domingo, 31 de julho de 2016

21 - Terras de Capelins 

A genuína rota do contrabando de Ferreira de Capelins - Bispas - Amadoreira - Defesa da Bobadela - Moinhos Novos - Além Guadiana 

Tivemos muitas conversas com os antigos contrabandistas que transportavam café entre Ferreira de Capelins e algumas localidades localizadas na vizinha Espanha.
Era uma vida muito dura e se a viagem corresse mal podiam ficar sem nada, mesmo sem a própria vida!
Iam até aos Moinhos Novos, ou outros locais, passavam de barco a remos para a outra margem do rio Guadiana! Com 30 Kg de café camêlo às costas, saíam de Ferreira pelas 22/23 horas e faziam rapidamente em cerca de 1:15 horas a viagem a pé até ao rio Guadiana! Quanto mais escuro melhor! se chovesse mais descansados iam! conheciam tão bem o caminho que não era precisa qualquer luz! Em Espanha, o perigo era dobrado, mas tinham de continuar!
20 - Terras de Capelins 

Genuína Rota do Contrabando de Ferreira de Capelins 


Foi neste lugar que se deu um dos últimos episódios do contrabando de café. 



Numa noite escura pelas 22:00 horas, sairam de Ferreira de Capelins, do depósito de café, dois contrabandistas com 30 Kg de café às costas, a caminho das habituais localidades de Espanha entre as quais São Bento da Contenda (em castelhano San Benito de la Contienda), quando já caminhavam ao fundo dessas casas diz o Manel para o P.:

- Esqueceu-me uma coisa muito importante lá em casa e tenho que a levar para Espanha, esperas aqui com as cargas que eu depressa lá vou.
- Eh pá uma destas não esperava vamos atrasar a viagem! - Depois vamos mais depressa e recuperamos o tempo! vá espera aqui. E lá foi o Manel buscar a encomenda, ficando o P. ali amagado à espera. De verdade, não se demorou nada, mas foi o suficiente para ser bispado pela Guarda Fiscal, que vieram no seu encalço sem se mostrarem. Chegou ao lugar onde tinham as cargas e puseram-se a descer esta estrada, logo um pouco abaixo o P. ouviu uns passos de corrida, ficou alerta e diz ao Manel: Tu não ouves uns passos de corrida? É mais de uma pessoa, de certeza que é a Guarda Fiscal, que te viram e vêm atrás da gente. Eu não ouço nada, não pode ser a Guarda, ninguém me viu. Porém, os passos eram cada vez mais audíveis e já com toda a certeza que era de facto a Guarda, mas não dava para fugir porque estavam mesmo muito perto. Junto ao Ribeiro do Quebra, ouvem um grito: Alto aí, que é a Guarda. Caramba, já não nos safamos diz o P. e pararam logo, ainda carregados com o café. Diz um Guarda: Ah são vocês, então o café é do A! Sim é dele diz o P. - Pois é! como é que agora fazemos isso, não o podemos deixar abalar, por isso, vocês põem o café no chão e vão-se embora, nós levamos o café para o Posto (Montes Juntos) e vocês fugiram, fica tudo resolvido. Está bem, diz o P. também andamos pouco, olha vamos para casa deitar e ficou o assunto arrumado. Até amanhã. E lá vão os Guardas Fiscais carregados com 60 Kg de café até ao Posto de Montes Juntos com uma grande apreensão de café feita aos amigos contrabandistas de Ferreira de Capelins. No dia seguinte e todos os outros, passaram 3 camionetas, carregadas para o rio Guadiana pelo meio de Montes Juntos, nas barbas do plantão à porta do Posto! Parece ironia!...mas é verdade, as camionetas levavam guia de transporte, os "burros" não! 


São Bento da Contenda 






19 - Terras de Capelins
Segredos de Capelins
Como sabemos, existem muitas necrópoles (cemitérios da idade média) na Freguesia de Capelins. Quando nos anos 50/60 começaram a fazer lavouras com tratores, mais profundas, surgiram muitas sepulturas em várias zonas da Freguesia, todas muito semelhantes. Sendo uma região muito povoada por Cristãos novos de origem judaica, a partir de 1500, levou-nos a pensar que algumas, senão todas, as sepulturas pertenciam a "marranos" (Falsos cristãos) que não desejavam ser sepultados em solo cristão (dentro da Igreja de Santa Maria nas Neves ou Santo António). Há poucos dias, em conversa com um Capelinense que, com outros abriram muitas sepulturas na herdade da Defesa de Ferreira, afirmou-nos que em todas essas sepulturas existia uma vasilha de barro, de que povo seriam? A nossa resposta foi: "eram de judeus, que aqui habitaram muitos anos e dos quais alguns de nós somos descendentes". Porém, a partir da indicação que todas as sepulturas tinham a vasilha de barro, fomos verificar qual o povo que usava esse objeto em sepulturas. E foi com alguma surpresa que concluimos, não serem os judeus, mas sim os romanos. Assim, essas sepulturas/ necrópoles que existem por vários lugares da nossa Freguesia, pelos menos 8, serão de romanos e que dessa forma nos indicam as zonas por eles habitadas, lugares que nos surpreendem, por ser tão perto da atual aldeia de Ferreira de Capelins
18 - Terras de Capelins

Histórias de Vidas do contrabando, um passado esquecido!

Caminhos do Contrabando de Ferreira de Capelins - Além Guadiana 

30 perguntas...30 respostas e muitas histórias passadas nos caminhos do contrabando.

Uma das localidades frequentada pelos contrabandistas de Ferreira de Capelins era São Jorge de Alôr, já na serra do mesmo nome. Ficava distante de Ferreira de Capelins, mas era muito segura e faziam-se boas vendas do dito café. A segurança era mantida pelo Ti Farinha, natural da aldeia do Outeiro e casado com uma senhora espanhola, dessa aldeia. O Ti Farinha tinha uma estratégia infalível que garantia a segurança a todos os contrabandistas face ao seu inimigo que era a guarda civil à qual chamavam os "carabineiros", que nesta àrea do Concelho de Olivença, eram muito perigosos, porque andavam a cavalo pelas aldeias e pelo campo. Porém, não faziam farinha, com o Ti Farinha, porque tinha sempre 3/4 homens de serviço, sentados em bancos, petiscando e bebendo alguns copitos e assim que os contrabandistas apareciam perto de São Jorge, no caso de a guarda lá estar ou por perto, levantavam os braços em sinal e eles logo se afastavam e escondiam, quando o caminho estava livre, os mesmos homens faziam sinal para os contrabandistas se aproximarem. 
O Ti Farinha até tinha uma choça (tipo cabana) para dar abrigo aos contrabandistas. 
Então, e o que ganhava o Ti Farinha com essa mordomia? 
Em breve lhe contamos!

São Jorge da Lor
São Jorge da Lor (em espanhol San Jorge de Alor) ou São Jorge de Olor é uma aldeia do município de Olivença. Até 1801 constituía uma freguesia deste concelho e tinha nesta data 404 habitantes.
Situada a 5 km de Olivença em direcção a SE, a aldeia constitui um núcleo urbano de muito interesse pela personalidade que lhe conferem as suas monumentais chunés (chaminés, no Português oliventino). Depois de São Bento da Contenda, é a maior das aldeias de Olivença.
Assentada no sopé da Serra da Lor, a 5 km. da Vila, constitui um conjunto marcadamente rural, com a fisionomia tradicional pouco alterada, destacando-se a sua arquitectura popular alentejana .
O centro do povoado e sua construção mais destacada é a igreja paroquial de S. Jorge, obra do século XVI. De pequenas proporções e endossada a outros edifícios, é em alvenaria caiada. O seu singelo portal é de desenho claramente popular, com triplo campanário. Interiormente, compõe-se de átrio de acesso, nave de três corpos, cruzeiro com abobado de aresta, cabeceira quadrangular e três grandes capelas anexas. Como sempre, a sua arquitectura espelha as formas populares alentejanas.



17 - História de Capelins 

Património Arqueológico das terras de Capelins

Em muitos lugares da atual Freguesia de Capelins, encontramos testemunhos arqueológicos deixados por povoadores que aqui passaram e ficaram, desde há cerca de 5000 anos. Alguns desses testemunhos encontram-se hoje submersos nas águas da barragem de Alqueva que ocupa grande área desta Freguesia. Foi o levantamento arqueológico nos vales do rio Guadiana e das Ribeiras de Lucefécit e Azevel efetuados pela empresa responsável pela construção da referida barragem que nos deu a conhecer alguns lugares que quase ninguém dava importância. As maiores evidências são da época romana, com cerca de 2.000 anos que se encontram por muitos lugares nesta Freguesia, com maior destaque para a Villa Romana de Ferreira, na Defesa de Ferreira, junto à Ribeira do Lucefécit, onde foram achados muitos artefactos pertencentes a esse povo.
Sabemos que os romanos fundaram e viveram na Vila de Ferreira, no Escrivão, Negra, Roncão, Amadoreira e Defesa da Bobadela, mas hoje concluímos que afinal habitaram em toda a Freguesia, mesmo em lugares onde não se encontram ruínas evidentes da sua passagem. Como já aqui referimos foram abertas muitas sepulturas que sempre pensamos serem de judeus, puro engano, são de romanos porque todas essas sepulturas tinham no seu interior uma vasilha de barro.
Na década de 1940/50, o ti António e o ti B. Busca (já falecido), trabalhavam na casa Dias, na Defesa de Ferreira e abriram muitas dessas sepulturas nos chamados ferragiais e outros lugares, sempre na esperança de encontrar algum tesouro dentro de alguma sepultura, porém todas tinham dentro os ossos bem conservados e a vasilha de barro. O ti B. Busca (homem alto), tinha sempre de saber qual a altura da pessoa ali sepultada, assim, media os ossos das pernas do esqueleto e comparava-os com os seus e quase todos lhe indicavam que a pessoa ali sepultada era mais alta do que ele, o que causava grande surpresa e ficava a dúvida: "quem seriam aquelas pessoas?". Hoje tudo nos indica que aquelas pessoas foram romanos e romanas habitantes das terras de Capelins há 2.000 anos! 





16 - Terras de Capelins

Caminhos do Contrabando, um passado esquecido!



Ferreira de Capelins - São Jorge de Alôr


Como já tinhamos referido anteriormente, alguns contrabandistas de Ferreira de Capelins, seguiam diretamente para algumas localidades do Concelho de Olivença, entre as quais, São Jorge de Alôr, situada na serra da Lor ou Alôr, onde residia o Ti Farinha, português, natural da aldeia do Outeiro - Monsaraz e casado com uma senhorita espanhola. O Ti Farinha tinha uma casa de comércio, onde vendia bebidas, petiscos e outros produtos à entrada da aldeia, lugar estratégico para controlar quem por ali entrava ou saía de S. Jorge, assim, havia sempre dois ou três homens, que além de beberem o seu copito, estavam de guarda à guarda civil (Carabineiros) que apareciam a cavalo e estavam algum tempo pela aldeia, então esses homens tinham por missão avisar os contrabandistas da presença da guarda. Quando a guarda civil se afastava faziam sinal que já podiam entrar na aldeia e vender o seu café. Em contarpartida, os contrabandistas davam de quando em quando 1/2 Kg de café ao Ti Farinha, abancavam na sua Taberna a comer e beber alguma coisa e ficava tudo pago, um bom negócio para todos! O Ti Farinha ainda dava abrigo aos contrabandistas, para descansarem em segurança, durante algumas horas, ou mesmo uma noite, numa choça junto à sua casa, que eles muito agradeciam, devido ao cansaço, era um hotel de cinco estrelas! O Ti Farinha ajudou muito os contrabandistas d' aquém Guadiana, Bem Haja! 

São Jorge de Alôr - Espanha


15 - Terras de Capelins 



Histórias de vidas do contrabando, um passado esquecido! 




Os caminhos do contrabando de Ferreira de Capelins - 

Além Guadiana - São Bento


da Contenda (San Benito de la Contienda) 

Numa noite muita escura do anos de 1970, saíram de Ferreira de Capelins os contrabandistas Ti A. e Ti M. (ainda cá estão, com mais de 80 anos), com 30 Kg de café cada um às costas, com destino direto à aldeia de São Bento da Contenda, no Concelho de Olivença. Quando chegaram, começaram a oferecer café e com grande surpresa ninguém queria comprar um único Kg. A razão foi porque antes deles tinham ido uns contrabandistas da Mina do Bugalho e tinham enchido tudo de café. A solução seria seguir para outra aldeia mais afastada, mesmo que vendessem o café por um pouco mais, mas era muito doloros fazer mais 10 ou 12 Km com a carga toda, mas tinha que ser! Quando íam de saída, aparecem dois senhores, um pouco estranhos, interessados em comprar o café todo! deu para desconfiar, um negócio assim tão bom! então está bem, combinaram o preço e dizem-lhe os comprardores: - Comprarmos o café todo, mas só o podemos pagar amanhã. Pior ficaram, mas amanhã porquê? - Porque hoje não temos aqui o dinheiro e mais isto e mais aquilo. O Ti A, pergunta ao Ti M: - o que fazemos? - Não sei, mas podemos dormir por aí e amanhã se trouxeram o dinheiro entregamos-lhe o café. Está bem, diz o Ti A, aos compradores .
No dia seguinte, apareceram os compradores com um carro e fizeram sinal aos contrabandistas para descerem por uma estrada afastando-se da aldeia. Eles desconfiados não se queriam afastar muito, mas com insistência dos compradores lá chegaram ao carro com o café. O Ti A, foi entregar o café a um dos compradores e quando levantou os olhos estava o outro comprador com uma pistola apontada à cabeça do Ti M e logo de seguida deu dois tiros para o ar, deixando ao mesmo tempo o Ti M, que começou a correr o mais que podia, não querendo saber mais do café nem do companheiro. O Ti A, sem medo, ainda insistiu para lhe pagarem o café, mas eles meteram o café no carro e fugiram a grande velocidade. O ti A, voltou sózinho, até chegar a um lugar onde existia um Monte, ainda em Espanha, no qual moravam uns idosos e ainda longe começou a ouvir a voz muito alta do colega fugitivo que não quiz saber mais dele. Lá foi ter com ele, zangado, como não podia deixar de estar, 

porque, se eventualmente levasse um tiro, ali ficava sem ajuda ou morto. Tinha muita razão, por isso iam quase sempre dois a dois, se houvesse azar, o outro podia dar o alerta em Portugal. 

O Ti A, esteve mais de oito dias sem ir a São Bento da Contenda (San Benito da la Contienda), mas como era uma pessoa muito audaciosa, lá voltou com outro companheiro, ao chegar, foi ao comércio de uma senhora idosa que vivia com uma neta, muito amiga dos contrabandistas portugueses, que faziam lá muitas compras de produtos para trazer de volta a Portugal e que já sabia o que se tinha passado, contado por outros contrabandistas que conheciam a situação, e perguntou-lhe: - A, já sabes quem te roubou o café? - Não, tu sabes? - Sei. - Foi um marroquino e um cabo da guarda civil, já reformado, roubaram-te e foram-se embora daqui! Nada a fazer!
E, a vida dos contrabandistas de Ferreira de Capelins continuou como antes! Apenas houve troca de companheiro! 

São Bento da Contenda


14 - Terras de Capelins

Caminhos do contrabando um passado esquecido!


De Ferreira de Capelins a Almendral - Espanha
Apresenta-se mais uma localidade espanhola onde os contrabandistas de Ferreira de Capelins vendiam o tão precioso café Camêlo. Era distante de Ferreira de Capelins, mas tinham de lá ir, não só porque nas localidades mais próximas da fronteira era mais difícil de vender devido à grande oferta e também porque os preços de venda eram mais baixos. É verdade que estes caminhos de 40/50 Km a pé carregados com 30 Kg de café às costas, era muito duro, mas essa vida era mesmo assim, às vezes debaixo de chuva e sujeitos a ficarem sem nada!

Aqui temos Almendral a qual desconhecia até há poucos dias, foi-me descrita por um digno contrabandista de Ferreira de Capelins.

ALMENDRAL
Almendral é um município de Espanha na província de Badajoz, comunidade autónoma da Estremadura, de área 68 km². Em 2013 tinha 1 319 habitantes (densidade: 19,4 hab./km²).

Património:
Igreja de Santa Maria Madalena
Igreja de São Pedro Apóstolo
Ermida de Nossa Senhora Finibus Terrae
Convento de Rocamador 

Almendral


13 - Terras de Capelins 

Histórias de vidas do contrabando, um passado esquecido!

 
De Ferreira de Capelins a São Bento da Contenda (San Benito de la Contienda) 


Em mais uma das viagens noturnas de Ferreira de Capelins a São Bento da Contenda, os contrabandistas Ti Manuel e Ti António, foram vender 30 Kg de café cada um, correu tudo bem até ali, mas ao voltarem para Portugal com o dinheiro nos bolsos e algumas encomendas de clientes portugueses, nomeadamente botas para usarem no trabalho do campo e nas pedreiras de mármore onde então muitos trabalhavam, apanharam grande susto. Desciam um vale por onde em época de chuvas corria um pequeno curso de água, com alguma vegetação, canaviais e arbustos, vinham distraídos, falando da volta que tinham dado essa noite, quando o Ti António levanta os olhos e fica estarrecido, parou repentinamente e diz ao Ti Manuel:

- Olha lá o que está aí na nossa frente! O Ti Manuel pergunta-lhe: - E agora o que fazemos? E diz o Ti António: Fugimos, não?
O que tinham eles na sua frente? A guarda civil (Carabineiros), em cavalos e já os tinham visto. Eram um grande perigo, porque com os cavalos em terreno daquele tipo eram facilmente apanhados e tiravam-lhe o dinheiro e as coisas que traziam. O Ti António e o Ti Manuel eram raposas velhas nestas andanças e ao fugirem escolheram um local de difícil acesso aos cavalos e tentaram enganar os guardas. Fingiram que fugiam para trás, mas assim que ficaram a coberto de árvores e arbustos correram em sentido contrário para o meio de árvores e esconderam-se, ouviram os cavalos a passar a galope e assim que eles passaram começaram a correr o mais que podiam durante muitos quilometros, mas chegaram sãos e salvos a Portugal e quando chegaram a Ferreira de Capelins ainda olhavam para trás a certificarem-se que os cavalos não vinham atrás deles.
Disse-lhe: - Decerto, que a guarda civil não os queria apanhar, só queria assustá-los! Queria, queria, respondeu o Ti António, nós é que os enganámos! 
Era assim a vida dura dos contrabandistas do império do café! 

Igreja de São Bento da Contenda



12 - Terras de Capelins


Histórias de vidas do contrabando, um passado esquecido!


De Ferreira de Capelins a Almendralejo

Almendralejo é um município de Espanha na província de Badajoz, comunidade autónoma da Estremadura, de área 164 km². Em 2012 tinha 34 694 habitantes. Uma linda cidade fundada na Idade Média. 

Também a esta cidade, já muito afastada de Ferreira de Capelins, recorriam os contrabandistas para vender o seu café, não era num só dia, mas durante vários dias e noites, sempre a pé e com as cargas de café. Aqui, vendia-se muito bem e em pouco tempo, porque eram poucos os homens que se aventuravam em tão grande viagem!
Podemos ver no mapa anexo a distância que tinham de percorrer entre Ferreira de Capelins e Almendralejo, mal alimentados e sujeitos a todos os perigos dessa vida de contrabandista do império do café! 

Almendralejo


11 - Terras de Capelins


Histórias de VidasOs caminhos do contrabando, um passado esquecido! 

De Ferreira de Capelins a Talega (Táliga) 


Durante a noite, muitas vezes com chuva, de preferência dos contrabandistas, com 30 Kg de café Camêlo às costas, partiam de Ferreira de Capelins, passando o rio Guadiana ao fim de 1:30 horas e seguiam a caminho de Táliga, onde logo pela manhã, com alguma sorte, conseguiam vender o café porta a porta e em alguns comércios, caso contrário, teriam de partir para outra localidade, sujeitos ao perigo de serem presos e ficarem sem nada.
Histórias de vidas dos contrabandistas do Império do café!
TÁLEGA (TÁLIGA)
Talega ou Nossa Senhora da Assunção de Talega(em espanhol: Táliga) é um município da Espanha, na província de Badajoz, Estremadura, de área 31 km². Em 2013 tinha 743 habitantes (densidade: 24 hab./km²).
A fundação de Táliga remonta ao período medieval, sendo atribuída aos cavaleiros templários. Julga-se que os cavaleiros, que após a reconquista passaram a habitar o castelo de Alconchel, terão deslocado os habitantes mouros deste castelo para povoarem Táliga.
Em 1297, com o tratado de Alcanices, passa a integrar o reino de Portugal.
No início do século XVIII, possuía cerca de 100 habitantes e diversas herdades, tais como a de Alparragena, a de Valmoreno, a de Mentilhão e a de Monte da Vinha.
Este município constituía até 1801 uma freguesia do termo de Olivença, com o nome de Nossa Senhora da Assunção de Talega ou Táliga (Nuestra Señora de la Asunción de Táliga em espanhol). Foi ocupada por Espanha em 1801.
Em 1850, consegue a segregação de Olivença e é constituída em concelho próprio. Tem cerca de 800 habitantes.
A sua construção de maior relevo é a igreja paroquial da Assunção, coroando a atraente praça de configuração irregular que ocupa um dos extremos da povoação. A sua arquitectura revela os traços alentejanos que a distinguem na Estremadura.
O templo, de modestas proporções, de alvenaria caiada, cunhais de cantaria e torre de um só corpo e pouca altura que encaixa de forma não habitual na nave. Na zona superior da torre abrem-se campanários, rematados com um capitel. Na fachada apresenta portal oitocentista de desenho alentejano. No interior, uma nave única de cabeceira plana e abobado de aresta. Do lado da Epístola desenvolve-se um conjunto de capelas.

Igreja de Nossa Senhora da Assunção - Táliga


10 - Terras de Capelins 


Histórias de Vidas do contrabando, um passado esquecido! 

De Ferreira de Capelins a São Domingos de Gusmão 

Pela noite dentro, os contrabandistas saíam de Ferreira de Capelins, com muitas cautelas não fosse a Guarda Fiscal andar por ali e corriam o risco de lhe tirarem o café. Cerca da meia noite estavam passando o rio Guadiana no barco do moleiro que estivesse mais próximo do local onde queriam passar, mediante o pagamento de 20 escudos cada um. Do outro lado da fronteira, seguiam imediatamente o caminho das localidades antes programadas, porém, ainda dava para descansar algumas horas numa das choças que se encontravam junto a Montes. Uma das localidades da sua rota era São Domingos de Gusmão, pequena aldeia Oliventina. Por aqui vendiam algum café,mas geralmente tinham de seguir caminho para vender o restante, regressando então a Ferreira de Capelins, sempre com os olhos bem abertos para não serem surpreendidos pela guarda civil que nesse Concelho andavam a cavalo, ainda mais perigosos e se fossem apanhados podiam ser presos ou ficar sem nada! Era difícil a vida dos contrabandistas do império do café!

São Domingos de Gusmão
São Domingos de Gusmão (oficialmente em espanhol Santo Domingo de Guzmán) é uma aldeia do município de Olivença, Espanha (disputado por Portugal). Até 1801, constituía uma freguesia deste concelho português e tinha 353 habitantes. Sob a administração espanhola, encontra-se integrada na Província de Badajoz. Situa-se a 7 km de Olivença .
De acordo com dados 2007, possui actualmente apenas 18 habitantes, constituindo a menor das aldeias oliventinas.
Oferece-nos a igreja paroquial de S. Domingos de Gusmão, pequena edificação caiada de carácter popular, do século XVII, com aspecto de ermida rural. A fachada ostenta um grande pórtico de severa estrutura em mármore e duplo campanário. A planta é de uma nave com abóbada de simples e cabeceira quadrangular de cruzeiro. As capelas e demais dependências anexadas a corpo principal originam um conjunto de variados volumes e acertada composição. Uma pequena cúpula em chaminé destaca-se sobre a cobertura. O seu encanto principal resulta da sua característica arquitectura popular tradicional de acento alentejano.
No início do século XVIII, a aldeia era constituída por cerca de 60 pessoas. Nessa altura, existiam nas suas imediações as herdades da Borrachinha, de Monte-longo e Gijarral, entre outras, consideradas muito férteis.
A meio caminho de Olivença encontra-se a ermida de Nossa Sra. das Neves, cujas festas se celebram em 5 de Agosto. Sobre ela existe uma encantadora lenda que relata a história do pequeno Joaquim que, perdido no campo, a Virgem protegeu durante a noite.

9 - História de Capelins 

A Vila Defesa de Ferreira

Em Dezembro de 1312 faleceu D. Gil Martins, 3º senhor de Terena sem deixar descendentes diretos, retornando o seu património à coroa, embora com protestos de sua mãe que se considerava sua herdeira e ainda conseguiu reaver alguns bens, mas não todos, como foi o caso de Terena. Assim, o senhorio de Terena ficou na posse de D. Dinis, que em 1314 criou a Vila Defesa de Ferreira, (o espaço geográfico que é hoje a Freguesia de Capelins), uma inovação, em alternativa aos Coutos de homiziados (tipo prisões), no caso da Vila Defesa os povoadores eram voluntários, o reino concedia-lhes vários privilégios e em troca tinham de defender esse espaço geográfico dos invasores vindos do outro lado da fronteira. Assim, D. Dinis fundou a Vila Defesa de Ferreira, com a sede junto às Neves, mandando aí contruir a Igreja Matriz de Santa Maria de Ferreira (destruída cerca de 1667). A seguir entregou-a ao seu filho Afonso, que veio ser o rei Afonso IV, o qual a doou imediatamente à sua esposa Dª Beatriz (Brites), entrando a Villa Defesa de Ferreira, na Casa das Rainhas, continuando o seu senhorio na posse de 3 Beatriz, seguidas, Dª Beatriz esposa de D. Afonso IV, a sua neta Beatriz de Castro e a outra sua neta filha do rei D. Fernando, também Beatriz!
8 - História de Capelins


Vila Defesa de Ferreira (hoje Freguesia de Capelins)
Desde 1433 até 04 de Junho de 1674 a Villa Defesa de Ferreira, criada em 1314 por D. Dinis, a qual ocupava o espaço geográfico da atual Freguesia de Capelins (exceto Nabais e Sina), estava na posse da Família Freire de Andrade, porém em 04 de Junho de 1674 faleceu Luis Freire de Andrade, senhor de Bobadela (Vila junto a Oliveira do Hospital - Coimbra, era nesta Casa que a nossa Vila de Ferreira estava integrada). O nosso senhorio Luís Freire de Andrade não deixou descendência legítima, apenas tinha um filho bastardo, não reconhecido pela Coroa, porque lhe convinha retirar toda a fortuna aos Freires de Andrade, era então rei de Portugal D. Pedro II, o 3º filho de D. João IV, que entregou a Casa de Bobadela incluindo a Villa de Ferreira ao seu filho o Infante Francisco, ficando na sua posse até 1698, quando este entregou tudo à Casa do Infantado, que era sua e dá-se uma autêntica revolução na Villa de Ferreira! 
A Vila de Ferreira, tinha um Lugar ou sede que ficava junto ao Monte de Ferreira/ Neves, onde moravam mais de 140 pessoas. Para os lados da atual Aldeia de Ferreira e Montes Juntos apenas existia a Capela de Santo António desde 1515/1518 e nada mais. Só a partir de 1700, começaram a surgir os mais de 40 Montes nas pequenas herdades e propriedades da Casa do Infantado, arrendadas aos ex-Judeus (Cristãos Novos). E a partir daí surgiram (Capelins de Baixo, Capelins de Cima (1740), antes apenas existiam os Montes de Capelins, Grande, Figueira, Pinheiro, do Meio, Serranas, Callados, Real e cerca de 1810 surgiu Montes Juntos, onde desde a mesma data já existiam vários Montes).
Em 1698, a Vila de Ferreira, que pertencia ao Concelho de Terena, passou a ser Concelho, mas do Estado do Infantado, totalmente independente da Casa Real. A sua sede onde se encontrava o Alcaide passou a ser no Monte Grande. Além de Alcaide, tinha Juiz, Procurador, Escrivão, Lavradores e Ouvidor. Tudo isto está bem explícito nas Memórias Paroquiais de 1758, escritas pelo Pároco Manuel Ramalho Madeira, neste mesmo ano na Igreja de Santo António, que ainda não era Capelins!

Luis Freire de Andrade,nasceu em 1610 e faleceu em 04 de Junho de 1674.
Filho de Fernão Martins Freire N 1610 foi Sr de Bobadela, e mais casa de seu pai, e foi Vedor da Raínha D. Maria Francisca Isabel de Saboia que morreu em Julho de 1674 tendo sido casado com D. Maria ou Joana Coutinho fª de D. Francisco de Castelo Branco 2º Conde de Sabugal, e Marinho Mor, e s.m. D. Luísa Coutinho de Castelo Branco
12 Fernão Martins Freire morreu menino.
Casou 2ª vez com D. Isabel de Castro viúva de Gonçalo Tavares Sr de Mira fª de D. Luís Pereira de Castro, e s.m. D. Catarina de Noronha s.g. por sua morte letigou D. António Luís de Sousa 2º Marquês das Minas sobre o Senhorio de Bobadela como 3º neto de D. Pedro de Sousa Sr de Bringel, e Prado, e s.m. D. Violante Henriques fª esta de Simão Freire Sr Bobadela neste ttº § 12 N 7 e sendo-lhe concedida revista perdeu a dita casa, e se incorporou na Coroa e a deu o Rei D. Pedro II a seu filho o Infante D. Francisco."
Gaio: "N 11 do §13 LUÍS FREIRE DE ANDRADE
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Luis Freire de Andrade, senhor de Bobadela's Timeline

sexta-feira, 29 de julho de 2016

7 -História de Capelins 

De Capelins a Bobadela (Oliveira do Hospital - Coimbra)


Em 1433, a então Villa Defesa de Ferreira, hoje Freguesia de Capelins (Santo António), que já existia desde 1314 (D. Dinis), foi doada pelo rei D. Duarte a D. Gomes Freire de Andrade, que tinha sido pagem do rei D. João I e lutou a seu lado na batalha de Aljubarrota, tendo por isso recebido como recompensa entre outros bens a Casa de Bobadela (Oliveira do Hospital...), sendo, assim, o primeiro senhor da Casa de Bobadela. Quando em 1433, D. Duarte lhe doou a Villa Defesa de Ferreira, esta ficou integrada nessa Casa Nobre, da Família Freire de Andrade, onde permaneceu até 1674, ou seja durante 241 anos. Ainda é de salientar que a doação do Lugar de Ferreira a par de Terena, foi confirmada em 1450, ao neto de D. Gomes Freire de Andrade, exatamente com o mesmo nome, por D. Afonso V, por recompensa de ter lutado a seu lado na batalha de Alfarrobeira (Vialonga em 1449). 




quinta-feira, 28 de julho de 2016

6 - História de Capelins 

Povoado das Águas Frias e a Villa de Ferreira Romana separados pela Ribeira do Lucefecit!
Dos Iberos - Celtas aos Romanos
Conforme os especialistas, no lugar da Villa de Ferreira Romana já antes aqui existia um Povoado, da Idade do Ferro, antes da vinda dos Romanos que eventualmente estava ligado ao Povoado das Águas Frias.
...
"De Época Romana, bastante representada no Quadro Geral de Referências, apenas foram intervencionados oito ocorrências no território do concelho do Alandroal (GOMES, BRAZUNA e MACEDO, 2002); de entre eles destaco o Outeiro dos Castelinhos, muito próximo do Castelinho (nº 403, Anexo 6), uma “villa” romana fortificada em muito bom estado de conservação (CALADO, 1993:102). Localizado entre a Ribeira do Lucefecit e a faixa piritosa, onde abundam os vestígios de mineração, o sítio não foi escavado integralmente. Durante os trabalhos, foi possível identificar uma área habitacional e outra de trabalho; é-lhe atribuída uma cronologia correspondente à passagem da Idade do Ferro para a Época Romana (GOMES, BRAZUNA e MACEDO, 2002: 135)". 

Villa de Ferreira Romana 



5 - História de Capelins
Freguesia de Capelins (Santo António)

A Freguesia de Capelins (Santo António), é constituída por três Aldeias: Faleiros - Ferreira de Capelins - Montes Juntos e ainda uma pequenina parcela de Cabeça de Carneiro.
A sua história remonta ao período da pré história, conforme consta na carta arqueológica de Alandroal e no relatório do levantamento arqueológico e patrimonial do Alqueva, passando pelo Neocalcolítico, pelos Romanos que fundaram a Villa de Ferreira Romana na margem direita da Ribeira de Lucefecit, em frente às Águas Frias e Idade Média. Entre 1262 e 1836, estas terras, fizeram parte do Concelho de Terena. Em 1314, o rei D. Dinis fundou a Vila de Ferreira, quase todo o espaço geográfico da atual Freguesia de Capelins, como Vila Defesa, (semelhante a Couto de Homiziados), os seus moradores tinham a missão de defender militarmente estas terras, de eventuais invasores, em troca de diversos privilégios, sendo a sua sede o Lugar de Ferreira, junto às Neves, onde existia a Igreja Matriz de Santa Maria. Esta Vila Defesa foi entregue ao seu filho o o Infante D. Afonso, que veio ser o rei D. Afonso IV, o qual, imediatamente a doou a sua esposa Dª Beatriz, entrando assim na Casa das Rainhas. Depois de ser doada a mais duas Infantas de nome Beatriz, foi doada em 1433 pelo rei D. Duarte a D. Gomes Freire de Andrade, permanecendo nesta Família até 1674, quando lhes foi retirada por falta de herdeiros diretos, ficando na coroa até ser logo doada ao Infante Francisco de Bragança, neto do Rei D. João IV, o qual, em 1698 a doou à Casa do Infantado, estando integrada na Casa de Bobadela, enquanto pertenceu à Família Freire de Andrade. Entre 1698 e 1834 foi propriedade da Casa do Infantado, sendo um Concelho do Estado do Infantado, com Alcaide, Juiz, Procurador, Escrivão e outros, ou seja, era administrada pelas leis exclusivas do Estado do Infantado, onde ninguém podia ser julgado no caso do crime não ter sido cometido nas Terras da Casa do Infantado, nem extraditado, depois de aqui ter entrado.
As Terras de Capelins, exceto Faleiros, devem a sua existência à Casa do Infantado, a qual, logo que tomou posse desta Vila, encetou um grande número de ações económicas e sociais com vista ao seu desenvolvimento, entre elas, dividiu as terras em pequenas herdades entregando-as a Lavradores, permitindo e ajudando a construir cerca de quarenta Montes (habitações), dos quais, a maioria ainda hoje, em 2015, embora reconstruídos, ali os podemos encontrar, sendo a partir de alguns desses Montes, que cresceram as então, Aldeias de Capelins de Baixo e Capelins de Cima, assim como, a Aldeia de Montes Juntos.
Em Novembro de 1836, esta Freguesia, que se denominou de Santo António, termo da Vila de Terena até cerca de 1798, passou do Concelho de Terena para o Concelho de Alandroal, e foi quando alteraram a toponímia das duas Aldeias de Capelins de Baixo e Capelins de Cima para Ferreira, a atual Ferreira de Capelins que, em conjunto com Faleiros, Montes Juntos e uma pequenina parcela de Cabeça de Carneiro, constituem a Freguesia de Capelins (Santo António). 




4 - Terras de Capelins
Lugares que Marcaram Vidas

Episódios sociais passados em Capelins (Ferreira)

A cura da enfadarrilha do nosso amigo António J.
Pela tardinha de um dos últimos dias do mês de Julho do ano de 1976, daqueles que registaram mais de 40º C, o grupo habitual (uns de férias e outros residentes) estava presente num dos cafés/taberna existentes então, na aldeia de Ferreira de Capelins, (eram 6 estabelecimentos, alguns mais fiéis a taberna do que a café). Já íamos ...na segunda rodada de minis e eis que chega o amigo António J. de passo muito apressado, por sentir que vinha atrasado ou por desejo de matar a sede. Deu as boas tardes a todos, chegou-se ao grupo e pede imediatamente uma rodada de súrvias (cervejas). Fiz alto, porque tinha acabado de chegar uma rodada e então era só mais uma para ele que vinha na minha e quando chegasse a vez dele, logo pedia. Perguntei ao nosso amigo António se estava tudo bem? Respondeu: - Não, não está. Hoje venho muito mal! Eu: - Então porquê? Se vem assim tão mal, como veio parar ao café/taberna e não ao hospital? Ti António: - Porque isto que eu tenho, não é nenhuma doença, é uma grande "enfadarrilha", como nunca apanhei nenhuma tão grande na minha vida. Eu: - E como é que se descuidou com isso? Como se deixou apanhar pela enfadarrilha? Ti António: - Como foi? Olha foi um dia inteiro a carregar fardos, eramos três, dois a baldeá-los para cima de uma trela (reboque de trator) e um lá em cima a fazer a carrada e depois íamos descarrega-los ao Monte e levá-los em cima do pescoço para dentro de umas cabanas, passando por portas, onde tínhamos que nos baixar e depois lá dentro ainda tínhamos que os arrumar até junto ao telhado, com o calor que esteve, vê bem o que eu passei, a garganta sempre seca, porque a água não matava a sede e nem era capaz de comer, isto foi demais, todo o dia me lembrei de uma súrvia fresquinha, era só o que me podia matar a sede. Eu:- E agora? está ficando melhor? Já vai com duas ou três súrvias! Ti António: - Estou melhorando, mas isto ainda não está nada bom, oh valha-me Deus, foi grande tombo. Depois de 5/6/7 ou 8 rodadas já na fase da abaladiça e de muita conversa de ocasião, perguntei novamente ao amigo António: Então e a sua enfadarrilha como está? Ti António: - Qual enfadarrilha? Eu: A que apanhou hoje a carregar os fardos! Ti António: - Já não me lembro de nada, devo estar curado, vá mas éi mais uma rodada de súrvias, que se lixe a enfadarrilha!
"Curado, não sei, mas decerto anestesiado"!
Enfadarrilha - Dicionário Online
www.dicionarioglobal.com/portugues/70438-enfadarrilha
Significado de Enfadarrilha no dicionário de Português: Enfado, incómodo, cansaço.




segunda-feira, 11 de julho de 2016

3 - História de Capelins 

A Festa de Nossa Senhora das Neves, em 1978


Decorria o ano de 1978 e, logo por Abril/Maio começaram os contactos entre as pessoas que desejavam integrar a Comissão de Festas de Santo António de Capelins, a realizar nos primeiros dias da vintena de Agosto. Na primeira reunião entre os festeiros (elementos da comissão), alguns informaram os restantes de que, também, estavam a pensar em realizar as Festas de Nossa Senhora das Neves, que não se realizavam havia muitos anos, talvez um mês depois das Festas de Santo António, assim os que quisessem continuavam na comissão, porque, quantos mais, melhor seria para ajudar na montagem das estruturas mínimas necessárias, o palco, o redondel para a tourada, o bazar para as rifas de fogaças, animais, garrafas de aniz e outras bebidas, e tanta coisa a tratar. Porém, já tinham sido contactados por algumas pessoas que queriam entrar na Comissão de Festas de Nossa Senhora das Neves, porque tinham promessas a cumprir e, seria, talvez a última oportunidade para pagar essas promessas. Todos aceitaram as propostas que foram apresentadas e depois da festa de Santo António, foi organizada e realizada a de Nossa Senhora das Neves, junto à sua Ermida, em Setembro de 1978. Do seu programa destacava-se, uma tourada (vacada), atuação do Rancho Folclórico das Fazendas de Almeirim, baile noturno, missa e a procissão com os dois pendões e com Santo Isidro, o Lavrador e Nossa Senhora das Neves. Dessa procissão, temos algumas fotografias que têm sido aqui publicadas,
como a de Santo Isidro, que era muito venerado pelos Lavradores de Capelins.
E, foi assim, que se cumpriram as promessas e se fez a última Festa de Nossa Senhora das Neves, junto à sua Ermida. 

Procissão de Nossa Senhora das Neves em Setembro de 1978





2 - História de Capelins


Conforme os registos no IGESPAR, existem vestígios de povoadores na atual Freguesia de Capelins, não só junto ao rio Guadiana, Ribeiras de Lucefécit e Azevel, mas também, junto à Igreja de Santo António, na Cabeça de Sina.


Capelins 1
CNS:12389
Tipo:Habitat
Distrito/Concelho/Freguesia:Évora/Alandroal/Capelins (Santo António)
Período:Neo-Calcolítico
Descrição:Habitat pré-histórico em terreno plano e aberto onde foram identificados à superfície percutores de quartzo, seixos e lascas de quartzito.
Meio:Terrestre
Acesso:A 100 m do Capelins pelo caminho que conduz a Aldeia de Ferreira.
Espólio:Seixos afeiçoados de quartzito, percutores, escassos fragmentos de cerâmica manual e elementos de mós manuais.
Depositários:UNIARQ - Unidade de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Classificação:-
Conservação:-
Processos:7.16.3/14-10(1)







Capelins 2
CNS:21044
Tipo:Habitat
Distrito/Concelho/Freguesia:Évora/Alandroal/Capelins (Santo António)
Período:Idade Média e Moderno
Descrição:Habitat medeival-moderno onde foi detectada à superfície cerâmica de construção e comum, de roda, com características medievais.
Meio:Terrestre
Acesso:-
Espólio:Cerâmica de construção e comum, de roda, com características medievais.
Depositários:-
Classificação:-
Conservação:-
Processos:7.16.3/14-10(1)

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