Torre do Tombo, Reforma das Gavetas, liv. 7, f. 83.
Outra prova, que é a ultima data, 1379, a que efetivamente D. Fernando fez a doação daqueles Lugares a sua filha Dª Beatriz é a nomeação dos Curadores, conforme a carta seguinte:

CARTA PELA QUAL D. FERNANDO NOMEAVA CURADORES A SUA FILHA D. BEATRIZ E LHE FAZIA DOAÇÃO DE ÉVORA-MONTE, ALCÁÇOVAS, FERREIRA, TERENA, LOUSÃ E OUTROS LUGARES
NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/TT/GAV/3/9/6
TIPO DE TÍTULO
Formal
DATAS DE PRODUÇÃO
1379-11-03 A data é certa a A data é certa
DATAS DESCRITIVAS
Santarém
DIMENSÃO E SUPORTE
1 doc.; perg.
COTA ATUAL
Gavetas, Gav. 3, mç. 9, n.º 6
IDIOMA E ESCRITA
Português
CARATERÍSTICAS FÍSICAS E REQUISITOS TÉCNICOS
Manchas de coloração variável.
UNIDADES DE DESCRIÇÃO RELACIONADAS
Relação sucessora:
Portugal, Torre do Tombo, Reforma das Gavetas, liv. 7, f. 152.


93 - Terras de Capelins

Segredos da Villa Defesa de Ferreira, termo de Terena

As nossa investigações sobre a história da Villa Defesa de Ferreira, termo de Terena (atual Freguesia de Capelins), indicam-nos que, entre 1376 e 1385, o seu senhorio pertenceu a duas Infantas com o mesmo nome Beatriz ou Brites (Tia e sobrinha). 
No presente documento, uma carta do rei D. Fernando, este faz a doação de várias Vilas e Lugares, entre os quais, Ferreira e Terena, à Infanta Dª Beatriz. No verdadeiro documento, não se verifica que efetivamente fosse a sua filha, que era realmente "Infanta Dª Beatriz", mas nessa mesma época existia outra Infanta com o mesmo nome, a Infanta Dª Beatriz, Condessa de Albuquerque, meia irmã do rei D. Fernando, ou seja, também filha de D. Pedro I, mas de Dª Inês de Castro e, tudo indica que foi a esta Infanta que no dia 24 de Março de 1376, (Era de César de 1414) que D. Fernando fez a referida doação, a qual, na indicação do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, foi a sua filha, situação que vamos contestar muito em breve. Isto porque:

Por carta de 19 de Dezembro de 1378, por motivo de a Infanta Dª Beatriz, meia irmã do rei D. Fernando ter conspirado para a sua morte, através daquele documento, foram-lhe retirados os bens e os Lugares de Terena e Ferreira foram entregues a Fernando Afonso de Albuquerque. Conforme: Arquivo Nacional da Torre do Tombo, (Chancelaria D. Fernando I. II, f. 36 v).
Como retirava D. Fernando esses bens à sua meia irmã em 19 de Dezembro de 1378 se não lhe tivesse feito anos antes a sua doação? Depois, para complicar a situação, o Arquivo Nacional da Torre do Tombo publica outro documento a informar que, o rei D. Fernando fez exatamente a mesma doação a sua filha no dia 03-11-1379. Esta sim, pensamos estar correta. será portanto, só a partir desta data que o senhorio de Terena e Ferreira, passaram a pertencer à outra Infanta Dª Beatriz e filha do rei D. Fernando, que casou com D. João I de Castela, já viúvo.


CARTA DE DOAÇÃO, FEITA PELO REI D. FERNANDO A SUA FILHA, D. BEATRIZ, DOS LUGARES DE ÉVORA-MONTE, ALCÁÇOVA, FERREIRA, TERENA, LOUSÃ, ARGANIL, PEDRÓGÃO, PENACOVA, SANTA COMBA, MORTÁGUA E OUTROS, COM TODOS OS SEUS DIREITOS, RENDAS E PADROADOS DAS IGREJAS
NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Documento simples Documento simples
CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/TT/GAV/3/2/9
TIPO DE TÍTULO
Formal
DATAS DE PRODUÇÃO
1376-03-24 A data é certa a A data é certa
DATAS DESCRITIVAS
Alcanhões
DIMENSÃO E SUPORTE
1 doc.; perg.
ÂMBITO E CONTEÚDO
Tem vestígio de selo pendente por trancelim de fios verdes e encarnados.
COTA ATUAL
Gavetas, Gav. 3, mç. 2, n.º 9
IDIOMA E ESCRITA
Português
UNIDADES DE DESCRIÇÃO RELACIONADAS
Relação sucessora:
Portugal, Torre do Tombo, Leitura Nova, liv. 35 (Livro 6 de Místicos), f. 19 v.
Transcrito sumariamente em Portugal, Torre do Tombo, Reforma das Gavetas, liv. 7, f. 32.






terça-feira, 11 de agosto de 2015

92 - Terras de Capelins 

Singela homenagem a outra Ferreira - do Alentejo
Por vezes, quando investigamos o passado da Villa de Ferreira Medieval, do termo de Terena, surgem respostas relacionadas com a outra Ferreira - do Alentejo, pertencente a Beja e, obviamente, não a Terena. No entanto, para não existirem dúvidas, somos obrigados a seguir em paralelo a história das duas Ferreiras. Assim, também, como simples homenagem, damos a conhecer um pouco da história de Ferreira do Alentejo que, conforme podemos verificar, a partir de 1233, na Ordem de Santiago da Espada, seguiu uma trajetória muito diferente da seguida pela Ferreira, do termo de Terena:

Ferreira do Alentejo, o Concelho e a Vila.
História
As origens da ocupação humana no território do concelho de Ferreira do Alentejo remontam ao final do Neolítico, como atesta o espólio arqueológico abundantemente encontrado ao logo das margens da ribeira de Vale d´ouro e no povoado do Porto Torrão.
O concelho foi doado em 1233 à Ordem de Santiago da Espada que construiu, na zona mais alta e estratégica de Ferreira, um imponente castelo. Porém, em 1838, por deliberação da Junta de Paróquia, o castelo, já arruinado, foi demolido e, no seu lugar, construiu-se o cemitério público.
Dependente, espiritualmente, do bispado de Évora, só em época mais tardia se definiu a circunscrição administrativa autónoma pelo floral da Leitura Nova, concedido em Lisboa a 5 de Março de 1516 por D. Manuel I.
O topónimo da vila está intimamente ligado a uma tradição popular, a lenda da cidade de Singa, que afirma que por volta do século V uma valorosa mulher, esposa de um ferreiro, defendeu o povoado dos invasores bárbaros.
“ A percorrer o Alentejo, nem me fadigo, nem cabeceio de sono, nem me torno hipocondríaco. Cruzo a região de lés a lés, num deslumbramento de revelação. Tenho sempre onde consolar os sentidos, mesmo sem recorrer aos lugares selectos dos guias.”
Miguel Torga
In Portugal - Alentejo

Ferreira do Alentejo


161 - Terras de Capelins Gastronomia das Terras de Capelins Sopa de tomate com ovos e bacalhau Ingredientes: - 2 postas de ...